Ato em Jardim de Piranhas e Jucurutu marca chegada das águas do São Francisco ao RN
Natal, RN 8 de jun 2026

Ato em Jardim de Piranhas e Jucurutu marca chegada das águas do São Francisco ao RN

19 de agosto de 2025
6min
Ato em Jardim de Piranhas e Jucurutu marca chegada das águas do São Francisco ao RN
Foto; Joana Lima

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A governadora Fátima Bezerra (PT) e o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, participam nesta terça-feira (19) de do ato que marca a chegada das águas do Rio São Francisco ao Rio Grande do Norte. A programação oficial inclui uma visita à estação de bombeamento da Caern em Jardim de Piranhas, às margens do Rio Piranhas. Depois, a comitiva segue para Jucurutu, para a abertura das comportas da Barragem de Oiticica.

Da Barragem de Oiticica, inaugurada em março pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), as águas da transposição seguirão em direção à Barragem Armando Ribeiro Gonçalves – o maior reservatório de água do Rio Grande do Norte, com capacidade para 2,4 bilhões de metros cúbicos, localizado na bacia hidrográfica do Rio Piranhas-Açu, abrangendo os municípios de Itajá, São Rafael e Jucurutu.

As águas do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) chegaram de forma definitiva, sustentável e regulamentada pela primeira vez ao Rio Grande do Norte às 23h53 da última quarta-feira (13), segundo registro do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).

O percurso das águas, desde a divisa da Paraíba até a chegada ao território do Rio Grande do Norte, compreende 412 km e envolve um complexo sistema de reservatórios e canais.

“Essa liberação de água é histórica para o estado do Rio Grande do Norte. É a primeira vez que está sendo liberada água da transposição do Rio São Francisco após manobras de testes feitas pelo governo passado”, declarou o secretário Nacional de Segurança Hídrica do MIDR, Giuseppe Vieira.

Fase de testes

Em 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) participou de uma solenidade em Jardim de Piranhas para anunciar a chegada das águas da transposição ao RN. O fornecimento, no entanto, durou somente 15 dias, precisando ser interrompido após a fase de testes porque a infraestrutura da obra não estava pronta.

“Quando assumimos, as bombas da transposição que garantem a chegada da água ao Rio Grande do Norte estavam quebradas. Duas bombas da EBI-3, no Eixo Norte, precisaram ser revitalizadas”, explicou o ministro Waldez Góes, ressaltando que o governo federal teve de incluir no orçamento recursos não previstos pela gestão anterior.

O titular da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), Paulo Varella, reforçou que naquele momento em que a água chegou na fase de testes, o fornecimento não era “sustentável”.

“Tanto é que, depois disso, não foi mais possível bombear [a água]. Quando iniciou o governo do presidente Lula, já com o ministro Waldez Góes, viu-se que havia muitos problemas lá na adução central. Foi necessário recuperar estações de bombeamento. Tanto é que, ano passado, não foi nem possível trazer ainda a água”, detalhou.

Governo fez “trabalho gigantesco para colocar a obra em condição de funcionar”, disse secretário

Foto: Joana Lima

Depois dessa fase de testes, ainda segundo o secretário, foi feito um “trabalho gigantesco” de recuperação das estações de bombeamento para permitir “colocar a obra em condição de funcionar de forma sistemática, sustentável e planejada através dos planos de operação”.

Paulo Varella disse, ainda, que outro fator determinante para a interrupção do fornecimento foi a ausência de um contrato que definisse a quantidade e as condições do fornecimento das águas do PISF. Diante dessa situação, assegurou, a água não poderia ser disponibilizada ao RN.

“Hoje [quarta-feira, 13] é um dia histórico. Estamos vendo a história em movimento. A partir de agora, temos condição de planejar, sistematicamente, a vinda dessa água para cá. Isso não é um rio que se transpõe. É como se fosse uma torneira que a gente vai usar na hora que precisa”, comemorou o secretário.

“O governo Lula, através do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, em parceria com o Governo do Estado, priorizou a correção e conclusão da infraestrutura necessária, além de providenciar o contrato da gestão das águas, para assegurar o seu fornecimento de forma definitiva ao Rio Grande do Norte”, completou.

As águas da transposição são sinônimo de esperança”, destaca governadora

A governadora Fátima Bezerra (PT) ressaltou que, além de assegurar segurança hídrica, a chegada definitiva das águas da tranposição ao Rio Grande do Norte “é fundamental para a saúde e para o desenvolvimento sustentável”.

“As águas da transposição são sinônimo de esperança, trazem dignidade e sentimento de justiça social para nós, filhos do Nordeste. Elas geram oportunidades no campo e na cidade”, disse a governadora.

Inicialmente, as águas da transposição vão atender 24 municípios através das adutoras do Projeto Seridó, abrangendo uma população de cerca de 290 mil habitantes. A previsão do Governo do Estado é que esse sistema adutor entre funcionamento no primeiro semestre de 2026.

Previsão é que águas da transposição cheguem ao Alto Oeste em abril de 2026

Túnel Major Sales do Ramal do Apodi está com 80% das obras conclupidas. Foto: Ricardo Stuckert / PR

O secretário Paulo Varella destacou que, após chegarem ao RN pela região Seridó, as águas da transposição se somarão, em abril do próximo ano, com a outra porta de entrada através do Túnel de Major Sales, na região do Alto Oeste.

O Túnel de Major Sales, que está com 80% das obras concluídas, vai até o reservatório Angicos, no município de José da Penha, de onde segue para a Barragem Santa Cruz, na cidade de Apodi.

A obra faz parte do Ramal do Apodi, que beneficiará cerca de 750 mil pessoas em 54 cidades dos potiguares, paraibanas e cearenses.

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