Paulinho Freire, o farrista
Natal, RN 3 de jun 2026

Paulinho Freire, o farrista

28 de junho de 2025
3min
Paulinho Freire, o farrista

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O prefeito de Natal, Paulinho Freire (União), vem comemorando, nas últimas semanas, o São João realizado em diferentes polos da cidade. Os shows levaram uma multidão à Arena das Dunas, principalmente. Não fossem as chuvas, a celebração junina seria ainda maior.

Paulinho é empresário do ramo, fundou a Destaque Promoções e colocou na secretaria municipal de Cultura Iracy Azevedo, uma profissional competente nessa área de eventos, responsável durante vários anos pela produção executiva do Carnatal, um dos últimos remanescentes “carnavais fora de época” que ainda surfam naquela explosão do axé music, derna anos 1990.

Os cachês dos shows ultrapassam os R$ 6,5 milhões.

Mas não é apenas dessa farra que o prefeito de Natal gosta.

A cidade descobriu pela imprensa nas últimas semanas que Paulinho Freire garantiu a ele mesmo o maior salário de um prefeito de capital no Brasil. Graças a uma gratificação que o próprio se autoconcedeu, o famigerado jeton indenizatório.

A bonificação é paga, veja você, pela participação do prefeito em reuniões. Mas não é para isso que o contribuinte paga os políticos? No início do mandato, ele prometeu cortar o agrado que o ex-prefeito Álvaro Dias também deu de presente a si mesmo. Falta de memória é um problema para determinados políticos.

Freire passou a receber R$ 41 mil, um salário bem maior que o de Fátima Bezerra, por exemplo, que governa para a população de 167 municípios do Rio Grande do Norte, incluindo Natal, e conta com uma remuneração de R$ 22 mil, quase a metade do que recebe o colega.

Essa não foi a primeira vez que Paulinho Freire mostrou o apreço pela farra com dinheiro público. Pela primeira vez na história da cidade, um prefeito tomou posse num ambiente privado, pago pelo cidadão comum. O local escolhido foi o Teatro Riachuelo, uma casa de shows no principal shopping da cidade. O aluguel do espaço custou R$ 25 mil.

Há um provérbio famoso, muito usado na política, para quem “à mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”. Gestos, por mais simples que sejam, são importantes para mostrar à sociedade a preocupação do gestor com a coisa pública.

Assim que sucedeu Rosalba Ciarlini, o então governador Robinson Faria decidiu abrir mão da residência oficial do governo e seguiu morando em seu próprio apartamento. Fátima Bezerra deu o mesmo exemplo e continuou na própria casa onde mora há vários anos, ao invés de utilizar toda a estrutura de casa, móveis, empregados e outras benesses.

Nenhum dos dois – um político de direita, outra de esquerda – resolveu o problema financeiro do Estado economizando com moradia própria.

Mas um gesto, por vezes, sinaliza um caminho.

Quando um político adota a farra como símbolo de sua gestão também.

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