Namorada de Styvenson foi nomeada para cargo no Senado com salário de R$ 16 mil
Natal, RN 20 de jun 2026

Namorada de Styvenson foi nomeada para cargo no Senado com salário de R$ 16 mil

8 de julho de 2025
6min
Namorada de Styvenson foi nomeada para cargo no Senado com salário de R$ 16 mil
Foto: Reprodução

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A atual namorada do senador Styvenson Valentim (PSDB), Ana Luísa Canário Carlos de Andrade, em novembro de 2024, foi nomeada para o cargo de “assistente parlamentar pleno” na 2ª Vice-Presidência do Senado, com remuneração de pouco mais de R$ 16 mil. A nomeação foi publicada na portaria nº 3.208/2024, assinada pela analista legislativa, lotada na Diretoria-Geral, Ilana Trombka. A informação foi publicada inicialmente pelo SPN – Sistema Potiguar de Notícias

Ana Luísa, no entanto, não passou muito tempo no cargo. Ela foi exonerada em fevereiro de 2025, tendo recebido, a título de rescisão pelos três meses trabalhados, poucos mais de R$ 12 mil.

Namorada de Styvenson recebia salário bruto de pouco mais de R$ 16 mil no Senado.

Mas a namorada do senador ficou poucos meses desempregada. No último dia 9 de junho, conforme portaria nº 2324/2025, publicada no Diário Oficial do Município, ela foi nomeada para exercer o cargo em comissão de “Coordenador de Gestão Integrada” na Secretaria Municipal de Governo (SMG) da Prefeitura de Natal.

O titular da SMG, onde está lotada a namorada do senador Styvenson, é o advogado, com especialização em Direito Público, Sérgio Freire, irmão do prefeito Paulinho Freire (União Brasil).

Em junho, Ana Lupisa Canário foi nomeada em cargo comissionado na Prefeitura de Natal.

A reportagem da Agência Saiba Mais entrou em contato com a assessoria de imprensa de Styvenson questionando se ele seria o responsável pela indicação da namorada para o cargo no Senado e, posteriormente, na Prefeitura de Natal. No entanto, não obtivemos retorno até o fechamento da matéria.

Styvenson apoiou a candidatura do prefeito Paulinho Freire, que é alvo de um pedido de cassação do mandato, junto com a vice-prefeita Joanna Guerra (Republicanos), sob a acusação de suposto abuso de poder político e econômico nas eleições municipais de 2024.

A polêmica do edital para selecionar assessores

Eleito em 2018 com o discurso do combate à “velha política”, Styvenson surpreendeu ao anunciar que abriria um processo seletivo, via edital público, para escolher os futuros assessores do seu mandato no Senado Federal.

O suposto edital, no entanto, terminou em polêmica, com candidatos denunciando que regras previstas no certame haviam sido descumpridas. Eles também denunciaram que houve falta de transparência no processo de escolha.

De acordo com notícias veiculadas pela imprensa na época, um dos candidatos denunciou, sob a condição do anonimato, que a divulgação do resultado da primeira fase da seleção, pesar de ter sido publicado, não seguiu o que estava previsto no edital.

“A seleção só contemplou alguns poucos candidatos, não lendo os demais currículos enviados. Além disto, faltou deixar transparecer quais foram os critérios de seleção, bem como a lista de classificação dos candidatos na reserva”, denunciou, à época, o candidato.

O candidato também lamentou que eles haviam perdido tempo elaborando currículos que não foram avaliados. “O senador eleito tem todo o meu respeito, mas não pode brincar com o povo, nem fazer propaganda de algo inovador sem ser”, disse.

A nossa reportagem também questionou a assessoria do senador sobre a seleção para os assessores do mandato, mas também não obtivemos retorno sobre essa demanda.

De “outsider antissistema” a aliado da “velha política”

De “outsider antissistema” a cabo eleitoral do senador bolsonarista Rogério Marinho (PL), pré-candidato a governador do RN, Styvenson Valentim deu uma verdadeira guinada em sua ainda recente trajetória política.

Em sua primeira eleição, ele se apresentou ao eleitorado com um discurso moralista, avesso a alianças e supostamente comprometido com o combate à corrupção que seria uma característica daquilo que ele classificava como “velha política”.

O tempo, no entanto, somado ao pragmatismo eleitoral, levou o senador a fazer ajustes na imagem do personagem que ostenta nas redes sociais.

Depois de seis anos convivendo no metiê político e de mudar de partido pela terceira vez, Styvenson não apenas suavizou o discurso moralista como se aliou a políticos tradicionais, representantes do sistema que ele dizia combater.

Saiba Mais: De “outsider antipolítica” a aliado de Rogério Marinho: a guinada de Styvenson Valentim

O senador também teve seu nome envolvido no caso do “orçamento secreto”, criado no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) apontaram que a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) superfaturou o preço do asfalto utilizado em obras de dez estados, incluindo o Rio Grande do Norte.

Os recursos, segundo o órgão, eram oriundos de emendas do orçamento secreto, entre elas uma do senador Styvenson Valentim, que se recusou a prestar esclarecimentos sobre o caso.

De acordo com os relatórios da CGU, publicados em junho de 2023 e julho de 2024, o prejuízo aos cofres públicos pela “inobservância de parâmetros normativos”, como a espessura e a aderência do asfalto utilizado, foi de R$ 7,3 milhões.

A CGU analisou amostras de obras realizadas nos municípios potiguares de Tangará, Lajes Redondas, Campo Redondo, Jaçanã, Santa Cruz, Lagoa Nova, Parelhas, Currais Novos e Lajes Pintadas.

Os contratos foram firmados em 2020, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. A Codevasf, na época, estava sob o guarda-chuva do Ministério do Desenvolvimento Regional, que era comandado pelo atual senador Rogério Marinho.

Em outra polêmica recente, que também ilustra a virada no discurso moralista de Styvenson Valentim, o senador votou a favor do aumento do número de deputados federais de 513 para 531, depois de ter declarado em suas redes sociais que era contrário à proposta.

“Não precisamos de mais deputados, precisamos que os que já estão eleitos entreguem mais. O Brasil precisa de mais resultados, não de mais cargos”, dizia a publicação postada nas redes sociais do senador, apagada após a aprovação do projeto.

Saiba Mais: Depois de votar a favor de mais deputados, Styvenson apaga post que criticava medida

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