Conheça a nadadora do RN convocada para os Jogos Paralímpicos de Paris
Natal, RN 25 de jul 2024

Conheça a nadadora do RN convocada para os Jogos Paralímpicos de Paris

27 de junho de 2024
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Conheça a nadadora do RN convocada para os Jogos Paralímpicos de Paris
Com um histórico de nadadora desde os 2 anos de idade, Cecília Araújo se orgulha em representar o RN. Foto: reprodução @ceciliaraujo_

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“A natação é algo que eu sempre amei fazer e eu me divirto fazendo. É algo que, por mais que seja o meu trabalho, eu tenho alegria em nadar”. É assim que Cecília Araújo, atleta potiguar convocada para os Jogos Paralímpicos de Paris 2024, se refere àquilo que ela ama: a natação. A nadadora está no grupo dos quatro potiguares anunciados pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) na última terça-feira, 25, para representar o Brasil nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024.

Cecília é natural de Natal e tem 25 anos. Ela se dedica à natação desde os dois anos de idade. Nessa época, ela foi diagnosticada com paralisia cerebral do tipo hemiparesia esquerda (que afeta os movimentos do lado esquerdo do corpo), devido a complicações durante seu nascimento. Como forma de fisioterapia, ela conheceu a natação desde pequena, passando a se apaixonar pelo esporte.

Cecília Araújo se apaixonou pela natação desde criança. Foto: reprodução

A potiguar saiu de Natal para Botucatu, no interior de São Paulo, quando tinha apenas 15 anos de idade, com o objetivo de se dedicar mais à natação. 

Aos 17, participou dos Jogos Paralímpicos do Rio em 2016. Na ocasião, ela adoeceu durante a competição e não conseguiu participar da principal prova que iria concorrer. Mas, em 2021, Cecília volta aos Jogos em Tóquio, e conquista a medalha de prata nos 50m livre da classe S8, sua principal prova.

Agora, convocada para os Jogos em Paris, a expectativa da atleta é conquistar o ouro fazendo aquilo que ama. A potiguar brilhou na disputa do World Series de Natação na França e segue como melhor do mundo na prova dos 50m livre. Ela é a atual tricampeã mundial da prova e ganhou o ouro na França.

“Para Paris, eu espero ter uma boa competição e poder executar tudo aquilo que eu venho treinando ao longo desses tantos anos. A gente fala que a preparação de um atleta às vezes é um ciclo de quatro anos, mas eu considero que eu estou há 20 anos treinando para essa competição”, afirma a convocada.

Para a competição, a atleta tem se dedicado intensamente. Ela conta que tem uma rotina intensa, realizando de 2 a 3 treinos por dia, de segunda a sábado. Perto das competições, Cecília treina também aos domingos e feriados. Além da natação, ela também faz musculação, funcional, pilates e algumas sessões de fisioterapia, para prevenir lesões. “E tudo sempre voltado para o auto rendimento”, explica.

Diante das conquistas realizadas pela atleta até aqui, Cecília ressalta que várias características formam quem ela é – atleta, paralímpica, pessoa com deficiência (PCD) e mulher nordestina. Nesse sentido, ela ressalta o orgulho que tem de representar o Nordeste e, mais especificamente, o RN.

“Quando eu morava em Natal, no Rio Grande do Norte, eu não entendia quando se falava que ‘o nordestino é um povo forte, guerreiro’ - e eu também era muito nova. Quando eu vim para São Paulo, eu pude entender e encarar isso: essa garra, essa determinação que tem em cada um de nós nordestinos. E ter que sair do seu estado para correr atrás dos seus sonhos, do que você tanto almeja, é mais uma prova de força e de garra que eu trago aqui comigo, do meu povo, do meu Nordeste”, afirma. “Poder representar o Rio Grande do Norte, sem dúvidas, é uma das minhas maiores realizações pessoais.”

Há dez anos, desde que chegou em São Paulo, Cecília treina com a mesma equipe, a Nauru Natação, que convidou a atleta para mudar de estado como uma forma de se dedicar mais ao esporte. Nessa trajetória, o técnico Antônio Cândido, mais conhecido como “Maceió”,  junto a toda a equipe tem sido essencial para o desenvolvimento dela na natação.

A principal prova que Cecília Araújo vai disputar nos Jogos Paralímpicos de Paris é a dos 50m livres na categoria S8. Os atletas dessa classe têm capacidade física quase total, mas não dispõem da potência muscular na sua totalidade. Ao todo, são 14 categorias na natação paralímpica. Além disso, Cecília também vai nadar os 100m livre, em revezamento. 

A natação é a segunda modalidade em que o Brasil mais conquistou medalhas na história dos Jogos Paralímpicos, com 125 medalhas (40 ouros, 39 pratas e 46 bronzes), ficando atrás apenas do atletismo, que soma 170 pódios.

O Comitê Paralímpico Brasileiro anunciou nesta semana a convocação de 124 atletas de 10 modalidades que representarão o Brasil nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024. Além de Cecília, que é da natação, também estão na lista de atletas potiguares: Adriana Azevedo, na canoagem; e Romário Marques e Geovana Moura, no Goalball.

De acordo com o Comitê, ainda serão realizadas as convocações de mais nove modalidades, sendo elas: atletismo, bocha, ciclismo, halterofilismo, judô, remo, tiro esportivo, tiro com arco e triatlo, no próximo dia 11 de julho, no Youtube. Já os atletas do tênis em cadeira de rodas serão anunciados sete dias depois, no dia (18).

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