RN é o 2º estado do país em redução de homicídios entre 2017 e 2022
Natal, RN 20 de jul 2024

RN é o 2º estado do país em redução de homicídios entre 2017 e 2022

21 de junho de 2024
6min
RN é o 2º estado do país em redução de homicídios entre 2017 e 2022
Durante a década 2012-2022, taxa de homicídios das mulheres negras no estado aumentou mais de 16%. Confira os dados abaixo. Foto: Comunicação Itep-RN

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O Rio Grande do Norte é o estado com a segunda maior redução da taxa de homicídios no país, considerando o período entre os anos de 2017 e 2022, de acordo com o Atlas da Violência 2024, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado nesta semana. O RN reduziu em 49,1% a taxa de homicídios registrados por 100 mil habitantes, estando atrás apenas do resultado obtido pelo estado do Acre (-57%).

O estudo atribui a redução de homicídios registrada em certos estados, inclusive no Rio Grande do Norte, a “um trabalho integrado das organizações de segurança pública e ações orientadas pela análise criminal, conjugado a trabalho de inteligência policial”.

Créditos: Atlas da Violência 2024/Ipea

O Atlas da Violência aponta que, em 2017, o Rio Grande do Norte registrava uma taxa de homicídios de 63,8 casos por 100 mil habitantes. Em relação ao ano de 2022, que são os dados mais recentes e divulgados nesta semana, o estado potiguar mostra uma realidade bastante diferente, com 32,5 casos por 100 mil habitantes.

Créditos: Atlas da Violência 2024/Ipea

O estudo, de acordo com a governadora Fátima Bezerra (PT), indica que ações e investimentos não apenas salvam vidas, mas permitem a redução de outros indicadores de criminalidade.

“Temos muito trabalho pela frente, mas não podemos deixar de valorizar os resultados, porque os dados desse estudo corroboram com tudo que temos divulgado através da nossa Secretaria de Segurança Pública. Mas, todos esses resultados são possíveis graças também ao espírito público de cada servidor e servidora que diariamente deixam suas famílias para prevenir e combater a criminalidade”, afirmou a governadora.

O estudo do Ipea mostra que o RN é o segundo estado com maior redução, em comparativo 2022/2017, no número de homicídios entre jovens com idade entre 15 e 29 anos, sendo um número de -56,8%. O Acre ficou em primeiro lugar no Brasil, reduzindo 62,3% no mesmo período.

Sobre a taxa de homicídios de jovens de 15 a 29 anos por 100 mil habitantes, o RN divide com o Distrito Federal a terceira maior redução (53,8%). Já a taxa de assassinatos de adolescentes entre 15 e 19 anos de idade, no Rio Grande do Norte, tem a maior redução entre todos os estados para o período: -70,5%. No país, essa redução foi de 48,6%.

“Em 2022, de cada cem jovens entre 15 e 29 anos que morreram no Brasil por qualquer causa, 34 foram vítimas de homicídio. Dos 46.409 homicídios registrados, 49,2% vitimaram jovens entre 15 e 29 anos. Foram 22.864 jovens que tiveram suas vidas ceifadas prematuramente, uma média de 62 jovens assassinados por dia no país. Considerando a série histórica dos últimos onze anos (2012-2022), foram 321.466 jovens vítimas da violência letal no Brasil”, afirma o estudo.

Homicídios contra mulheres reduzem no RN

Os indicadores do Atlas da Violência 2024 mostram, ainda, um avanço quanto à taxa (-54,1%) e o número (-52%) de homicídios contra mulheres no estado potiguar. O Rio Grande do Norte  foi o segundo estado com maiores reduções.

O RN, a partir de 2019, ampliou de cinco para doze o número de delegacias especializadas em atendimento à mulher – DEAM.

Homicídio de mulheres negras e não negras: Brasil e RN

No Brasil, em 2022, do total de homicídios de mulheres registrados pelo sistema de saúde, as mulheres negras corresponderam a 66,4% das vítimas. Em números absolutos, foram 2.526 mulheres negras assassinadas.

Naquele ano, a taxa de homicídio de mulheres negras foi de 4,2 por grupo de 100 mil, enquanto a taxa para mulheres não negras foi de 2,5. Isso significa dizer que mulheres negras tiveram 1,7 vezes mais chances de serem vítimas de homicídio, em comparação com as não negras.

De acordo com o Atlas da Violência, analisando o comportamento das taxas de homicídio de mulheres segundo raça/cor na última década (2012-2022), é possível perceber, de maneira geral, uma queda das taxas: a redução para mulheres negras e não negras foi respectivamente de 25,0% e 24,2%. Na variação interanual, a taxa de homicídio de mulheres negras registrou declínio de 2,3%, enquanto no caso de mulheres não negras houve aumento de 4,2%. 

Créditos: Atlas da Violência 2024/Ipea

No entanto, ainda que os dados apontem para essa diminuição da taxa de homicídio de mulheres negras durante a década, em alguns estados o caminho foi o oposto, indicando aumento da taxa. É o caso do Rio Grande do Norte (16,3%). No Ceará, houve o maior crescimento da taxa, sendo de 100%.

“Em que pese o fato citado de que as mulheres negras tiveram maior redução de taxas de homicídio, esse dado é matizado pelos números absolutos: como dito anteriormente, é maior a quantidade de mulheres negras sendo mortas, anualmente, do que mulheres não negras”, diz o estudo, que considera mulheres não negras as mulheres brancas, amarelas e indígenas.

“Diversos outros estados da região [Nordeste] figuram entre aqueles com as maiores chances de uma mulher negra ser vítima de homicídio em relação a uma mulher não negra, como o Ceará (onde essa chance é 72,2% maior), Rio Grande do Norte (64%), Sergipe (62,9%) e Maranhão (61,5%)”, complementa o Atlas.

Atlas da Violência

Anualmente, o Atlas da Violência, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), lança um relatório atualizando os dados de violência no Brasil. O trabalho é feito em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Como nas edições anteriores, busca-se retratar a violência no Brasil, principalmente a partir dos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde. São informações sobre homicídios analisadas à luz da perspectiva de gênero, raça, faixa etária, entre outras.

Confira aqui o levantamento completo.

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