Carla Dickson falha ao tentar barrar Erika Hilton na presidência da Comissão da Mulher
Natal, RN 12 de jun 2026

Carla Dickson falha ao tentar barrar Erika Hilton na presidência da Comissão da Mulher

12 de março de 2026
3min
Carla Dickson falha ao tentar barrar Erika Hilton na presidência da Comissão da Mulher
Deputada psolista será a primeira mulher trans a assumir o comando do colegiado na Câmara dos Deputados - Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Ajude o Portal Saiba Mais a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

A oposição na Câmara dos Deputados sofreu uma derrota ao tentar barrar a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), uma mulher trans, como presidenta da Comissão dos Direitos da Mulher. Única parlamentar potiguar a integrar a comissão, Carla Dickson (União) protestou, disse que votaria contra, afirmou que Erika “se diz mulher” e que ela não a representa, mas viu sua posição ser superada. A deputada psolista será a primeira mulher trans a assumir o comando do colegiado e rebateu as posições contrárias à sua eleição: “nós conseguimos extrapolar a barreira do ódio”.

A votação ocorreu na tarde desta quarta-feira (11). Hilton recebeu 11 votos, e houve 10 votos em branco. O escrutínio ocorreu de maneira secreta e Carla Dickson não fez pronunciamento durante a reunião, mas reclamou da indicação de Erika nos Stories do Instagram. 

“O PSOL é um partido que tem muitas feministas, que luta muito pelos direitos humanos, os direitos da mulher e contra o patriarcado, e vai entregar a presidência da Comissão da Mulher para um [sic] trans, uma pessoa que se diz mulher, não biológica”, disse, se referindo à deputada no masculino ao falar “um trans”.

Após a votação, se locomovendo dentro do carro, Dickson voltou a se referir à Erika no masculino e disse que a deputada seria “um representante do patriarcado”.

“Uma mulher não. Quer dizer, ela se diz mulher, mas não é uma mulher biológica. Parabéns, feministas”, ironizou.

Ainda durante a reunião de instalação da Comissão dos Direitos da Mulher, Erika Hilton discursou enquanto presidenta e rechaçou a violência contra a presença de uma pessoa trans à frente do colegiado.

“Nós conseguimos extrapolar a barreira do ódio, a barreira do preconceito, a barreira da discriminação, a barreira da invisibilidade e da negação da própria identidade. E nós ao sentarmos nessa cadeira não faremos uma gestão sem se preocupar com a pluralidade da Câmara dos Deputados, com a importância da pauta das mulheres e com aquilo que é extremamente fundamental para fazer um enfrentamento à essa violência patriarcal misógina que tem acometido meninas e mulheres”, afirmou a presidenta eleita.

“Eu espero que nós, com a pluralidade dos partidos que aqui compõem esta comissão, não nos preocupemos e não demos importância à condição de gênero da presidenta da Comissão da Mulher. Mas que o que valha aqui, de fato, sejam as problemáticas que nós precisamos enfrentar no nosso país, seja enfrentar o discurso de ódio, o crescimento desta onda incel e red pill”, continuou.

A comissão também elegeu Laura Carneiro (PSD-RJ) para 1ª vice-presidenta; Delegada Adriana Accorsi (PT-GO) para 2ª vice-presidenta; e Socorro Neri (PP-AC) para 3ª vice-presidenta. 

A vitória de Erika só ocorreu porque houve um segundo escrutínio. Na primeira tentativa de eleição, a chapa foi derrotada por não ter recebido a maioria absoluta dos votos (no universo de um quórum com 22 pessoas). A deputada recebeu 10 votos e 12 deputados (alguns membros são homens) votaram em branco. Na segunda votação, com quórum de 21 pessoas, ocorreu a vitória.

As mais quentes do dia

Apoiar Saiba Mais

Pra quem deseja ajudar a fortalecer o debate público

QR Code

Ajude-nos a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Este site utiliza cookies e solicita seus dados pessoais para melhorar sua experiência de navegação.