Ouvir vozes também é normal
Natal, RN 26 de mai 2024

Ouvir vozes também é normal

15 de maio de 2024
3min
Ouvir vozes também é normal
Encontro durante a Semana de Luta Antimanicomial I Foto: cedida

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Apesar de todo o estigma em torno do assunto, geralmente associado a transtornos como a esquizofrenia, ouvir vozes é um fenômeno que também deve ser encarado com normalidade.

Ouvir vozes faz parte da natureza humana, não está necessariamente ligado a sintomas de problemas com a saúde mental. Cada um se apropria da experiência a seu modo, tem seu contexto de vida e singularidade. É mais fácil aceitar as vozes do que tentar eliminá-las”, revela Raiany Barbosa, psicóloga do Caps 3 (Centro de Atenção Psicossocial 3), na Zona Leste da cidade.

Segundo pesquisa do grupo Intervoice (The International Hearing Voices Network), de 2% a 4% da população mundial ouve vozes, o equivalente a cerca de 300 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, são seis milhões de pessoas que escutam vozes

E nem todas têm algum agravamento ou adoecimento mental”, acrescenta Raiany, que auxilia o Grupo de Ouvidores de Vozes montão no Caps 3.

Os integrantes do grupo se reúnem semanalmente e contam como lidam com a questão.

Alguns entendem como uma experiência ligada a um momento traumático da vida, outros interpretam como uma parte da espiritualidade... nesse grupo cada um conta sua história e sente que não está sozinho. Eles vão se ajudando, fazem reflexões, buscam entender que mensagens essas vozes trazem, o que lhes causa, o que acontece que a pessoa ouça essas vozes. É uma busca por autoconhecimento para que se apropriem dessa experiência”, explica a psicóloga.

Para participar do Grupo de Ouvidores de Vozes é preciso ter mais de 18 anos e não fazer uso abusivo de álcool e outras drogas. Por enquanto, apenas o Caps 3, atende as regiões leste e sul de Natal, desenvolveu o grupo, que foi divulgado durante nesta Semana da Luta Antimanicomial.

Antes havia divulgação apenas dentro do Caps, mas achamos importante falarmos sobre essa questão também para o público em geral, por isso trouxemos para a Semana da Luta Antimanicomial. O Grupo de Ouvidores de Vozes é uma estratégia de espaço para que as pessoas falem de maneira segura, é um grupo de ajuda e suporte. Acaba sendo um recurso complementar a propostas terapêuticas já existentes no serviço, como o psicológico e psiquiátrico”, detalha a psicóloga Raiany Barbosa.

O grupo é pioneiro em Natal, foi fundado em 2022 e costuma se reunir às terças, a partir das 9h. A iniciativa é relativamente nova no Brasil, mas faz parte de um movimento internacional que já existe desde a década de 1980 em mais de 30 países.

Dentro da Semana da Luta Antimanicomial, a Prefeitura do Natal organizou uma programação com abordagem de diferentes temas, confira:

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