CIDADANIA

Jovem trans de 18 anos é morta em praça de Natal. Ex-namorado é preso e confessou crime premeditado

Estefani Rodrigues Soares, de 18 anos, foi morta a facadas no último sábado (14) em uma praça no bairro de Lagoa Nova, em Natal. O assassinato da jovem trans foi captado por câmeras de vigilância e horas depois a Polícia Civil prendeu um rapaz de 28 anos que confessou o crime ao delegado Adson Kleper. O homem deve ser indiciado por feminicídio, pois confessou que teve um relacionamento com a vítima e que havia premeditado o crime. A faca que matou Estefani foi encontrada na praça da Rua Desembargador Carlos Augusto, zona Sul de Natal.

O homem detido estava ferido com um corte na mão e foi conduzido, após atendimento médico, para a plantão da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, na Zona Norte de Natal. No depoimento, disse ao delegado que teve uma briga com a vítima no início do ano e teria sido esfaqueado. Ao delegado, disse que chegou a denunciar a agressão, mas que não viu o andamento da investigação, por isso resolveu matar a ex-namorada.

O Brasil é o país com maior taxa mundial de mortes da população trans. Em 2021, pelo menos 140 travestis e transexuais foram assassinados no Brasil. Os dados foram divulgados em janeiro deste ano pela Associação Nacional de Travestis e Transsexuais (Antra). O número representa uma redução de 20% em relação aos assassinatos de 2020, mas o Brasil continua no topo do triste ranking.

O estudo é feito desde 2017, e desde então houve aumento de 32,7% nas tentativas de homicídio. Foram 79 casos em 2021 e 77 em 2020. Em números absolutos, São Paulo foi o Estado que mais matou a população trans em 2021. Foram 25 assassinatos. Depois vem Bahia (13), Rio de Janeiro (12), Ceará (11), Pernambuco (11), Minas Gerais (9), Goiás (7), Paraná (7), Pará (6), Amazonas (4), Maranhão (4), Rio Grande do Sul (4), Espirito Santo (3), Mato Grosso do Sul (3), Mato Grosso (3), Alagoas (2), Amapá (2), Paraíba (2), Piauí (2), Distrito Federal (2), Acre (1), Rio Grande do Norte (1), Rondônia (1) e Sergipe (1).

A Antra diz que há falhas na investigação desses crimes e faltam informações básicas. Dos 140 assassinatos de 2021, por exemplo, não se sabe a idade da pessoa morta em 40 deles. Dos 100 casos restantes, 5% vítimas tinham de 13 a 17 anos; 53% tinham de 18 a 29 anos; 28%, de 30 a 39 anos; 10%, de 40 e 49 anos; 3%, de 50 e 59 anos; e 1% de 60 a 69 anos.

Oito em cada 10 pessoas trans no RN já sofreram violência

A morte de Estefani Rodrigues Soares engrossa os dados de violência contra a população trans em Natal. Pesquisa de 2021 feita pelo Observatório LGBT+, do Centro de Cidadania LGBT+, vinculado à Prefeitura de Natal, mostra que oito em cada 10 pessoas trans e travestis da capital do RN foram agredidas em algum momento.

A pesquisa foi divulgada em dezembro de 2021 e foi feita com 203 pessoas transexuais e travestis que vivem em Natal. As cinco principais violências sofridas são a psicológica (18,4%); discriminação (16,5%); verbal (16,5%); violência sexual (13,1%); física (12,2%). Outro dados que chama a atenção: 90,9% não procuraram às autoridades para denunciar as agressões.

 

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