Caso de agressão brutal contra mulher em Natal gera forte reação política no RN
Natal, RN 4 de jun 2026

Caso de agressão brutal contra mulher em Natal gera forte reação política no RN

29 de julho de 2025
9min
Caso de agressão brutal contra mulher em Natal gera forte reação política no RN
Fotos: Reprodução

Ajude o Portal Saiba Mais a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

A tentativa de feminicídio contra Juliana Soares, agredida com mais de 60 socos pelo namorado Igor Eduardo Pereira Cabral, durante uma discussão no elevador de um prédio em Ponta Negra, na Zona Sul de Natal, provocou forte comoção social, repercussão nas redes sociais e uma mobilização imediata de autoridades políticas no Rio Grande do Norte. A governadora Fátima Bezerra (PT) se solidarizou com a vítima, chamou a agressão de “covarde” e afirmou que a violência contra as mulheres “é crime e não será tolerada”.

“Minha solidariedade à jovem vítima de uma covarde tentativa de feminicídio cometida pelo próprio namorado. As providências cabíveis já foram tomadas e o Governo do Estado está acompanhando o caso de perto. Violência contra as mulheres é crime e não será tolerada. Aqui no RN, é tolerância zero para o machismo, misoginia e toda forma de violência de gênero”, escreveu a governadora.

A titular da Secretaria Estadual de Mulheres, Juventude, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Semjidh), Júlia Arruda, expressou seu “mais profundo repúdio com esse ato de tamanha violência e selvageria”, pedindo o fim da violência contra as mulheres.

A Semjidh emitiu nota oficial afirmando que a pasta “está atenta, acompanhando a situação e à disposição da vítima para todo o apoio necessário por meio da rede estadual de proteção à mulher”.

“Reafirmamos o nosso compromisso com o enfrentamento à violência de gênero e com a defesa intransigente dos direitos humanos”, diz trecho do comunicado.

A pasta ainda orientou mulheres que foram vítimas ou presenciaram situações de agressões física, psicológica, moral, sexual ou patrimonial a denunciarem os casos através do 190 (Polícia Militar), 181 (Polícia Civil) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher).

Parlamentares também condenam agressão

O caso também provocou a indignação de parlamentares potiguares. A senadora Zenaide Maia (PSD) afirmou que “não são apenas mais de 60 socos”, mas sim “uma tentativa de destruição, de controle, de apagar uma mulher pela força”. “Não é surto. É monstro”, declarou.

“A violência que vimos naquele vídeo não é exceção, é a realidade de muitas mulheres neste país. Silenciosa, cotidiana, muitas vezes ignorada até que vire manchete. Como senadora e procuradora da Mulher no Senado Federal, trabalho todos os dias para enfrentar esse cenário brutal”, comentou a senadora, acrescentando que “não basta indignação: é preciso responsabilização imediata e punição exemplar”.

A deputada federal Natália Bonavides (PT) classificou o episódio como “estarrecedor”, afirmando que os socos de Igor contra Juliana foram “61 tentativas de matar a companheira brutalmente dentro do elevador”.

“Doloroso demais ver essas imagens. Todo apoio e acolhimento para a vítima e que se recupere dessa violência. Que o criminoso responda com o maior rigor da lei”, defendeu a deputada.

A deputada federal Carla Dickson (União Brasil) também se manifestou afirmando que a cena da vítima sendo agredida pelo namorado era “revoltante, inadmissível e covarde”.

“Violência contra a mulher é crime, não tem desculpa e não pode ser tolerada. Esse crime não ficará impune”, escreveu a parlamentar em mensagem publicada nas redes sociais.

Agressão aconteceu no último sábado (26), no elevador de um condomínio em Ponta Negra. Foto: Reprodução

Já na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN), a deputada estadual Cristiane Dantas (SDD), em vídeo publicado no seu perfil no Instagram, afirmou que a vítima receberia apoio psicológico, jurídico e social da Procuradoria da Mulher.

“A ProMulher está de portas abertas. Nenhuma mulher potiguar está sozinha. Estamos aqui por elas”, assegurou a deputada.

Outras parlamentares também se pronunciaram em solidariedade à vítima, além de reforçarem a necessidade de fortalecer políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero.

A deputada estadual Divaneide Basílio (PT) disse que a brutalidade do caso era “chocante”, lembrou que a violência contra a mulher “ainda é diária” e defendeu que seja feita justiça contra o agressor.

O mesmo de revolta foi usado pela deputada estadual Isolda Dantas (PT), que afirmou não ser possível “normalizar” casos de violência como o que sofreu Juliana Soares. “Não dá pra ficar impune”, cobrou.

“Não é doença, aberração ou qualquer coisa do tipo. É violência contra a mulher, é ódio e é crime. Não podemos normalizar o machismo que mata mulheres todos os dias”, protestou a deputada, acrescentando que é preciso “mudar a sociedade” para “acabar com o machismo que existe nela”.

As deputadas estaduais Eudiane Macedo (PV) e Terezinha Maia (PL) também publicaram mensagens de solidariedade a Juliana Soares, defenderam o combate à violência contra a mulher e disseram que a mulher foi vítima do “machismo estrutural que ainda domina a nossa sociedade e insiste em tratar o corpo da mulher como propriedade”.

Reação na Câmara Municipal

A violência contra Juliana Soares também provou repercussão na bancada feminina da Câmara Municipal de Natal. A vereadora Brisa Bracchi (PT) afirmou que as imagens da agressão comprovam que “não foi surto nem descontrole”, mas sim “uma tentativa clara de feminicídio”.

“Não há desculpa, nada justifica tamanha covardia. Que a Justiça aja com rigor e que a vítima tenha toda a proteção, acolhimento e cuidado necessários para se reerguer. Toda a nossa solidariedade”, escreveu a vereadora.

A vereadora Samanda Alves (PT) frisou que a vítima sofreu mais de 60 socos em apenas um minuto. Para ela, o agressor teve a “clara intenção de matar” a mulher. “Não foi surto. Não foi descontrole. Foi tentativa de feminicídio”, enfatizou.

“Minha solidariedade à vítima. Que ela receba todo o cuidado, acolhimento e justiça – e que consiga se recuperar dessa brutalidade. O agressor foi preso em flagrante e confessou. Não pode sair da cadeia. Quem tenta matar uma mulher não pode voltar pra rua impune”, disse.

As vereadoras Thabatta Amaral (PSOL) e Anne Lagartixa (PL) emitiram se pronunciaram sobre o caso de violência. As duas parlamentares prestaram à vítima, repudiaram a agressão e afirmaram que seus mandatos estão à disposição para ajudar.

Relembre o caso

Juliana Soares foi espancada com violência pelo ex-namorado, Igor Cabral, na tarde do último sábado (26), após uma discussão no elevador do condomínio onde mora, na Zona Sul de Natal. Imagens do circuito interno registraram o momento em que ela leva dezenas de socos no rosto. A violência durou menos de um minuto, mas foi o suficiente para deixar a vítima com o rosto desfigurado. O porteiro, ao ver as imagens, acionou a Polícia Militar.

O agressor foi contido pelos moradores, até a chegada dos policiais, quando o elevador chegou ao térreo. A vítima, que foi levada para o Hospital Walfredo Gurgel, sofreu fraturas no rosto, deslocamento da mandíbula e perda parcial da visão. Ela será submetida a uma cirurgia ainda esta semana.

Igor agrediu Juliana violentamente com mais de 60 socos após uma discussão no elevador de um condomínio em Ponta Negra. Fotos: Reprodução Redes Sociais

A delegada Victória Lisboa relatou que o agressor, ao prestar depoimento na Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam), alegou que tinha claustrofobia, mas ela rechaçou a justificativa.

“Ele justificou essa situação de claustrofobia, porque ele estava, querendo ou não, no elevador. Mas, assim, a meu ver, isso não é nenhuma justificativa para o que foi feito”, disse a delegada.

Saiba Mais: Mulher é espancada com mais de 60 socos pelo namorado em Natal

Vítima disse que já tinha sofrido violência psicológica

Em entrevista à TV Tropical, Juliana contou que o ex-namorado demonstrava comportamento possessivo, já havia lhe empurrado e cometido muita violência psicológica, mas não imaginava que ele chegaria ao ponto de tentar matá-la. A briga teria começado após ele ver mensagens no celular da vítima.

“Eu pensei: vou ficar no elevador porque tem câmera, se ele fizer alguma coisa vai estar filmado. Mas não imaginei que ele faria isso, só pensei em sair dali viva”, contou.

“Agora é o momento que eu estou pensando em me reerguer e me recuperar para poder seguir minha vida bem longe dele”, contou, dizendo que se relacionava com ele há quase dois anos, que tinham um “convívio familiar” e que a agressão foi “uma grande decepção”.

“Eu já esperava que ele não fosse a pessoa mais calma do mundo, mas também não esperava que ele fosse capaz disso”, afirmou.

Amigos da vítima organizaram uma vaquinha virtual para arrecadar recursos para ajudar no tratamento de Juliana. Em um dia, já foram feitas mais de 700 contribuições e foram arrecadados mais de R$ 24 mil.

*Atualizada às 13h15.

Apoiar Saiba Mais

Pra quem deseja ajudar a fortalecer o debate público

QR Code

Ajude-nos a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Este site utiliza cookies e solicita seus dados pessoais para melhorar sua experiência de navegação.