Jotó faz da moldura uma obra de arte no Centro de Natal
Natal, RN 27 de jun 2026

Jotó faz da moldura uma obra de arte no Centro de Natal

27 de junho de 2026
5min
Jotó faz da moldura uma obra de arte no Centro de Natal
Artista de Pernambuco mora em Natal há mais de 50 anos e mantém ateliê no bairro de Cidade Alta, onde também faz pinturas com base na Arte naïf - Foto: Valcidney Soares

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Ângelo Desmoulins Tavares, o Jotó, já nem sabe ao certo o tanto de molduras e pinturas que fez ao longo da vida (“eu faço muita, muita, muita moldura”). Aos 75 anos, o artista plástico pernambucano que adotou Natal como lar passa seus dias em seu ateliê na Cidade Alta, mesmo local onde vive com sua cadelinha Nega. O espaço, rodeado de todo tipo de objeto, é onde Jotó produz e recebe amigos e clientes que o procuram em busca do seu traço artesanal para as molduras, que fizeram dele referência para a arte personalizada. 

Nomes como Dorian Gray e Newton Navarro tinham obras de Jotó. “De rapazinho”, conta, ele já fazia molduras, mas foi aperfeiçoando o traço com o tempo. A reportagem visitou o artista na quarta-feira (24), um dia depois de Jotó ganhar destaque nas redes sociais com uma publicação da arquiteta e urbanista Wire Lima, que descreveu o ateliê do artista plástico como um verdadeiro “tesouro da cidade”. A publicação tinha quase oito mil curtidas até esta sexta (26). 

Ao chegar no endereço localizado na Rua Vigário Bartolomeu, 563, Jotó conversava do outro lado da calçada com o sociólogo e cliente Renan Matheus, que se disse apaixonado pelo trabalho do artista, a quem já compra quadros e molduras há mais de 10 anos. Torcedor do América, Renan também aproveita para comprar novas obras do clube a cada vez que o time é campeão. 

“Eu acho que o que chama mais atenção é o tipo de traço que ele tem de moldura de quadro. Ele faz em madeira maciça, ele tem uns tipos de madeira que ele seleciona que é muito bacana”, descreve.

Uma das molduras preferidas do artista (veja mais abaixo), dispostas em seu ateliê, carrega também pinturas próprias. Jotó é adepto da Arte naïf, termo utilizado como sinônimo de arte ingênua, original e/ou instintiva. Jotó nunca estudou arte formalmente; tudo o que aprendeu veio de maneira autodidata.  

“Aquela eu fico mais feliz porque realmente é uma moldura que eu, além de fazer a moldura, ainda faço o desenho dela”, conta o moldurista.

Jotó pinta e também faz molduras em seu ateliê na Cidade Alta - Foto: Valcidney Soares

Desmoulins já fez diferentes exposições em Natal, individuais ou coletivas. Uma das últimas, o “Em torno do Beco”, foi realizada em 2021 na Galeria da Funcarte. Participaram mais 13 pintores além de Jotó: Alexandre Ribeiro, Verônica Maria, Tony França, Fábio Eduardo, Arthuri, Assis Marinho, Nilson Araújo, Francisco Eduardo, Dilson Oliveira, Valderedo Nunes, Rogério Silva e Girotto.

As dores causadas por problemas na coluna, além das mais de sete décadas de vida, fizeram o artista plástico diminuir um pouco o ritmo de trabalho. Ainda assim, não para de pintar ou produzir novas molduras. 

O artista também faz molduras convencionais, daquelas mais fáceis de encontrar pelas lojas, mas gosta mesmo é quando pode criar à sua maneira, fazendo traços diferentes com o estilete. Para ele, a criação é uma força de ampliar suas dimensões artísticas.

“Não é muito bom só fazer uma moldura dessa daqui [convencional]. Ela não me atrai, mas desde quando eu já boto alguma coisa nela, então eu já sinto algo mais”, diz.

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