Hospital Municipal: Álvaro diz que deixar obras inacabadas “é normal”
Natal, RN 19 de jun 2026

Hospital Municipal: Álvaro diz que deixar obras inacabadas “é normal”

19 de junho de 2026
6min
Hospital Municipal: Álvaro diz que deixar obras inacabadas “é normal”
Hospital Municipal foi inaugurado em dezembro de 2024 e até hoje segue sem funcionar - Foto: Divulgação

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O ex-prefeito de Natal e pré-candidato a governador, Álvaro Dias (PL), voltou a ser cobrado em relação à entrega do Hospital Municipal, inaugurado em dezembro de 2024 ao final de sua gestão e até hoje sem funcionar. Para o ex-prefeito, deixar obras inacabadas é “normal, natural”.

As declarações foram feitas em entrevista ao programa RN no Ar, da TV Tropical, nesta quinta-feira (18). Álvaro voltou a atribuir a responsabilidade sobre a falta de funcionamento ao atual prefeito, Paulinho Freire (União), seu aliado, que teria, segundo Dias, resolvido ampliar a infraestrutura antes da entrega.

“Ele resolveu fazer umas ampliações, melhorar o estado do hospital que ele quer entregar para a população, funcionando realmente como ele acha que deve. Então eu respeito, até louvo a iniciativa que ele teve de ampliar a infraestrutura antes de entregar o hospital definitivamente à população”, disse.

O ex-prefeito falou de outras obras feitas durante sua gestão e reconheceu que deixou equipamentos inacabados.

“É natural, é normal. Por exemplo, a barragem das Oiticicas foi entregue uma parte pelo presidente Bolsonaro, outra parte pelo presidente Lula, é assim. As obras são assim, elas são demoradas”, justificou.

Saiba Mais: Álvaro Dias diz que obra que mais se orgulha é de hospital inacabado

O assunto é um tema recorrente entre nomes que devem enfrentar Álvaro nas urnas em outubro. Cadu Xavier, indicado para a sucessão de Fátima Bezerra dentro do PT, visitou o equipamento em abril e teceu críticas à falta de funcionamento.

“Esse hospital aqui, que nem está funcionando nem está pronto, foi inaugurado há mais de um ano pelo ex-prefeito de Natal. Para de mentir, prefeito”, afirmou Cadu Xavier.

No mesmo mês, Allyson Bezerra (União) disse em uma rádio de Natal que “foi uma inauguração de faz de conta, com objetivo eleitoreiro”. 

Servidores e população cobram abertura

Em 2 de junho, servidores da área da saúde e usuários do SUS fizeram um ato político e um abraço coletivo em que cobraram a abertura do Hospital Municipal de Natal. 

O ato foi convocado por sindicatos da área (Sindicato da Saúde, dos Enfermeiros, dos Odontólogos, dos Farmacêuticos e dos Médicos), além da CSP-Conlutas.

De acordo com a Prefeitura de Natal, a previsão de inauguração é para julho. Foram investidos na primeira etapa da obra R$ 140 milhões, em recursos de emendas parlamentares e do Governo Federal, através Ministério da Saúde. Em novembro, durante reunião com a bancada federal, o Executivo solicitou a destinação de R$ 110 milhões para a conclusão da obra. 

Quando estiver concluído, segundo a Prefeitura, o hospital contará com 266 leitos de internação, sendo 40 de UTIs, divididos entre UTI adulta geral (20), neonatal (10) e pediátrica (10), além de leitos específicos classificados como PPP – para pacientes de pré-parto, parto e pós-parto (10).

“A gente sabe muito bem que esse hospital foi inaugurado às pressas para poder fazer campanha eleitoral para Paulinho Freire”, criticou, no ato, o diretor do Sindsaúde, Paulo Martins. 

“A nossa conversa hoje aqui, ao pé do ouvido, da população, é que nós queremos que esse hospital abra. Para que dê atenção, para que melhore a situação da população de Natal que precisa de um hospital”, prosseguiu o sindicalista.

Uma usuária do SUS, não identificada, cobrou a abertura do equipamento para que o acesso à saúde possa ser ampliado na capital.

“Que a população possa ter acesso a exames específicos, possa ter atendimento melhor. Eu mesma estou precisando fazer um acompanhamento mais específico, poderia estar utilizando esse equipamento. Não tem como utilizar porque a pouca estrutura construída já está deteriorada, como foi mostrado em algumas redes sociais. Então como é que a gente vai acreditar que vai ter esse equipamento inaugurado? Que não vai ficar só recebendo dinheiro e a população a mercê de não ter uma condição mínima para ter assistência, atendimento médico, enfermagem, tudo da forma devida? E isso é uma reclamação não só minha, eu tenho certeza, mas de toda a cidade do Natal”, afirmou.

Em visita técnica realizada em novembro de 2025, o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) apontou a existência de fissuras em áreas do Hospital Municipal de Natal, infiltrações e “ausência de frentes de trabalho ativas” na obra.

De acordo com a publicação, foram identificados problemas em locais como a área administrativa, ambulatório e no bloco destinado às atividades de consultas, internações e cirurgias.

Saiba Mais: MP encontra fissuras e infiltrações em obra do Hospital Municipal de Natal

Na área administrativa, os problemas encontrados foram: rufos (peças metálicas no telhado) com detalhamento inadequado; desplacamento de soleiras; fissuras em chapins (peças de concreto) e platibandas (mureta construída para esconder telhado); irregularidades no assentamento de pisos; e falhas de acabamento em corrimãos e início de corrosão em válvulas da Estação de Tratamento de Efluentes (ETE).

Saiba Mais: Ato cobra abertura do Hospital Municipal de Natal

Já no ambulatório, o MP identificou fissuração estrutural extensa em paredes externas; indícios de infiltração; tubulações expostas em ambientes internos; descontinuidade de junta de dilatação vertical no piso; e desplacamento de drywall.

No Bloco Hospital, além do efetivo reduzido, armaduras estavam com indício de corrosão, além de haver acúmulo de entulho no canteiro; presença de fissuras em alvenarias externas; e pilares com armaduras expostas e restos de formas não removidas. Essa parte da obra, à época, estava em fase inicial, mas apresentava um bom padrão de acabamento externo.

Em nota em maio deste ano, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) Natal informou que o relatório reforçou que, no geral, a obra apresenta boa qualidade. “O MPRN também realizou algumas recomendações específicas e pontuais ao projeto, com intervenções corretivas já iniciadas (pela empresa responsável pela execução da construção)”, disse a pasta.

Segundo a SMS, nenhum dos itens apontados compromete a estabilidade global da estrutura nem a segurança dos ocupantes.

“O projeto de construção do Hospital de Natal foi distribuído em duas etapas. Para iniciar o funcionamento da primeira fase, foi necessária também a execução de alguns serviços que estavam inicialmente inseridos na segunda etapa e que atenderão a todo o complexo, como a construção de dois centros cirúrgicos. A obra segue em fase final de conclusão, com previsão de que os primeiros acolhimentos sejam iniciados no mês de julho de 2026”, comunicou a Secretaria.

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