Assinado pela Riachuelo, uniforme do Brasil para as Olimpíadas recebe críticas
Com o início das Olimpíadas de Paris se aproximando, o uniforme que a delegação brasileira vai usar na abertura dos Jogos tem gerado polêmica e críticas negativas nas redes sociais. Os atletas usarão trajes elaborados pela empresa potiguar Riachuelo, que desde 2021 assinou o contrato de patrocínio com o Comitê Olímpico Internacional. Uma das peças do uniforme do desfile de abertura foi bordada por mulheres do Seridó do Rio Grande do Norte. A jaqueta jeans tem araras, tucanos e onças, representando a diversidade da fauna brasileira.
Com a divulgação das imagens dos uniformes de viagem e da cerimônia de abertura, o público nas redes sociais fez várias críticas e memes com os trajes. As reclamações indicavam que as roupas seriam simples e conservadoras em comparação com o design dos uniformes de outros países.
Famosas, como a cantora Anitta e e a ex-jorgadora de vôley, Márcia Fu, também comentaram sobre os uniformes do Time Brasil. A cantora usou suas redes sociais para expressar indignação. “Acho que o look representa exatamente como o atleta é tratado no país. Sem estrutura, sem oportunidades, desvalorizado. O atleta no Brasil é um grande vencedor só por resistir na decisão de ser atleta”, desabafou Anitta.
Já a ex-jogadora de vôlei e medalhista de bronze em Atlanta 1996, Márcia Fu, também não aprovou a escolha dos uniformes: “O que é isso aqui? Isso é do Brasil? Gente, isso não é do Brasil, não. Estão mentindo. Péssimo gosto… acho que as meninas mereciam coisa melhor. A nossa delegação merecia, com certeza, coisa melhor. Horrível”, criticou.
Críticas poupam bordadeiras do RN
Apesar das críticas não estarem direcionadas aos bordados, com a repercussão as bordadeiras do Rio Grande do Norte que confeccionaram uma parte das peças do uniforme, falaram sobre o assunto. Em entrevista à Folha de São Paulo, a coordenadora do grupo Timbaúba dos Bordados, Alcilene Medeiros da Conceição, afirmou que tem visto a repercussão nas redes sociais. “Vejo como uma forma de preconceito com o povo e a região do Nordeste”, disse.
Ela esclareceu que o design dos uniformes foi criado pelo Instituto Riachuelo. O grupo que coordena e outras associações da região bordaram onças, araras e tucanos nas jaquetas jeans. “O uniforme não está feio. Foi feito com muito amor, carinho e capricho e pensado no conforto dos atletas. Eu super queria um para mim”, disse.
Já a presidente da Associação das Bordadeiras e secretária de Desenvolvimento e Turismo de Timbaúba dos Batistas, Salmira Torres, também comentou a repercussão. “É uma maravilha, porque é uma grandeza para o nosso município que fica no semiárido nordestino. Estamos valorizando a nossa fauna e flora, e nada mais lindo do que levar um pouco do nosso Brasil para as Olimpíadas”, afirmou.
Atletas também criticam peças de competição
A estética não foi o único problema com os uniformes da equipe do Brasil. Uma das primeiras reclamações veio do atleta de decatlo José Fernando Ferreira, que afirmou não ter recebido material adequado para a quantidade de provas que disputaria. Ele precisou arcar com sete pares de sapatilhas para a corrida.
Izabela Rodrigues da Silva, campeã pan-americana de lançamento de disco, também enfrentou problemas com seu enxoval, que foi reduzido devido à falta de peças femininas de tamanho G. Em nota, a Puma e a Confederação Brasileira de Atletismo expressaram pesar pelo ocorrido e informaram que estão em contato com a atleta para resolver a situação da melhor forma possível.
Além disso, outra problemática viralizou nas redes sociais: a forma de distribuição das vestimentas. Um vídeo circulando na internet mostrava uma atleta da Holanda com uma mala de roupas do enxoval “esportivo” e duas jogadoras da seleção de vôlei, Thaisa e Gabi, recebendo, em um saco branco, o que aparentava ser o uniforme da cerimônia de abertura e de viagem do Time Brasil.
Com as críticas tomando grandes proporções, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) respondeu sobre as roupas que serão usadas pelos atletas na abertura dos Jogos de Paris. “Não é Paris Fashion Week, são os Jogos Olímpicos. Então nosso foco está nisso”, afirmou o presidente do COB, Paulo Wanderley, nesta quarta-feira.