CIDADANIA

Violência contra travestis e transexuais no RN diminuiu 16% em 2019

O Brasil permanece sendo o país que mais mata travestis e transexuais no mundo inteiro. O dado é produto do novo dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais – ANTRA, publicado nesta quarta-feira (29), Dia Nacional da Visibilidade Trans.

De acordo com o levantamento, 124 pessoas trans foram assassinadas no Brasil em 2019, o segundo lugar do ranking mundial é do México, que registrou cerca de metade do número de homicídios ocorridos em terras brasileiras.

A maioria das mortes reportadas no dossiê foi registrada na região Nordeste, onde 45 pessoas trans foram mortas. No país inteiro, São Paulo foi o estado que mais matou a população trans no último ano, com 21 assassinatos. O Ceará aparece em seguida com 11.

 

No Rio Grande do Norte essa violência apresentou uma queda de 16% em relação a 2018, o dossiê aponta que 6 mortes ocorreram no estado no referido ano. Em 2019 foram reportados 5 assassinatos. Já em 2017, apenas uma morte de pessoa trans foi registrada no RN.

Outro dado contabilizado pelo levantamento revela a gravidade da violência: 80% dos assassinatos apresentaram requintes de crueldade, ou seja, a maioria das mortes ocorreram após violência excessiva. Do total, apenas 8% dos casos tiveram suspeitos identificados.

Bruna Benevides, secretária de articulação política da Antra e autora do dossiê, ressalta a importância do levantamento, que está em sua terceira edição. “A LGBTfobia, especialmente a transfobia, é estrutural e estruturante de nossa sociedade. Por isso, esse trabalho vem dizer à população em geral que a população trans é extremamente vulnerabilizada e marginalizada, que são necessárias ações focais e emergenciais para frear essa violência para garantir que possamos nos desenvolver, ser inseridas na sociedade de forma plena, com respeito à nossa autonomia e à nossa identidade de gênero em sua integralidade”, afirma a mulher trans que também é 2° sargento da Marinha do Brasil.

O número de assassinatos em 2019 foi menor em relação aos últimos dois anos. Em 2017, foram 179 assassinatos e, em 2018, 163. Entretanto, apesar da queda dos números, não há diminuição efetiva da violência. A ANTRA revelou que já em 2020, apenas de 1° a 25 de janeiro, houve um aumento de 180% no número de homicídios em relação ao ano anterior. 16 mortes foram contabilizadas em grande parte do primeiro mês do ano.

Uma dessas vidas perdidas para a transfobia foi a da potiguar Bruna Laiz, assassinada na Zona Norte da capital potiguar, de acordo com a denúncia feita à ANTRA. Na queixa, havia um relato de que Bruna, moradora do município de Extremoz, estava prestes a dar entrada na retificação de seu nome de registro.

Para Benevides, grande parte de toda essa violência se justifica pelo discurso LGBTfóbico fomentado a cada dia no país. “Hoje em dia a sociedade reage muito mal aos avanços e conquistas da população trans e isso é motivado por uma agenda ‘antitrans e antigênero’ presente principalmente na esfera governamental”, disse. O documento da Antra registra que travestis foram assassinadas aos gritos de “Bolsonaro”.

O País definitivamente não é um lugar seguro para essa população, conforme dados divulgados pela organização Gênero e Número, no ano passado também foi registrado um aumento de 800% das notificações de agressões contra a população trans, chegando ao número de 11 pessoas agredidas diariamente no Brasil.

O dossiê ainda indica que uma pessoa trans tem mais chances de ser assassinada entre 15 e 45 anos. Mas, a cada ano, a idade das vítimas é ainda menor.

 

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Jornalista potiguar em formação pela UFRN, repórter e assessora de comunicação.