Sargento Gonçalves comemora operação no RJ e é rebatido por deputado
Natal, RN 12 de jun 2026

Sargento Gonçalves comemora operação no RJ e é rebatido por deputado

30 de outubro de 2025
4min
Sargento Gonçalves comemora operação no RJ e é rebatido por deputado
Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

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O deputado federal Sargento Gonçalves (PL-RN) comemorou nesta quarta-feira (29), em sessão da Câmara, a operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos. O parlamentar afirmou que eram todos bandidos e foi rebatido pelo deputado Márcio Jerry (PCdoB-MA), que chamou a ação de “desastrada”. “Não é normal se admitir como correta uma operação que já contabiliza mais de 120 corpos”, respondeu.

“Queria primeiramente me solidarizar com as famílias dos quatro policiais, heróis nacionais, que colocam a vida à disposição do Estado para proteger a sociedade do Rio de Janeiro. Uma hora eram 60, agora são 100, 150. Tudo bandido. São bandidos a menos para tirar a paz da sociedade do Rio de Janeiro. Sabemos que as ações contra o crime organizado não se resumem apenas a isso, mas havia necessidade”, disse Gonçalves.

Em seguida, o deputado potiguar centrou suas críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e atribuiu a situação no Rio de Janeiro aos ministros da Corte, que teriam tornado “esses ambientes no Rio de Janeiro verdadeiros quartéis-generais do crime organizado”.

“Os ministros do STF impedem que a polícia atue de forma preventiva naquelas regiões”, alegou Gonçalves.

“Operação desastrada”

Márcio Jerry subiu à tribuna e abriu divergência com Gonçalves. O parlamentar do PCdoB do Maranhão se solidarizou com as famílias de todas as vítimas, especialmente às dos policiais que estavam em trabalho e foram vítimas nessa operação.

“Foi uma operação, sob todos os aspectos, desastrada. Não é normal se admitir como correta uma operação que já contabiliza mais de 120 corpos. Há quem chegue aqui e, irresponsavelmente, diga: ‘Eram corpos só de bandidos’. Mesmo que fossem, não há pena de morte no Brasil. Ali há muitas pessoas absolutamente inocentes, como em outras tantas operações desse tipo”, respondeu Jerry.

O deputado do PCdoB criticou a “demagogia em cima de cadáveres” e disse não ser hora “de fazer disputa política em cima de fatos tão graves”.

“A hora é de unir os entes federados, Município, Estado do Rio de Janeiro e Governo Federal, para uma ação firme, capaz realmente de derrotar o crime organizado, mas sem gerar cenas que hoje espantam o Brasil e o mundo. Infelizmente, temos visto essas cenas no Rio de Janeiro, um Estado tão especial para o nosso País, um Estado que merece todo o nosso respeito e solidariedade”, afirmou.

Sem citar diretamente Sargento Gonçalves, Jerry chamou a fala do parlamentar potiguar de simplista.

“Há discursos simplistas, absurdamente simplistas. Há quem venha aqui dizer que a culpa é do Supremo Tribunal Federal. Ora, o que tem a ver o Supremo Tribunal Federal com uma operação organizada pelo Governo do Rio de Janeiro?! Vale dizer que ele deveria ter convocado a Polícia Federal, que vem fazendo um trabalho muito importante de inteligência sobre o crime organizado e as facções criminosas no Rio. Então, é importante também que recuperemos esses fatos para que façamos uma reparação. Nós temos uma situação grave. Nós temos uma ação, sob todos os aspectos, repito, tecnicamente desastrada, humanamente desastrada, que não resolve o problema do combate ao crime organizado e às facções criminosas”, apontou.

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