Natal sedia 1º Encontro de Indígenas em Contexto Urbano do Nordeste
Nos dias 11, 12 e 13 de julho de 2025, o Sítio Histórico e Ecológico Gamboa do Jaguaribe, localizado em Natal (RN), recebe o I Encontro de Indígenas em Contexto Urbano do Nordeste. O evento marca um momento inédito de articulação entre povos originários que vivem em cidades da região, e acontecerá em um espaço simbólico e pulsante de resistência, memória e diálogo com a natureza.
Com cinco hectares de mata ciliar e manguezal, a Gamboa se consolidou como território de luta ambiental, educação popular e turismo pedagógico. Suas práticas valorizam os saberes indígenas, socioambientais e alimentares em defesa do bem viver. A proposta do encontro está em sintonia com leis federais como a 11.645/08, 14.926/24 e 13.666/18, que asseguram o ensino de culturas afro-brasileiras e indígenas, além da atenção às mudanças climáticas e segurança alimentar.
As inscrições estão disponíveis via formulário na bio do perfil oficial do evento no Instagram, com uma taxa simbólica de R$ 20,00. Pessoas indígenas têm prioridade nas inscrições.
De onde surgiu a ideia
Segundo Giva, integrante da Aliança Multiétnica, a ideia do encontro vem sendo amadurecida há alguns anos, desde a organização da Conferência Popular Nacional de Indígenas em Contexto Urbano. “Mas foi na II Assembleia Tapuya, realizada em 2024, em Quixeramobim (CE), que decidimos de forma coletiva pela sua realização, escolhendo a Gamboa como local simbólico para esse primeiro encontro”, afirma.
A escolha da Gamboa se justifica, segundo ele, por representar um modelo de convivência possível com a natureza. “Num planeta marcado pelo Antropoceno e os impactos da crise climática, a Gamboa expressa de forma contundente a proposta de uma sociedade em harmonia com a Terra. Isso dialoga diretamente com a essência da existência indígena.”
Culturas indígenas nas cidades
Para Ta’angahara (Fábio de Oliveira), também da organização, é essencial reconhecer a força das culturas indígenas nos contextos urbanos. “Ainda que existam particularidades entre aldeados e urbanizados, temos pautas convergentes. A relação com a indústria cultural, por exemplo, se torna um campo estratégico de visibilidade e fortalecimento étnico. A luta é por políticas afirmativas que garantam o direito à produção e circulação cultural dos povos indígenas também nas cidades.”
Construção coletiva e apoios
O encontro foi articulado ao longo de seis meses de preparação coletiva entre a Gamboa do Jaguaribe e a Aliança Multiétnica, com a realização conjunta da Odara Produtora e da Indurn (UFRN). O evento também conta com o apoio de importantes frentes e organizações sociais: MST/RN, Coeppir/RN, mandato da vereadora Brisa, Sinasefe, MSI, Sindicato Nacional ANDES e o Movimento Mata Sul Indígena.
Mais do que um evento, o I Encontro de Indígenas em Contexto Urbano do Nordeste será um marco para os povos originários da região: uma oportunidade de compartilhar experiências, articular ações e reafirmar que a ancestralidade pulsa também nos centros urbanos.
Participação de diversa
O evento contará com a presença de representantes de diversos povos indígenas, entre eles: Potiguar, Fulniô, Tupinambá, Tarairiu, Kariri, Marikuito, Xucuru, Tabajara, Juma, Otxukayone, Tapuya, Puri, Kixará, Kariri Xocó, Karaxuwanassu, Wassu Cocal, Pipipã de Kambixuru, Kaeté, Munduruku, Kaboré, Apuiaré, Guanacé, Kaapor, Kamekran, Paiacu, Aymará, Kixelo, Monxoro, Pankará e Tremembé.
Confira a programação:

Tá chegando o dia participantes!
Se liga na programação do 1º dia! Participará do evento quem realizou a devida inscrição e transferência do valor solicitado. Arte por @taangahara”.