RN reconhece artista indígena como agente transformador de cultura
Natal, RN 17 de jul 2024

RN reconhece artista indígena como agente transformador de cultura

27 de junho de 2024
6min
RN reconhece artista indígena como agente transformador de cultura
O prêmio é um reconhecimento da trajetória do artista por meio da Lei Paulo Gustavo. Foto: arquivo pessoal/Preciawá Porãngueté

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O governo do estado do Rio Grande do Norte concedeu ao multiartista potiguar Preciawá Porãngueté, indígena representante da etnia Tapuia/Karaxuwanassú, o prêmio de Agente Transformador da Cultura Afro Ameríndia de Terreiro. O prêmio é um reconhecimento da trajetória do artista por meio da Lei Paulo Gustavo. 

Indígena em contexto urbano, Preciawá Porãngueté tornou-se artista para além de sua comunidade tradicional e religiosa da Jurema e do Candomblé. Por meio de políticas públicas de inclusão, passou a se inserir em projetos sociais que já transformaram contextos periféricos em potências artísticas, obras musicais, visuais e escritas.

O artista já se tornou referência local e também nacional em cultura, com cerca de 15 projetos aprovados em editais estaduais e municipais em Pernambuco e no RN. Tendo se encontrado na Jurema Sagrada e no culto ao terreiro de forma espiritual mas também artística ainda na adolescência, ele comemora o reconhecimento de seus trabalhos culturais como uma vitória que representa sua história em contexto periférico e também enquanto indígena.

“É o reconhecimento de uma pessoa que vem de uma periferia”, afirma Preciawá em entrevista à Agência Saiba Mais. “E dentro desse contexto periférico, também é um contexto que se aproxima de um movimento que me foi negado – o meu passado, o passado dos meus ancestrais foi negado.”

Com uma trajetória marcada pelo esforço de levar a Jurema para dentro do universo das artes, Preciawá reconhece que suas conquistas artísticas e culturais até aqui só foram possíveis pelo acesso às políticas públicas, e comemora o seu trabalho realizado, destacando ainda a importância de seu reconhecimento enquanto um artista que é LGBTQIAPN+.

“A importância [do prêmio] é relacionado à reparação histórica. É o reconhecimento de uma trajetória de alguém que transpassa os contextos periféricos, os contextos vulneráveis do meu corpo LGBTQIAPN+”, ressalta o artista.

Cantor e compositor, Preciawá Porãngueté também é produtor cultural e criou suas primeiras obras unindo música e audiovisual e sendo idealizador do Festival Pindorama Reis Kanindé, projeto contemplado na FUNCARTE em 2022 e 2023. Atuando em diferentes áreas da arte, o multiartista avalia seus trabalhos como uma forma de desafio ao sistema capitalista e à sociedade conservadora.

“São muitas movimentações em torno de um trabalho que é realizado de uma forma clandestina, porque desafia o sistema capitalista, e isso é clandestino”, afirma. “Eu estou protagonizando e trazendo ideias de desconstrução de uma mensagem negativa sobre o meu corpo, minha comunidade, minhas roupas, meu jeito, sobre a forma como trago minha arte… estou combatendo o racismo, a LGBTQIAPN+fobia e dando gritos em relação às violências contra as minorias.”

De acordo com Preciawá, as conquistas que ele vem alcançando, como ser reconhecido por seus trabalhos na Lei Paulo Gustavo, faz parte de uma construção coletiva, que constrói “uma luta contra as violências ao meio ambiente, a favor do bem viver na sociedade e de estratégias de políticas públicas e coletivas para a construção de um mundo melhor.”

A trajetória do artista

Preciawá Porãngueté torna-se artista para além de sua comunidade tradicional e religiosa da Jurema e do Candomblé, sendo artista indígena em contexto urbano. Por meio de políticas públicas de inclusão se insere em projetos sociais que transformou contextos periféricos em potências artísticas, obras musicais, visuais e escritas.

Trabalhou como vendedor de roupas, costureiro e cozinheiro, antes de protagonizar sua carreira na cultura. Estudou Ciência da Religião na Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN).

Como ativista dos movimentos sociais, está em constante diálogo com redes, lideranças e movimentos de construção da política do bem viver na sociedade.

Cantor e compositor, se descobre produtor cultural e cria suas primeiras obras, unindo música e audiovisual e sendo idealizador do Festival Pindorama Reis Kanindé, projeto contemplado na FUNCARTE em 2022 e 2023.

Passou pela cidade de Olinda, em Pernambuco, onde trabalhou como arte-educador na  Fundação Casa da Criança. Também em Olinda, foi premiado pela FUNDARPE e pela Secretaria de Cultura de Olinda com o prêmio Conecta arte, realizando o vídeo clipe Velho Chico, além do Projeto Toré do Coco Catimbozado premiado pela Fundação José Augusto unindo, artistas Pernambucanos ,Baianos e Potiguares.

É artista atuante também no estado de Pernambuco, integrando a programação do Festival Canavial juntamente com o Grupo Patrimônio Imaterial de PE Caboclo Sete Flexa de Goiana, além de artista participante idealizador do projeto Macumba Baile aprovado na FUNCARTE. Por duas vezes consecutivas, foi candidato a Rei do Carnaval de Natal nos anos de 2023 e 2024. 

Atua como artista e produtor no Ponto de Memória Estação do Cordel. É personalidade do Coco da Jurema, do Frevo e do Samba. Atualmente é delegado Nacional da 4° Conferência Nacional de Cultura, representando o estado do RN. Participou do Festival de Amostra Queer LGBTQIAPN no estado de São Paulo, como também integrante da programação do Festival Internacional Amazoniza-te com a música Amazonas.

Atuou no Festival Canavial de Cultura – PE; Festival Nacional Bissexual, criando o próprio Festival Pindorama Reis Kanindé e Festival Sirê Kurumin. Inseriu manifestações espirituais da Jurema na trilha sonora do filme Olho de Boi. É mestre da Expressão Coco Catimbozado, realizadore audiovisual, Produziu o videoclipe Velho Chico, longa metragem Cultura de Jurema, e Toré Canto das Matas Popular. Atuante em diversos palcos pelo Brasil, é também formado em Agroecologia e ainda atuou no movimento de Juventude dos povos e Comunidades Tradicionais.

Tem sua história registrada no Livro Saberes e Conhecimentos Ancestrais, do Pajé Pitotó, uma coletânea lançada recentemente no estado do Rio Grande do Norte. Atua como uma rede de sonhos para as populações periféricas das cidades de Natal, Olinda e Recife. O prêmio concedido pelo governo do RN contempla a segunda maior nota da categoria e celebra a vida e arte dessa metamorfose ambulante.

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