Vítima de tentativa de feminicídio se pronuncia e diz que vive “momento delicado”
Vítima de tentativa de feminicídio cometida pelo ex-namorado, que a agrediu com mais de 60 socos no elevador de um condomínio em Ponta Negra, Zona Sul de Natal, Juliana Soares publicou uma mensagem nas redes sociais agradecendo pela solidariedade que recebeu desde que o caso de violência de gênero se tornou público. A jovem disse que o momento que vive “é muito delicado” e que precisa focar em sua recuperação.
“Agradeço toda a solidariedade e amor que todos estão me ofertando no momento. É um momento muito delicado e eu preciso focar na minha recuperação. Obrigada a todas as minhas amigas que estão sendo minha rede de apoio no momento”, escreveu.
Juliana Soares foi espancada com violência pelo ex-namorado, Igor Cabral, ex-jogador de basquete, na tarde do último sábado (26), após uma discussão no elevador do condomínio onde mora, no bairro de Ponta Negra.
A discussão, segundo a Polícia Civil, começou em uma área comum do condomínio, onde eles faziam um churrasco com amigos. Juliana relatou que Igor teve uma crise de ciúmes quando ela lhe mostrou mensagens que havia recebido em seu celular.
“Eles estavam fazendo churrasco, estavam em um momento de confraternização com os amigos. Momento em que ele pediu para ver o celular dela. Ela mostrou o celular, falou que as mensagens não tinham nada demais, palavras dela. Momento em que ele ficou enciumado e queria conversar com ela”, explicou a delegada Victória Lisboa.
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Agressão foi registrada pela câmera do elevador

Imagens do circuito interno registraram o momento em que ela leva dezenas de socos no rosto. A violência durou menos de um minuto, mas foi o suficiente para deixar a vítima com o rosto desfigurado. O segurança do condomínio, ao ver as imagens, acionou a Polícia Militar.
O agressor foi contido pelos moradores, até a chegada dos policiais, quando o elevador chegou ao térreo. A vítima, que foi levada para o Hospital Walfredo Gurgel, sofreu fraturas no rosto, deslocamento da mandíbula e perda parcial da visão. Ela será submetida a uma cirurgia ainda esta semana.
A delegada Victória Lisboa relatou que o agressor, ao prestar depoimento na Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam), alegou que tinha claustrofobia, mas ela rechaçou a justificativa.
“Ele justificou essa situação de claustrofobia, porque ele estava, querendo ou não, no elevador. Mas, assim, a meu ver, isso não é nenhuma justificativa para o que foi feito”, disse a delegada.
Depois de ser detido em flagrante, durante audiência de custódia, o agressor, que ficou conhecido como “bombado do elevador”, teve a prisão preventiva decretara. O inquérito policial deve ser concluído em um prazo de até um mês.
A Polícia Civil, após a conclusão das investigações, encaminhará o caso ao Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), que deverá oferecer a denúncia contra o agressor.
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Vítima disse que já tinha sofrido violência psicológica
Em entrevista à TV Tropical, Juliana contou que o ex-namorado demonstrava comportamento possessivo, já havia lhe empurrado e cometido muita violência psicológica, mas não imaginava que ele chegaria ao ponto de tentar matá-la. A briga teria começado após ele ver mensagens no celular da vítima.
“Eu pensei: vou ficar no elevador porque tem câmera, se ele fizer alguma coisa vai estar filmado. Mas não imaginei que ele faria isso, só pensei em sair dali viva”, contou.
“Agora é o momento que eu estou pensando em me reerguer e me recuperar para poder seguir minha vida bem longe dele”, contou, dizendo que se relacionava com ele há quase dois anos, que tinham um “convívio familiar” e que a agressão foi “uma grande decepção”.
“Eu já esperava que ele não fosse a pessoa mais calma do mundo, mas também não esperava que ele fosse capaz disso”, afirmou.
“Ele disse que ia me matar”, relatou escreveu a vítima em bilhete

Em um bilhete escrito à mão, no dia do crime, Juliana relatou aos policiais de plantão que Igor disse que iria matá-la.
No mesmo bilhete, ela contou ficou no elevador porque sabia que o agressor iria bater nela. “Eu sabia que ele ia me bater. Então, não saí do elevador. Ele começou a me bater e disse que ia me matar”, escreveu.
Igor incentivou Juliana a cometer suicídio

Em depoimento à Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher da Zona Leste, Oeste e Sul (DEAM-ZLOS), Juliana revelou que Igor Cabral, antes de cometer a tentativa de feminicídio, havia lhe estimulado a cometer suicídio.
“Ela informou que já havia sido agredida com um empurrão e que em outras ocasiões ela conversou com ele sobre a possibilidade dela se matar e ele incentivava ela a tomar essa atitude”, contou a delegada da DEAM-ZLOS Victoria Lisboa.
“Ela estava com o psicológico abalado e aí ele a estava incentivando [a tomar os remédios]. Isso, inclusive, será apurado melhor porque também pode configurar crime”, acrescentou a delegada.
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