RN tem alta média de decretos de desastres por parte dos municípios
Natal, RN 3 de jun 2026

RN tem alta média de decretos de desastres por parte dos municípios

11 de novembro de 2025
4min
RN tem alta média de decretos de desastres por parte dos municípios
No ano passado, Prefeitura de Natal decretou emergência por avanço do mar na praia de Ponta Negra - Foto: Magnus Nascimento/Prefeitura de Natal

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Em pouco mais de uma década, os municípios do Rio Grande do Norte apresentaram 4.534 decretos relacionados a desastres, o que coloca o estado como a segunda maior média do Brasil no período de 2013 a 2024. Os dados são do Panorama dos Desastres no Brasil – 2013 a 2024, produzido pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).

As decretações podem envolver diferentes causas, como seca e estiagem, excesso de chuvas, doenças infecciosas, incêndio florestal, ondas de calor e outros. Ao se considerar a média de decretos por município, a lista é liderada por estados com menor número de entes municipais, o que eleva a frequência relativa de registros por unidade administrativa local. O Rio Grande do Norte possui média de 27,1 decretos por município, atrás apenas do Mato Grosso do Sul, com 31,8. Do total de decretos do RN, 68,2% vieram apenas da seca e estiagem, e 4,8% relacionados às chuvas.

Prejuízo bilionário e mortes

Os prejuízos causados por desastres no Rio Grande do Norte entre 2013 e 2024 foram de R$ 9 bilhões, além de 11 pessoas mortas e milhares de desabrigadas e desalojadas. 

De acordo com a CNM, os desastres não são apenas eventos naturais; eles resultam da combinação de eventos adversos — naturais ou induzidos pela ação humana — com ecossistemas e populações vulneráveis. Esses eventos podem causar danos humanos, materiais e ambientais, com reflexos diretos no bem-estar social e na economia local.

Os desastres podem ocorrer de forma súbita, como no caso de inundações, enxurradas e movimentos de massa, caracterizados por seu início abrupto e pelos danos imediatos que provocam. Podem, ainda, ter evolução gradual, como a seca e a estiagem, cujos efeitos se acumulam ao longo do tempo, comprometendo o abastecimento de água e afetando diretamente a produção agrícola e a pecuária. 

Além das perdas humanas e sociais, os desastres também provocam impactos econômicos. A CNM destaca que, entre 2013 e 2024, os prejuízos econômicos registrados no Brasil ultrapassaram R$ 732,2 bilhões. No Rio Grande do Norte, esse número chega a R$ 9 bilhões. O valor considera os prejuízos públicos (R$ 4,19 milhões), privados (R$ 4,78 milhões) e habitacionais (R$ 66,1 mil).

Em geral, os setores mais afetados são a agricultura, pecuária, instalações públicas de saúde, abastecimento de água potável, habitação, obras de infraestrutura, sistema de transportes, comércios locais e indústria.

Mortos

A CNM destaca que, entre janeiro de 2013 e dezembro de 2024, os desastres impactaram mais de 473,2 milhões de pessoas em todo o território brasileiro. A Confederação ressalta que uma mesma pessoa pode ter sido afetada por diferentes eventos ao longo dos anos, o que explica o total de afetados no Rio Grande do Norte ser maior do que a população do estado.

De acordo com o levantamento, neste período, o RN teve 11 mortos por desastres, 4.633 desabrigados e 17.525 desalojados. O total de afetados ultrapassa 19 milhões de pessoas. A população do Rio Grande do Norte, de acordo com o Censo de 2022 do IBGE, é de 3.302.729 habitantes.

Diferença entre desabrigado e desalojado
Desabrigado: é aquela pessoa que foi obrigada a abandonar sua habitação de forma temporária ou definitiva em razão de evacuações preventivas, destruição ou avaria grave decorrentes de acidente ou desastre e que necessita de abrigo temporário provido pela Administração Pública municipal, estadual e/ou federal.Desalojado: aquela pessoa que foi obrigada a abandonar sua habitação de forma temporária ou definitiva em razão de evacuações preventivas, destruição ou avaria grave decorrentes de acidente ou desastre e que não necessariamente carece de abrigo temporário provido pela Administração Pública municipal, estadual e/ou federal.
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