Fotografia, memória e o pálido ponto azul
Natal, RN 27 de jun 2026

Fotografia, memória e o pálido ponto azul

25 de agosto de 2025
3min
Fotografia, memória e o pálido ponto azul
Foto da terra vista da sonda Voyager 1 após passagem por Saturno

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Este texto nasce a partir da minha fala no último dia 19 de agosto, Dia Internacional da Fotografia, durante a abertura do primeiro seminário da entidade Fototeca Potiguar, ocasião em que representei a sociedade civil e o coletivo DaFoto. É uma reflexão sobre autor, instrumento, tempo, espaço e a importância dos significados, inspirada na viagem da sonda espacial Voyager 1, hoje a mais de 22 bilhões de quilômetros da Terra.

Quando Carl Sagan pediu que a Voyager 1 — que viaja há 48 anos pelos confins do espaço interestelar e, à época, passava por Saturno, a mais de seis bilhões de quilômetros de distância — fizesse sua última fotografia, o instrumento já se preparava para abandonar algumas funcionalidades. Assim surgiu a imagem da Terra, registrada como um ponto minúsculo entre os raios solares: o Pálido Ponto Azul.

Sagan escreveu um texto marcante sobre aquela imagem. Ele disse que ali, naquele ponto, estavam todos nós: todas as pessoas que amamos, todos os amores, todas as guerras, tudo que conhecemos como vida.

Penso que a Fototeca é também um instrumento, como uma sonda, que busca desvendar os mistérios das histórias humanas e resguardar a cultura. É um espaço que reafirma amores e valores, que explora o vasto universo dos significados — ainda que, para alguns, tudo isso pareça apenas um pálido ponto azul onde se concentram as histórias vividas por nossa sociedade.

Esse instrumento é a câmera fotográfica, operada por milhares de olhares, com múltiplas funções: preservar lugares, registrar exemplos e guardar as lições que a história nos oferece. Através dos autores e autoras — pessoas que, assim como quem lançou a Voyager 1, sondam os mistérios e produzem documentos visuais da vida humana — nasce a dedicação à memória.

A Fototeca surge com esse propósito: sistematizar, concentrar e dar destino concreto, útil e acessível à fotografia, valorizando-a como conhecimento, pesquisa e afirmação da identidade. É fruto de autores e autoras que, à semelhança de Carl Sagan, decidiram materializar um ângulo da existência, reafirmando sua importância, mesmo que à distância pareça apenas um pálido ponto azul.

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