Engorda de Ponta Negra: desmoralizado, Álvaro Dias é dragado pela incompetência
Natal, RN 15 de jul 2024

Engorda de Ponta Negra: desmoralizado, Álvaro Dias é dragado pela incompetência

8 de julho de 2024
4min
Engorda de Ponta Negra: desmoralizado, Álvaro Dias é dragado pela incompetência

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“Nós não podemos aceitar pacificamente”. A ameaça, dita ao microfone em um protesto de rua nesta segunda-feira (8), saiu da boca da principal autoridade política de Natal, o prefeito Álvaro Dias (Republicanos).

A polêmica em torno da engorda da praia de Ponta Negra virou caso de polícia. Sim, o prefeito da cidade estimulou cidadãos que estavam ao lado dele a invadir a sede do principal órgão ambiental do Estado. Uma cerca foi quebrada.

Na invasão, além de Álvaro estavam vereadores ligados ao prefeito, o deputado federal Paulinho Freire e vários cargos comissionados da prefeitura.

E onde estava a polícia que não cumpriu seu dever de dar voz de prisão a um sujeito que estimula a violência e aos invasores que arrombaram a porta do órgão estadual ? Cadê o Ministério Público, outrora tão atuante nas questões ambientais para mediar esse conflito?

É fácil imaginar o que aconteceria se a ameaça fosse feita por um dirigente do MST, do MLB ou do movimento sindical.

Autoridades políticas costumam ser espelho para fiéis seguidores.

Não faz muito tempo, o ex-presidente da República apoiado por Álvaro Dias defendeu que a população não tomasse vacina durante a pandemia e milhares de pessoas obedeceram. Muitos morreram por causa disso.

O traíra e o mentiroso

Álvaro Dias está desmoralizado. Ele sabe que o projeto da engorda da praia poderia ter sido concluído durante o governo Bolsonaro. O senador e ex-amigo de Álvaro, Rogério Marinho, prometeu dinheiro para concluir a obra quando era ministro do Desenvolvimento Regional e cancelou o empenho, segundo o próprio prefeito, quando Bolsonaro perdeu a eleição. Álvaro chamou Rogério de traidor e Rogério disse que Álvaro era um mentiroso.

Um usou o outro. Rogério foi eleito senador e Álvaro dragado pela incompetência.

Álvaro Dias imaginou que para aprovar uma licença ambiental de um projeto tão complexo na principal praia turística de Natal bastava usar a tática do rolo compressor que utilizou na aprovação do Plano Diretor de Natal, quando reuniu a bancada governista e exigiu, não se sabe em troca de quê, que fosse feita a vontade do segmento empresarial.

A licença provisória e o marketing pastelão

O Idema emitiu há quase um ano uma licença provisória e exigiu uma série de respostas sobre os impactos da obra. Respostas que só chegaram agora, quase um ano depois. Para pressionar a opinião pública, a prefeitura pagou para que a empresa licitada enviasse à orla a draga que começaria a intervenção.  

Numa jogada estratégica, a empresa retirou a draga da orla, blogs bolsonaristas fingiram surpresa, Álvaro Dias gravou vídeo jogando a culpa no governo e convocou um protesto para o dia seguinte afirmando, em tom de ameaça, que não é possível aceitar a situação pacificamente. Em menos de 12 horas, do domingo pra segunda, “a manifestação” tinha faixa e adesivo, tudo organizado como se premeditado.

Ao mesmo tempo, às vésperas da campanha e surfando na orla agora sem draga, Paulinho Freire, o candidato à prefeitura apoiado por Álvaro, apareceu em vídeo dizendo que vai falar com o ministro do Turismo, “do meu partido”, para resolver o problema.

Nem as organizações Tabajara fabricariam um herói tão insólito.

Agora vai.

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