Casa pichada: família de agressor de namorada se manifesta após ameaças
Natal, RN 16 de jun 2026

Casa pichada: família de agressor de namorada se manifesta após ameaças

30 de julho de 2025
7min
Casa pichada: família de agressor de namorada se manifesta após ameaças
Imagem: reprodução

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Depois de ver uma casa vizinha pichada com a mensagem “A rua vai cobrar cada soco” e de receber mensagens com ameaças no WhatsApp, a família de Igor Cabral, que responde por tentativa de feminicídio por ter espancando a namorada com mais de 60 socos, decidiu se manifestar por meio de uma nota. No documento, o grupo lamenta o ocorrido, esclarece que picharam a casa errada e pede que seja mantido o anonimato dos parentes, que não tiveram culpa pelas agressões.

É necessário esclarecer que o endereço divulgado em algumas matérias e redes sociais não pertence ao jovem envolvido no caso. Trata-se de um ambiente estritamente comercial, local de trabalho de familiares, que não tem qualquer relação com o ocorrido. A exposição indevida deste local tem causado transtornos, ameaças e constrangimentos a pessoas que não têm qualquer envolvimento com a situação, violando o direito à privacidade e à imagem, conforme assegurado pela Constituição Federal”.

Devido as ameaças que tem recebido, a família de Igor Cabral vai fazer um Boletim de Ocorrência, medida já adotada pelo proprietário da casa pichada. Ao longo da nota, a família diz ser formada por pessoas comuns e trabalhadoras, que também foram surpreendidas pelos atos de Igor.

Reforçamos que os familiares não têm responsabilidade sobre os atos cometidos. São cidadãos comuns, trabalhadores, que foram igualmente surpreendidos com os fatos e estão profundamente consternados. É imperativo que possam continuar exercendo seus direitos ao trabalho e à dignidade, sem serem punidos por algo que não fizeram”.

Fotos: Igor Cabral I Reprodução redes sociais

Confira a nota na íntegra:

*NOTA À IMPRENSA E À SOCIEDADE
Em face dos recentes eventos amplamente divulgados pela mídia, os familiares e a defesa de IGOR CABRAL vêm a público manifestar-se.
Lamentamos profundamente o ocorrido e reiteramos que a Justiça já está atuando. O acusado encontra-se à disposição das autoridades competentes e será julgado conforme o nosso Ordenamento Jurídico, com todas as garantias asseguradas a qualquer acusado, conforme o princípio do devido processo legal.
É necessário esclarecer que o endereço divulgado em algumas matérias e redes sociais não pertence ao jovem envolvido no caso. Trata-se de um ambiente estritamente comercial, local de trabalho de familiares, que não tem qualquer relação com o ocorrido. A exposição indevida deste local tem causado transtornos, ameaças e constrangimentos a pessoas que não têm qualquer envolvimento com a situação, violando o direito à privacidade e à imagem, conforme assegurado pela Constituição Federal.
Reforçamos que os familiares não têm responsabilidade sobre os atos cometidos. São cidadãos comuns, trabalhadores, que foram igualmente surpreendidos com os fatos e estão profundamente consternados. É imperativo que possam continuar exercendo seus direitos ao trabalho e à dignidade, sem serem punidos por algo que não fizeram.
Diante disso, solicitamos respeitosamente à imprensa, aos cidadãos e à sociedade em geral que permitam a eles viver em paz, sem perseguições, julgamentos ou exposição indevida, pois não cometeram nenhum crime. O foco do caso está sob apuração pelas autoridades competentes. O investigado se colocou à disposição da Justiça para prestar todos os esclarecimentos necessários. A Defesa acompanha o caso com responsabilidade e confia no devido processo legal para o esclarecimento dos fatos.
Em respeito às partes envolvidas, não serão concedidos outros pronunciamentos no momento, restringindo-se as manifestações aos autos do Inquérito Policial e ulterior Processo Penal.
Agradecemos a
compreensão e o respeito neste momento tão delicado para todos os envolvidos.
Natal/RN, 30 de julho de 2025
Atenciosamente,
Defesa técnica e familiares.

Recuperação

Também nesta terça (30), Juliana Soares publicou uma mensagem nas redes sociais agradecendo pela solidariedade que recebeu desde que o caso de violência de gênero se tornou público. A jovem disse que o momento que vive “é muito delicado” e que precisa focar em sua recuperação.

Agradeço toda a solidariedade e amor que todos estão me ofertando no momento. É um momento muito delicado e eu preciso focar na minha recuperação. Obrigada a todas as minhas amigas que estão sendo minha rede de apoio no momento”, escreveu.

Foto: Reprodução Redes Sociais

Relembre o caso

Igor Cabral, 29, foi detido no último sábado (26) depois de espancar a então namorada, Juliana Soares, de 35 anos, com mais de 60 socos dentro de um elevador em um condomínio, no bairro de Ponta Negra, na Zona Sul de Natal.

Imagens do circuito interno registraram o momento em que ela leva dezenas de socos. A violência deixou a vítima com o rosto desfigurado. O segurança do condomínio, ao ver as imagens, acionou a Polícia Militar.

Quando o elevador chegou ao térreo, o agressor foi contido pelos moradores, até a chegada dos policiais. A vítima, que foi levada para o Hospital Walfredo Gurgel, sofreu fraturas no rosto, deslocamento da mandíbula e perda parcial da visão.

A delegada Victória Lisboa relatou que o agressor, ao prestar depoimento na Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam), alegou que tinha claustrofobia, mas ela rechaçou a justificativa. Depois de ser detido em flagrante, durante audiência de custódia, Igor teve a prisão preventiva decretada.

A discussão, segundo a Polícia Civil, teria começado em uma área comum do condomínio, onde eles faziam um churrasco com amigos. Juliana relatou que Igor teve uma crise de ciúmes quando ela lhe mostrou mensagens que havia recebido em seu celular.

Outras violências

Em depoimento à Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher da Zona Leste, Oeste e Sul (DEAM-ZLOS), Juliana revelou que Igor Cabral, antes de cometer a tentativa de feminicídio, havia lhe estimulado a cometer suicídio.

Ela informou que já havia sido agredida com um empurrão e que em outras ocasiões ela conversou com ele sobre a possibilidade dela se matar e ele incentivava ela a tomar essa atitude”, contou a delegada da DEAM-ZLOS Victoria Lisboa.

Ela estava com o psicológico abalado e aí ele a estava incentivando [a tomar os remédios]. Isso, inclusive, será apurado melhor porque também pode configurar crime”, acrescentou a delegada.

Em entrevista à TV Tropical, Juliana também contou que o ex-namorado demonstrava comportamento possessivo, já havia lhe empurrado e cometido muita violência psicológica, mas não imaginava que ele chegaria ao ponto de tentar matá-la.

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