CIDADANIA

Idema quer criar 1ª Unidade de Conservação no RN para proteção de aves silvestres presentes na Caatinga

Foto: Mauro Pichorim

A proposta do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) é de fazer de uma área de mais de 12 mil hectares (12.356), localizada nos municípios de Cerro Corá, São Tomé e Currais Novos, no interior do Rio Grande do Norte, uma nova Unidade de Conservação Estadual (UC), denominada Refúgio da Vida Silvestre.

O Rio Grande do Norte já possui algumas áreas de conservação ambiental com a presença de Caatinga, como o Monumento Natural Cavernas de Martins (Mona); o Parque Ecológico Pico do Cabugy, localizado no município de Angicos (divisa com os municípios de Lajes e Fernando Pedroza); e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Estadual (RDS) Ponta do Tubarão, nos municípios de Macau e Guamaré. No entanto, essa será a primeira Unidade de Conservação que também abrangerá a proteção de aves silvestres.

A região abrange parte das cabeceiras da Bacia Hidrográfica do Rio Potengi, o principal do RN. A sugestão foi publicada na Portaria Nº 447/2022 da última quarta (23), no Diário Oficial do Estado (DOE). O espaço é apontado pelo Ministério do Meio Ambiente como uma das Áreas Prioritárias para Conservação da Caatinga, o bioma de maior extensão no território potiguar, por causa da elevada diversidade biológica presente na região.

Área localizada nos municípios de Cerro Corá, São Tomé e Currais Novos, no interior do Rio Grande do Norte para criação de uma nova Unidade de Conservação Estadual (UC) denominada Refúgio da Vida Silvestre I Ilustração: Idema
Área localizada nos municípios de Cerro Corá, São Tomé e Currais Novos, no interior do Rio Grande do Norte para criação de uma nova Unidade de Conservação Estadual (UC) denominada Refúgio da Vida Silvestre I Ilustração: Idema

Também consideramos na escolha da área a importância da preservação dos recursos hídricos e o combate à desertificação na região semiárida como mecanismo de mitigação dos efeitos do aquecimento global e garantia da segurança hídrica”, comentou o diretor-geral do Idema, Leon Aguiar, que lembrou que a Caatinga é o bioma menos protegido do Rio Grande do Norte, o que aumenta a importância de alinhar as políticas públicas para conservação da sua biodiversidade com os desafios das mudanças climáticas e da sustentabilidade.

Segundo o coordenador do Núcleo de Unidades de Conservação (NUC) do Idema, Ilton Soares, esta é a primeira Unidade de Conservação desta categoria no estado.

Esta categoria permite a presença de comunidades humanas, uma oportunidade para atividades sustentáveis, como ecoturismo e manejo do solo”, explicou.

A região representa a porção mais preservada de Caatinga do Seridó, com cerca de 230 espécies de aves, sendo várias exclusivas do bioma e outras ameaçadas de extinção ou raras, detalhou o professor do Departamento de Botânica e Zoologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Mauro Pichorim.

Além disso, a área é predominantemente composta por encostas de serras, ambiente que mantém a melhor representatividade da biodiversidade local quando comparado aos platôs mais altos e às áreas baixas de planície. Até o momento, essa região é o único local conhecido de ocorrência de arara-maracanã (Primolius maracana) e papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) no RN”, esclareceu o professor.

Ao todo, o RN possui, atualmente, 253 mil hectares em Unidades de Conservação Estaduais, o que corresponde a 2,41% de seu território. Estas unidades protegem 2,14% da área continental e 14,53% da área marinha do estado.

Próximos passos…

Após a publicação da portaria, o Idema dará continuidade ao processo de criação do Refúgio da Vida Silvestre com a publicação dos estudos técnicos e encaminhamento da proposta para ampla discussão da sociedade e órgãos públicos, através de consulta e audiência públicas.

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Foto: Jorge Dantas
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