Veterinário nega maus tratos a cachorro em minicurso na UnP
Natal, RN 20 de jun 2026

Veterinário nega maus tratos a cachorro em minicurso na UnP

2 de maio de 2025
5min
Veterinário nega maus tratos a cachorro em minicurso na UnP

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O médico veterinário Saul Dias Cortez, gravado em um vídeo afirmando ter induzindo uma parada respiratória em um cachorro durante minicurso na Universidade Potiguar (UnP), negou que tenha causado maus tratos ao animal e classificou a fala como um “informe inapropriado e descontextualizado”.

Em nota divulgada na última quarta-feira (30), Saul afirmou ter recebido “injustos e desproporcionais ataques sofridos por meio do ‘tribunal das redes sociais’ quanto ao minicurso ministrado na universidade, voltado para profissionais médicos veterinários e alunos do curso de Medicina Veterinária.

“Sou detentor de várias pós-graduações em Medicina Veterinária, com conhecimento técnico mais do que suficiente para ministração do procedimento realizado”, defendeu, em nota.

“Jamais poderia provocar quaisquer maus-tratos a um animal, seja em razão da minha profissão, seja em função da afetividade à causa animal, objeto de toda a minha formação existencial”, continuou.

De acordo com o profissional, o animal que fazia parte da didática “é do meu convívio e estima e não existiria a menor possibilidade de provocar nenhum dano à saúde, sendo um informe inapropriado e descontextualizado a verbalização de ‘parada respiratória’. 

Segundo Saul Dias Cortez, antes mesmo do fim do curso, o animal já estava acordado, bem e brincando com os alunos nas dependências da faculdade.

Ele informou que foi convidado pela Universidade Potiguar para realizar um minicurso prático, e todo conteúdo e práticas realizadas no curso foram discutidos com a universidade, que deu ciência e autorização para que as atividades fossem realizadas.

“Por fim, resta manifestar nossa confiança na apuração fidedigna dos fatos, longe da especulação maldosa de uns e o aproveitamento midiático de outros. Estarei sempre à disposição para os esclarecimentos necessários, que serão prestados aos órgãos competentes”, finalizou.

Entenda

O caso aconteceu em 25 de abril. Um vídeo divulgado nas redes sociais mostrou o professor convidado afirmando que induziu uma parada respiratória em um cachorro. O intuito era que os alunos treinassem técnicas de reanimação. Movimentos de defesa dos animais condenaram a prática, enquanto a UnP e o Conselho de Medicina Veterinária informaram que iniciaram a apuração dos fatos.

No vídeo divulgado nas redes sociais, o professor afirma: “Eu apliquei uma medicação, eu provoquei uma parada respiratória nele só para poder mostrar para vocês”. O profissional não é docente dos quadros da UnP; estava apenas como convidado para a atividade acadêmica.

Logo após a repercussão das imagens, a Universidade Potiguar (UnP) informou que repudia veementemente qualquer prática que configure maus-tratos aos animais.

“A Instituição reforça que já iniciou a apuração rigorosa dos fatos relacionados ao procedimento realizado por um especialista convidado que, registre-se, não integra o quadro docente da Instituição, durante um evento do curso de Medicina Veterinária, no dia 25/4. Ao término da análise, a Universidade adotará todas as medidas cabíveis”, disse a instituição, informando também que permanece à disposição das autoridades competentes e reforça seu compromisso com a ética, o respeito à vida animal e a formação responsável dos seus alunos.

Já o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Rio Grande do Norte (CRMV-RN) manifestou atenção e comprometimento diante do caso envolvendo o médico-veterinário em ambiente acadêmico, informando que está ciente e já iniciou a apuração dos fatos dentro do que lhe cabe legalmente. 

“O Conselho reitera seu compromisso com a ética profissional, com a responsabilidade no exercício da medicina veterinária e, sobretudo, com a defesa do bem-estar animal em todas as esferas de atuação. Providências serão tomadas com responsabilidade, seguindo os trâmites legais, sempre garantindo o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório. Seguimos atentos e atuantes para assegurar que práticas compatíveis com os princípios e regras da profissão sejam sempre priorizadas”, disse, em nota, a entidade.

O caso chegou à Câmara Municipal de Mossoró. Por meio da Comissão de Meio Ambiente, Mudança do Clima e Proteção Animal, a Casa decidiu na última segunda-feira (28) acionar o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-RN), além da universidade privada e da clínica veterinária envolvidas no caso.

A vereadora Marleide Cunha (PT), presidente da Comissão, enfatizou a necessidade de apuração rigorosa do fato. 

“Nosso compromisso é garantir que esse caso seja investigado com total rigor. A Comissão vai acompanhar cada etapa da apuração e cobrar a atuação firme dos órgãos competentes. Não podemos permitir que haja omissão ou negligência. A Comissão foi criada para dar respostas à sociedade e estamos mostrando que não seremos omissos. Vamos exigir que os responsáveis sejam punidos conforme a lei”, declarou.

Os parlamentares também vão cobrar esclarecimentos formais da universidade que sediou o minicurso. 

“Não aceitaremos qualquer forma de crueldade contra animais, sobretudo em espaços que deveriam promover conhecimento e respeito à vida”, declarou o presidente da Câmara, vereador Genilson Alves.

A Comissão de Meio Ambiente, Mudança do Clima e Proteção Animal é formada pelos vereadores Marleide Cunha (PT), presidente; John Kenneth, vice-presidente; e Petras Vinícius, 1º secretário.

Confira a nota completa do médico veterinário:

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