Escola no interior do RN suspende grêmio por reivindicar sala própria
Natal, RN 17 de jun 2026

Escola no interior do RN suspende grêmio por reivindicar sala própria

27 de novembro de 2025
5min
Escola no interior do RN suspende grêmio por reivindicar sala própria
Uma das imagens expostas pelos estudantes no Instituto Vivaldo Pereira, em Currais Novos - Foto: cedida

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A Escola Estadual Instituto Vivaldo Pereira, localizada em Currais Novos, suspendeu o Grêmio Estudantil Emmanuel Bezerra (GEBB), entidade representativa dos cerca de 300 alunos da instituição. O motivo, segundo um membro do grêmio, foi a colagem de cartazes pedindo uma sala própria para o grêmio — a entidade está em sua primeira gestão, que ainda não completou nem um mês de funcionamento.

O grêmio foi fundado em 23 de outubro de 2025, e no dia 30 de outubro os estudantes elegeram a atual direção da entidade. De acordo com um estudante gremista, que preferiu não se identificar, a suspensão aconteceu de maneira autoritária, sem diálogo e sem notificação. A escola afirmou em nota que houve um “descumprimento reiterado e intencional de cláusulas fundamentais”.

“Proibiram por tempo indeterminado as atividades do grêmio após um ato reivindicatório, onde os gremistas colaram cartazes pela escola reivindicando a sala do grêmio, após várias vezes a gestão deixar claro que não tinha como ceder uma sala”, explica o aluno. 

Uma das imagens expostas pelos estudantes no Instituto Vivaldo Pereira, em Currais Novos – Foto: cedida

Segundo o mesmo estudante, a escola possui inúmeras salas vazias e desativadas, mas o Instituto Vivaldo Pereira teria justificado que elas vão ser utilizadas em 2026. Ele reclama, porém, que não foi dada nem a possibilidade de usar uma sala provisória até o final deste ano.

“Logo os estudantes, se sentindo desrespeitados, fizeram o ato reivindicatório. A gestão, que logo se sentiu pressionada devido estar acontecendo o processo eleitoral da gestão escolar, rapidamente agiu e suspendeu, falando que quebramos a regra da escola, causamos danos e etc, porém a colagem de cartazes sempre foi histórico no movimento estudantil”, diz ele, que diz que a própria direção do instituto também colava cartazes nas paredes.

Lei do Grêmio Livre

Em nota, o Grêmio Estudantil Emmanuel Bezerra afirmou que a suspensão foi feita sem garantir o direito de defesa. O grêmio aponta que a direção da escola desrespeitou a Constituição Federal, que assegura o contraditório e ampla defesa, e violou a Lei do Grêmio Livre, que garante que os grêmios estudantis são autônomos.

“É um grêmio prematuro e que os estudantes estão aprendendo a se organizar agora. A gestão, em vez de orientar os alunos, preferiu reprimir, lembrando tempos sombrios nas escolas públicas da ditadura militar, onde a gestão que era controlada pelos militares reprimia qualquer sinal de movimento estudantil”, critica o gremista que conversou com a reportagem.

Nesta quarta-feira (26), a presidência da entidade encaminhou um documento à 9ª DIREC (Diretoria Regional de Educação) de Currais Novos denunciando o caso.

Leia a nota completa da direção do Instituto Vivaldo Pereira:

Prezados(as) Estudantes, Pais, Responsáveis e Comunidade Escolar,

A Direção da E. E. Instituto Vivaldo Pereira vem, por meio desta nota, esclarecer os motivos que levaram à decisão, difícil mas necessária, de suspender o Grêmio Estudantil Emmanuel Bezerra e suas atividades por tempo indeterminado, com efeito imediato. 

Compreendemos que o Grêmio Estudantil é um órgão de representação importante para o corpo discente, e essa medida drástica não foi tomada de ânimo leve. Ela é o resultado de uma série de eventos e falhas que comprometeram seriamente a convivência escolar, o cumprimento de regulamentos e os próprios objetivos de uma entidade estudantil.

O Grêmio Estudantil, desde sua fundação, possui um Estatuto aprovado e está sujeito ao Regimento Interno da escola. O principal motivo para a suspensão foi o descumprimento reiterado e intencional de cláusulas fundamentais.

A Direção agiu de forma progressiva, aplicando diversas medidas disciplinares antes de chegar à suspensão, como advertências formais.

A reincidência, a gravidade das infrações e a falta de disposição em corrigir os desvios demonstraram que a continuidade das atividades do Grêmio, neste momento, é incompatível com a ordem, a segurança e os valores pedagógicos de nossa escola.

Reiteramos nosso compromisso com a representação estudantil legítima e democrática. A suspensão é temporária e visa permitir um período de reestruturação.

Contamos com a compreensão e colaboração de toda a comunidade para que possamos restaurar a confiança e criar um novo modelo de Grêmio Estudantil que sirva verdadeiramente aos interesses de todos os estudantes.

Atenciosamente, 

a Direção.

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