IBRAT lança pesquisa inédita sobre transmasculinidades no RN
Natal, RN 25 de jun 2026

IBRAT lança pesquisa inédita sobre transmasculinidades no RN

12 de novembro de 2025
3min
IBRAT lança pesquisa inédita sobre transmasculinidades no RN

Ajude o Portal Saiba Mais a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

O Instituto Brasileiro de Transmasculinidades do Rio Grande do Norte (IBRAT-RN) lançou uma pesquisa inédita para traçar o perfil sociodemográfico de pessoas transmasculinas residentes no estado. A iniciativa, disponível de forma anônima no site oficial da organização , busca reunir dados essenciais sobre as condições sociais, econômicas, educacionais e de saúde dessa população.

O mapeamento, que ficará aberto até fevereiro de 2026, tem como objetivo preencher uma lacuna histórica: a ausência de informações oficiais sobre a realidade vivida por homens trans e pessoas transmasculinas no Rio Grande do Norte. Segundo o instituto, os resultados serão utilizados para embasar políticas públicas e fortalecer a luta por direitos básicos como saúde, moradia e alimentação. Acesse o formulário aqui.

“A confiança é fundamental. Quando a pesquisa é feita por pessoas trans, cria-se um ambiente seguro para que possamos falar sobre nossos corpos, nossas disforias e experiências com sinceridade. Sabemos que quem vai ler entende na pele o que vivemos”, explica Bruno Aires, coordenador-geral do IBRAT-RN.

Bruno destaca que a escuta e o cuidado são pilares do projeto, que está sendo conduzido por pesquisadores transmasculines. O questionário aborda temas como nome social, escolaridade, emprego, parentalidade, insegurança alimentar, acesso à saúde e experiências de transfobia, além de questões específicas sobre acompanhamento hormonal e psicológico.

Uma ferramenta de luta e pertencimento

O levantamento é também um gesto político e afetivo. Para Bruno, que atua no instituto desde sua fundação no RN, o mapeamento é uma forma de mostrar que as pessoas transmasculinas “existem, resistem e não estão sozinhas”.

“Passei muito tempo da minha vida achando que era a única pessoa trans no estado. Mas quando entrei no IBRAT e comecei a encontrar outras pessoas, percebi que somos uma grande família. Essa pesquisa quer passar esse sentimento para quem ainda se sente só. Nós estamos lutando, juntos”, afirma.

A pesquisa, explica Bruno, é também um instrumento de autoridade diante do poder público. Com os resultados, o instituto pretende levar dados concretos a espaços de decisão política, como secretarias de Estado, câmaras municipais e o Ministério da Saúde.

“Sempre lutamos pelos nossos direitos, mas muitas vezes nos dizem que não existimos em número suficiente, que somos casos isolados. Agora, teremos dados. E números não se contestam. Vamos poder cobrar com provas nas mãos”, reforça ele.

O IBRAT-RN tem atuação em diversas regiões do estado, como Mossoró, Pau dos Ferros, Natal, Parnamirim e Tibau, conectando pessoas transmasculinas de diferentes realidades. O grupo busca ampliar a divulgação do mapeamento especialmente nos ambulatórios de saúde trans do Rio Grande do Norte, como o Ambulatório Trans UFRN e o Ambulatório Estadual Murilo Gonçalves.

“Nós já alcançamos os ambulatórios de Mossoró e Pau dos Ferros, mas queremos chegar com mais força em Natal. Cada membro tem ajudado a divulgar localmente, mostrando que mesmo quem está longe da capital também tem voz e força”, explica Bruno.

Fundado em 2013, o Instituto Brasileiro de Transmasculinidades (IBRAT) é uma rede nacional que atua na formação política, produção de pesquisas e incidência em políticas públicas voltadas para pessoas transmasculinas. Sua estrutura conta com uma Coordenação Nacional e Coordenações Estaduais, presentes em diversos estados brasileiros, o que permite ao instituto atender demandas locais e, ao mesmo tempo, discutir mudanças conjuntas e estruturais que impactam a vida da população trans em todo o país.

O núcleo potiguar, criado recentemente, tem se destacado por iniciativas voltadas à visibilidade, à escuta e à construção de dados locais. O Mapeamento do Perfil Sociodemográfico de Pessoas Transmasculinas do RN é o primeiro estudo desse tipo no estado e um passo importante na luta contra a invisibilização.

“Nossa comunidade enfrenta barreiras diárias para acessar saúde, alimentação e moradia. Essa pesquisa nasce do desejo de mostrar que existimos e que precisamos ser considerados nas políticas públicas. Se são dados que o Estado quer, são dados que ele vai ter”, finaliza Bruno.

SAIBA+
Natal inicia terapia hormonal para transmasculinidades

As mais quentes do dia

Apoiar Saiba Mais

Pra quem deseja ajudar a fortalecer o debate público

QR Code

Ajude-nos a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Este site utiliza cookies e solicita seus dados pessoais para melhorar sua experiência de navegação.