Fiscalização identifica origem de despejos de esgoto em Areia Preta
Natal, RN 27 de jun 2026

Fiscalização identifica origem de despejos de esgoto em Areia Preta

8 de novembro de 2024
5min
Fiscalização identifica origem de despejos de esgoto em Areia Preta
Foto: fiscalização Semurb

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As línguas negras, ou manchas de esgoto, voltaram a aparecer na Praia de Areia Preta, Zona Leste de Natal, deixando a praia imprópria para banho por 3 semanas consecutivas. De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal, a origem do problema foi identificada e se trata de um vazamento de esgoto proveniente de um Poço de Vista (PV) obstruído, na Rua Atalaia, no bairro de Mãe Luiza, que está extravasando para a rede de drenagem pluvial. 

O vazamento tem atingido a praia formando as manchas de esgoto em direção ao mar, que poluem o meio ambiente e são prejudiciais à saúde. De acordo com a pasta municipal, a origem do problema foi identificada na manhã desta quinta-feira (7) após uma operação de fiscalização.

A investigação detalhada incluiu ainda a abertura e inspeção de vários PVs ao longo das ruas e travessas do bairro de Mãe Luiza. De acordo com a secretaria, a equipe de fiscalização realizou uma varredura no local, monitorando a galeria de drenagem desde a Rua Guanabara até a Rua Atalaia, onde foi localizado o extravasamento. 

Para descobrir a origem do esgoto, a Semurb utilizou uma câmera sonda tipo endoscópica, que quando lançada na rede de drenagem, mostra a direção por onde estava escoando o efluente orientando a inspeção dos sistemas de esgotamento e drenagem. 

Agora, segundo a pasta, a SEMURB notificará e autuará a CAERN para que o problema seja corrigido com urgência, no prazo máximo de 72h. A pasta também  reforça à comunidade que contribua com a fiscalização, reportando quaisquer problemas de escoamento irregular de águas servidas ou esgoto.

 A população pode contribuir denunciando casos de lançamento de esgoto ou água servida pelo telefone da Ouvidoria da Semurb, pelo número (84) 3616-9829, de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h, ou pelo e-mail: [email protected].

Problemas na rede de drenagem é antigo, avalia professor 

João Abner, engenheiro e professor aposentado da UFRN explicou à Agência Saiba Mais que o problema de drenagem no local é antigo e que todo o sistema atual precisa ser atualizado. Segundo o especialista, o sistema abrange as praias de Areia Preta, Ponta Negra e Via Costeira e está saturado, podendo haver vazamentos mesmo sem períodos de chuvas. 

O professor explicou também que o sistema precisa de redirecionamento e investimento por parte da Companhia de Águas e Esgotos do RN (CAERN). 

“Estamos lidando com área de expansão de turismo. Quanto maior a ocupação, maior o volume de efluentes. Isso sempre vai ocorrer, e cada vez mais na alta estação. Qualquer deficiência vai ocorrer na alta estação. Imagine como era o turismo há 20 anos e como é hoje. Quantos hotéis e pousadas foram abertas na região.”, detalha.

Para o engenheiro, além de mais investimentos, é preciso atualizar o sistema de drenagem na região para um que suporte as demandas atuais da cidade. O professor explica que o problema não é somente de responsabilidade dos moradores, já que a região é saneada, e a extravasão não deveria acontecer se o sistema atual desse conta da demanda. “Na praia do relógio (em Miami) tem um reservatório que tem um extravasor, que vai para o sistema de drenagem da praia. A demanda aumentou, o sistema precisa ser ampliado, o que não ocorre.”, explicou.

“Não pode culpar a população por ligações clandestinas, região 100% saneada, pagam taxa por isso. Todas as casas têm acesso à rede de esgoto, agora se está subdimensionada e transborda, a responsabilidade é da Caern. Transborda para sistema de drenagem. Todos pagam esgoto e pagam caro, é 80% da tarifa de água.”, completou.

A reportagem procurou a Caern para saber a respeito do plano de drenagem da companhia para a região, mas até a publicação desta matéria não obteve resposta. O espaço segue em aberto. 

Histórico de poluição 

A praia de Areia Preta ficou imprópria para banho durante quase dois anos, de acordo com o órgão. Em 2023, por exemplo, o local esteve 12 meses seguidos com níveis de coliformes fecais acima do tolerável pelo que se dá com base em normas estabelecidas pelo Conama.

No último dia (3) de julho, foi descoberto que o condomínio de luxo Infinity Areia Preta era o responsável direto por jogar esgoto in natura na praia em frente a escadaria de Mãe Luiza. Além do Infinity, outros dois empreendimentos foram flagrados pela prefeitura de Natal despejando dejetos na praia, sendo eles o Motel Raru’s Via Costeira e o Restaurante Muquecas. O condomínio Infinity foi o caso mais alarmante de despejo, isso porque a pasta flagrou o empreendimento jogando esgoto in natura diretamente na drenagem. 

Os três imóveis foram autuados com multas gravíssimas, variando de R$10.414,15 a R$51.555,22 e tiveram o prazo de 72 horas para resolver o problema encontrado. Segundo a Semurb, caso não fosse resolvido, os fiscais iriam retornar ao local para tamponar as tubulações para cessar o lançamento dessas águas. 

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