Curta potiguar, Sideral é único filme de ficção brasileiro na pré-lista do Oscar 2023; relação final será divulgada dia 24 de janeiro
Natal, RN 13 de abr 2024

Curta potiguar, Sideral é único filme de ficção brasileiro na pré-lista do Oscar 2023; relação final será divulgada dia 24 de janeiro

21 de dezembro de 2022
8min
Curta potiguar, Sideral é único filme de ficção brasileiro na pré-lista do Oscar 2023; relação final será divulgada dia 24 de janeiro

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A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Holywood divulgou nesta quarta-feira (20) os nomes dos longas e curtas-metragens indicados à pré-lista do Oscar 2023. Nessa relação, o curta Sideral, do diretor Carlos Segundo, aparece como único filme de ficção brasileiro entre os concorrentes. Outra obra cinematográfica é O Território, documentário com coprodução brasileira sobre o povo amazônico Uru-Eu-Wau-Wau, que concorre na categoria documentário longa-metragem. 

A lista final, com os cinco indicados em cada categoria, será divulgada em 24 de janeiro. A cerimônia está confirmada para 12 de março.

O elenco é estrelado pelos atores potiguares Enio Cavalcante, Robson Medeiros, Priscilla Vilela, Fernanda Cunha, Mateus Cardoso, Matheus Brito e George Holanda

Havia uma expectativa em relação à presença do longa mineiro Marte Um na pré-lista, mas o filme não foi selecionado.

O filme potiguar foi selecionado pela Academia em meio a 200 outras obras cinematográficas. Na pré-lista são 14 curtas, que agora concorrem a 5 vagas.

Sideral já rodou por 110 festivais e conquistou 66 prêmios

Cena de Sideral com atriz Priscila Vilhena / Foto: Miguel Sampaio

Rodado nas cidades de Natal, Parnamirim e Ceará-mirim, o curta-metragem é uma ficção científica, ou como disse o diretor em entrevista ao canal Curta!, “um drama tragicômico que narra o lançamento do primeiro foguete tripulado brasileiro na Base Aérea de Natal no Rio Grande do Norte”.

A obra fez história como o primeiro filme potiguar a concorrer à Palma de Ouro em Cannes, um dos festivais de cinema mais prestigiados do mundo.

Em pouco mais de um ano após o lançamento, o curta já rodou por 110 festivais nacionais e internacionais e conquistou 66 prêmios, o último deles, anunciado ontem, foi o 27º Prêmio Guarani, um dos mais importantes do cinema brasileiro.

Um dos prêmios internacionais veio no 44° Festival Internacional de Curta-Metragem de Clermont-Ferrand, na França, a mais renomada competição de curtas do mundo.

Produção Brasil França

Sideral é uma coprodução internacional entre as empresas brasileiras Casa da Praia Filmes e O Sopro do Tempo e a francesa Les Valseurs, repetindo a parceria de outro trabalho dirigido por Carlos Segundo, o longa Fendas, lançado em 2019 no FID Marseille. Parte dos recursos que custearam a produção de Sideral veio da lei Aldir Blanc de incentivo à cultura.

- Fiquei Atordoado, mas no bom sentido (risos). Estava ansioso e agora pensando nisso tudo que está acontecendo. Estou muito feliz, muito orgulhoso da gente. Não só de quem estava no filme, mas de nós potiguares, sabe ? É um desejo que a gente tinha e tenta cumprir a nossa parte para que ele se torne tudo isso que está acontecendo”.

Pedro Fiúza, um dos produtores da Casa de Praia Filmes.

Ficha técnica:

Produção: Damien MegherbiJustin PechbertyMariana HardiPedro Fiuza
Fotografia: Carlos SegundoJulio Schwantz
Roteiro: Carlos Segundo
Direção de Arte: Ana Paola Ottoni
Montagem: Carlos SegundoJérôme Bréau
Co-produção: Les Valseurs
Vozes: Ednaldo MartinsHenrique Fontes
Produtor: Casa da Praia FilmesO sopro do tempo

Pedro Fiúza: “O cinema fora do centro assusta”

Pedro Fiúza (centro, de camisa preta) sem set de filmagem do curta Sideral / foto: divulgação

O produtor de audiovisual Pedro Fiúza acredita que a presença de Sideral na pré-lista de Oscar vai mudar o patamar sobre o conhecimento do público sobre o premiado filme potiguar. Orgulhoso do cinema produzido no Rio Grande do Norte, já entende como "histórica" a presença no filme na Shortlist. Nesta entrevista, Fiúza fala sobre a emoção e os efeitos de Sideral no setor:

Agência Saiba Mais: Pedro, em primeiro lugar, parabéns por mais essa conquista histórica. O que passa na cabeça de vocês agora, com o filme na pré-lista do Oscar ?

 Pedro Fiúza: Então... fiquei atordoado, mas no bom sentido (risos). Estava ansioso e agora pensando nisso tudo que está acontecendo. Estou muito feliz, muito orgulhoso da gente. Não só de quem estava no filme, mas de nós potiguares, sabe ? É um desejo que a gente tinha... e tentar cumprir a nossa parte para que esse desejo se torne tudo isso que está acontecendo.

É difícil um artista, quem trabalha com cultura, saber o que vai acontecer com a obra quando ela está sendo produzida. Vocês imaginavam que Sideral fosse chegar aonde já chegou e aonde ainda pode chegar ?

Até certo ponto a gente tem controle e estratégia. Pensamos lá atrás: vamos fazer um filme de 15 minutos porque, com 15 minutos, ele pode entrar em Canne. Acho que o perfil narrativo também tinha relação com o que Canne pedia. Mas o filme passou a circular em muitos festivais e quando começou a circular em festivais americanos aí a gente viu que estava reverberando bem. É assim: a gente tem como mirar, mas não dá pra saber onde o tiro vai atingir. E na hora que atinge o alvo... a gente fica muito feliz. Então, até esse momento, é muito cálculo...

E esse reconhecimento internacional também acaba estimulando outras pessoas, especialmente no Rio Grande do Norte, a não perder a fé no audiovisual também, certo ? Como tem sido esse retorno ?

Trabalhar fora do eixo é militar. No sentido subjetivo e objetivo também. São cinco dias ou mais por semana em que ficamos na parte criativa, pensando, tentando. Hoje mesmo estava buscando emenda parlamentar, em contato com a prefeitura, e isso deságua no criativo.

A gente procura escrever histórias que tragam esses valores. E aí dá murro em ponta de faca, vai atrás de investimentos. E a gente sabe que Sideral não é mais nosso. A UFRN tem um professor, o Carlos Segundo, que é finalista de Canne e está na pré-lista do Oscar. Entende ?

Já são 110 festivais só no 1º ano. O normal é que isso aconteça em 2 anos. E nesses festivais foram 66 prêmios, o último soubemos ontem, o prêmio Guarani, Isso tudo significa que a gente pode. E estimula sim porque as pessoas vão ver que tem um filme do Rio Grande do Norte que entrou nessa disputa, que é uma pré-lista, mas já é histórica. Sideral agora vai estar nas discussões da mesa de bar.

E não estava ?  

Eu achei que com Canne isso fosse acontecer, mas não aconteceu. Hoje, com a pré-lista do Oscar, saiu matéria na Veja, na Folha de S.Paulo... mas quando fomos para Canne isso não aconteceu. E fiquei pensando nisso, nos motivos... o cinema fora do centro assusta. Por isso eu também queria que Marte 1 tivesse entrado, saca? É um filme de Belo Horizonte, rodado com verba de edital de política afirmativa.

Sideral agora vai estar na mesa de bar. Quando falarem que a Argentina foi campeã da Copa do Mundo, vai ter alguém perguntando: "mas você viu que tem um filme do Rio Grande do Norte na pré-lista do Oscar?"

A gente quer transformar o mundo mesmo, nós acreditamos nisso. Somos muito apaixonados por tudo isso. Os filmes vão virar e causar essa transformação.

A partir de 2023, com a lei Paulo Gustavo, só o audiovisual potiguar terá mais de R$ 30 milhões. Nesse momento, com Sideral voando, e com esse dinheiro bem gerido, qual o potencial do setor ?

O orçamento anual no Estado para a cultura é de R$ 30 milhões e R$ 25 milhões é só para pagar a folha de pessoal. Não sobra quase nada. Então dá para apostar em todos os setores, formação, produção de curtas e longas. E diferente de outros estados isso vai ser inédito aqui no Rio Grande do Norte. E esse ineditismo vai nos colocar em outro patamar. A gente escreve longas, elabora, inscreve, mas nunca ganhamos 1 milhão para produzir o longa que a gente inscreveu. É como um excelente estudante de ensino médio que tem tudo para fazer uma boa faculdade, mas não tem universidade para ele. E agora vai ter. Vai ser um novo patamar, além de empregar muita gente. E essa trajetória ao longo desses anos faz com que a gente entre com o pé mais maduro no universo do longa-metragem.

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