Livro do marxista Natanael Sarmento é lançado em Natal nesta sexta, 17
Natal, RN 22 de mai 2024

Livro do marxista Natanael Sarmento é lançado em Natal nesta sexta, 17

14 de maio de 2024
7min
Livro do marxista Natanael Sarmento é lançado em Natal nesta sexta, 17
A obra chega agora a Natal, cidade onde o autor nasceu. Foto: cedida

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As Ideias Políticas na História: das cavernas às redes sociais é o nome do novo livro de Natanael Sarmento, professor, escritor, pesquisador e dirigente do partido Unidade Popular pelo Socialismo. A obra, lançada pelas Edições Manoel Lisboa, já foi lançada em Recife (PE) e chega agora a Natal, cidade onde o autor nasceu, com lançamento nesta sexta-feira (17), às 18h, no Auditório do Museu do Minério do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), campus central.

O título já indica o fundamento teórico do autor, que é marxista, pois pressupõe que a vida como ela é que desenvolve as nossas ideias políticas. Assim, as ideias que surgem não estão isoladas da história: elas são criadas no ambiente social e refletem a sociedade na qual nasceram, explica o autor à Agência Saiba Mais.

“Eu acredito que não existe uma história das ideias políticas, mas sim as ideias políticas na história. E há uma diferença fundamental: se você parte de uma perspectiva materialista ou idealista. Se você é materialista, parte da matéria para explicar a ideia: é o ser social, homens e mulheres, produzindo socialmente e vivendo em sociedade que produzem os bens materiais e as formas de consciência, como valores, filosofia, religiões, leis, etc.”, explica.

Assim, surge a ideia do título da obra.

“Não existe uma história das ideias. Na verdade, na história humana e social, no contexto dos vários modos de produção, homens e mulheres vão criando as ideias políticas, que vão surgindo na história”, ressalta o escritor.

De acordo com Sarmento, a ideia do livro surge após décadas enquanto professor e pesquisador universitário. Durante esse período, ele sentia falta de livros que tivessem alguma perspectiva marxista, ou seja, embasados em Karl Marx, sobre as ideias políticas na história.

“Os livros que eram utilizados e estavam nas bibliografias que a gente tinha que repassar para os alunos tinham a visão liberal, conservadora”, relata Sarmento, que conta sempre ter lecionado com uma visão crítica sobre essas obras.

Das cavernas às redes sociais

O livro do autor entende que homens e mulheres, em sociedade, se organizam, desenvolvem forças produtivas e as formas de consciência. Nesse sentido, em uma perspectiva de totalidade, Sarmento parte desde os tempos da “infância humana”, como ele chama, ou seja, desde que o ser humano surgiu.

“O Marxismo é uma ideia de totalidade. Ele vai desde a base material de produção até a produção das subjetividades. Não vê a história de forma fragmentada, mas como uma totalidade. Nesse sentido, a gente traz, no livro, desde as cavernas”, explica.

A ideia é também desconstruir a crença de que sempre existiram e irão existir pobres e ricos – uma ideologia que, segundo o autor, desmobiliza a luta por melhores condições para os trabalhadores.

“Vou falar como era o modo de produção das cavernas, que era o comunal primitivo, ou seja, não existia rico nem pobre. Então, aqui, já desminto uma ideologia falaciosa a qual diz que na história das ideias políticas – que são burguesas – sempre existiram pobres e sempre existirão”, argumenta. “Na infância humana, não existia nem pobre, nem rico. A produção era comum, não existia propriedade”.

De acordo com Sarmento, a propriedade privada não é algo natural, mas fruto da história humana. Ela surge e desintegra o modo de produção comunal. A partir disso, “surgem as classes, e para defender os interesses da classe, surge o aparato repressivo, que é o Estado. Então propriedade privada, classes sociais e Estado são processos que se tornam historicamente no mesmo desenvolvimento da história humana”, conta.

“A propriedade é produto do desenvolvimento da história humana. Quando você passa a ter a propriedade, tem a divisão social de quem é proprietário – rico – e de quem não é – pobre –, mas quando não tem essa ideia de propriedade privada, não existe pobre nem rico”.

O ensaio sistematiza os capítulos em ordem cronológica dos fatos históricos e dos autores analisados, trazendo breve biografia dos principais autores, no contexto histórico, até chegar aos dias atuais, debatendo as chamadas redes digitais.

O livro não se apega ao rigor da escrita acadêmica, e visa defender a atualidade do pensamento dos escritores Karl Marx e Friedrich Engels. 

“A burguesia hoje diz que o Marxismo é uma teoria do século 19, uma teoria superada, e nós da era pós-moderna, da grande produção virtual, e que não há sentido em fazer uma análise do ponto de vista de alguém que viveu na época da revolução industrial”.

Mas, como explica Sarmento, o próprio Karl Marx já previa as transformações sociais e econômicas.

“O objetivo desse livro é desmentir toda essa falácia e reafirmar a atualidade do marxismo. Marx desenvolveu um método que prevê as constantes transformações e modificações. Então as forças produtivas são sempre revolucionadas, e o capitalismo fez isso mais do que qualquer outro modo de produção. O que não muda? as relações de produção: o explorador continua sendo explorador, e o explorado continua sendo explorado. Tem quem trabalha socialmente, e tem poucos que acumulam as riquezas produzidas pelo trabalho. E essa é a contradição que Marx já observava lá no século 19, e daí a atualidade da sua teoria”, defende o professor.

Alguns dos objetivos da obra são promover debates e despertar consciências. Segundo Sarmento, o livro é um “instrumento de luta política e ideológica, de combate a toda a ideologia burguesa e reacionária". E encontra as teorias revolucionárias de Marx, Engels e demais marxistas que defendem a necessidade histórica da revolução proletária e socialista”.

Roteiro

As Ideias Políticas na História percorre a tradição cultural-política de mais de dois mil anos: desde antes do Estado até os desafios contemporâneos das novas tecnologias da produção virtual e redes sociais.

Aborda as sociedades comunitárias primitivas. As ideias teocráticas das primeiras tiranias do Oriente. A Civilização Ocidental - polis gregas, historiadores e filósofos. A decadência das cidades-Estados. O Império Romano. A desintegração do escravismo. O feudalismo, o Absolutismo e as teorias do poder divino dos reis. A desintegração do feudalismo e o advento do capitalismo. As revoluções burguesas. O estado moderno e o liberalismo. A independência dos EUA e o constitucionalismo. As críticas ao capitalismo: o anarquismo, o socialismo utópico e científico.

O livro trata também das ideias contemporâneas como desobediência civil e greve geral; o Século XX com a Primeira Guerra Mundial, o imperialismo moderno, a revolução proletária e socialista bolchevique. A Segunda Guerra Mundial. A Pós-modernidade a Política. A Guerra Fria. A Derrocada do Socialismo Real. Os desafios políticos da Contemporaneidade: da produção virtual e redes sociais.

Serviço

O quê? Lançamento do livro As Ideias Políticas na História: das cavernas às redes sociais, de Natanael Sarmento

Quando? Sexta-feira, 17 de maio de 2024, às 18h

Onde? Auditório do Museu do Minério – IFRN CNAT

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