Engorda de Ponta Negra volta a ficar alagada após chuva
O cenário de alagamentos na engorda da praia de Ponta Negra, em Natal, voltou a se repetir na manhã desta quarta-feira (17). As imagens foram registradas pelo canal Live Cam Natal no Youtube, que transmite a praia em tempo real. O problema com os alagamentos se tornou comum desde a inauguração da engorda, em janeiro de 2025.
Até as 9h15 desta quarta, o boletim pluviométrico diário da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn) apontou que Natal registrou chuvas de 6,3 milímetros. Em Parnamirim, na Região Metropolitana, a precipitação foi quase o triplo: 18 milímetros.
No mês passado, a Prefeitura anunciou que vai fazer uma nova obra de drenagem de águas pluviais. O objetivo é implantar três reservatórios modulares e dispositivos complementares de drenagem e minimizar os constantes alagamentos registrados na faixa de areia da praia. Ainda assim, segundo o secretário de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal (Semurb), Thiago Mesquita, os “espelhos d‘água”, como a Prefeitura chama os alagamentos, vão continuar, mas em menor volume.
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Em reportagem publicada pela Agência SAIBA MAIS no último fim de semana, o engenheiro e professor aposentado da UFRN, João Abner, afirmou que os efeitos práticos na nova obra anunciada para diminuir os alagamentos na areia quase não serão sentidos. Segundo ele, a drenagem sempre foi o maior problema de Ponta Negra e a engorda realizada na praia precisa de um projeto definitivo e não de soluções emergenciais.
“Nós temos que ter um projeto definitivo. Até agora, só está se discutindo os efeitos e soluções emergenciais. A Prefeitura apontou agora uma obra emergencial de R$ 21 milhões. Mas os efeitos práticos dessa obra quase não vão ser sentidos. Então a gente precisa trabalhar em cima e criar um consenso de uma solução emergencial para Ponta Negra que não tenha partido, que seja uma solução que todo mundo defenda, que a sociedade possa cobrar, inclusive, do setor hoteleiro, que foi o grande responsável pela chegada dessa engorda da forma atropelada como foi feita”, avaliou.
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Nos documentos referentes à nova obra, o Executivo publicou um Estudo Técnico Preliminar (ETP), em que diz que os problemas de drenagem em Ponta Negra podem favorecer o transporte de sedimentos em direção à faixa de areia. O documento, de 38 páginas, reconhece que existem alagamentos na faixa da praia — o termo é citado 17 vezes, no singular ou plural, embora o discurso oficial da Prefeitura fale em “espelhos d’água” — este, citado apenas uma vez. Além disso, o texto elenca os resultados positivos esperados com a nova obra, que incluem a redução de alagamentos, erosão e escoamento descontrolado para a orla.
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Ainda em maio, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com ação civil pública para obrigar o município de Natal a realizar obras emergenciais que evitem o agravamento dos alagamentos na área da engorda da praia de Ponta Negra. O órgão afirma que a drenagem no local foi ineficiente, e aponta que as inundações podem acelerar o processo erosivo do Morro do Careca e causar perda da faixa de areia recém-ampliada.
A engorda tem sofrido constantes alagamentos em períodos de grandes volumes de chuva. Em abril, Thiago Mesquita chegou a defendeu que os alagamentos no local são formados propositalmente, fazem parte da drenagem e ajudam a impedir a descida da água em alta velocidade.
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