RN tem alta média de decretos de desastres por parte dos municípios
Em pouco mais de uma década, os municípios do Rio Grande do Norte apresentaram 4.534 decretos relacionados a desastres, o que coloca o estado como a segunda maior média do Brasil no período de 2013 a 2024. Os dados são do Panorama dos Desastres no Brasil – 2013 a 2024, produzido pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).
As decretações podem envolver diferentes causas, como seca e estiagem, excesso de chuvas, doenças infecciosas, incêndio florestal, ondas de calor e outros. Ao se considerar a média de decretos por município, a lista é liderada por estados com menor número de entes municipais, o que eleva a frequência relativa de registros por unidade administrativa local. O Rio Grande do Norte possui média de 27,1 decretos por município, atrás apenas do Mato Grosso do Sul, com 31,8. Do total de decretos do RN, 68,2% vieram apenas da seca e estiagem, e 4,8% relacionados às chuvas.
Prejuízo bilionário e mortes
Os prejuízos causados por desastres no Rio Grande do Norte entre 2013 e 2024 foram de R$ 9 bilhões, além de 11 pessoas mortas e milhares de desabrigadas e desalojadas.
De acordo com a CNM, os desastres não são apenas eventos naturais; eles resultam da combinação de eventos adversos — naturais ou induzidos pela ação humana — com ecossistemas e populações vulneráveis. Esses eventos podem causar danos humanos, materiais e ambientais, com reflexos diretos no bem-estar social e na economia local.
Os desastres podem ocorrer de forma súbita, como no caso de inundações, enxurradas e movimentos de massa, caracterizados por seu início abrupto e pelos danos imediatos que provocam. Podem, ainda, ter evolução gradual, como a seca e a estiagem, cujos efeitos se acumulam ao longo do tempo, comprometendo o abastecimento de água e afetando diretamente a produção agrícola e a pecuária.
Além das perdas humanas e sociais, os desastres também provocam impactos econômicos. A CNM destaca que, entre 2013 e 2024, os prejuízos econômicos registrados no Brasil ultrapassaram R$ 732,2 bilhões. No Rio Grande do Norte, esse número chega a R$ 9 bilhões. O valor considera os prejuízos públicos (R$ 4,19 milhões), privados (R$ 4,78 milhões) e habitacionais (R$ 66,1 mil).
Em geral, os setores mais afetados são a agricultura, pecuária, instalações públicas de saúde, abastecimento de água potável, habitação, obras de infraestrutura, sistema de transportes, comércios locais e indústria.
Mortos
A CNM destaca que, entre janeiro de 2013 e dezembro de 2024, os desastres impactaram mais de 473,2 milhões de pessoas em todo o território brasileiro. A Confederação ressalta que uma mesma pessoa pode ter sido afetada por diferentes eventos ao longo dos anos, o que explica o total de afetados no Rio Grande do Norte ser maior do que a população do estado.
De acordo com o levantamento, neste período, o RN teve 11 mortos por desastres, 4.633 desabrigados e 17.525 desalojados. O total de afetados ultrapassa 19 milhões de pessoas. A população do Rio Grande do Norte, de acordo com o Censo de 2022 do IBGE, é de 3.302.729 habitantes.
| Diferença entre desabrigado e desalojado | |
| Desabrigado: é aquela pessoa que foi obrigada a abandonar sua habitação de forma temporária ou definitiva em razão de evacuações preventivas, destruição ou avaria grave decorrentes de acidente ou desastre e que necessita de abrigo temporário provido pela Administração Pública municipal, estadual e/ou federal. | Desalojado: aquela pessoa que foi obrigada a abandonar sua habitação de forma temporária ou definitiva em razão de evacuações preventivas, destruição ou avaria grave decorrentes de acidente ou desastre e que não necessariamente carece de abrigo temporário provido pela Administração Pública municipal, estadual e/ou federal. |