RN vai exportar animais vivos. Primeiro embarque será de 3 mil bovinos para o Líbano
Natal, RN 23 de jun 2026

RN vai exportar animais vivos. Primeiro embarque será de 3 mil bovinos para o Líbano

23 de junho de 2026
5min
RN vai exportar animais vivos. Primeiro embarque será de 3 mil bovinos para o Líbano

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O Porto de Natal se prepara para receber uma operação inédita que pode redesenhar parte da cadeia agropecuária do Rio Grande do Norte. Após obter a habilitação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para operar com exportação de animais vivos, o terminal potiguar entra oficialmente em um mercado internacional bilionário dominado, hoje, principalmente pelos estados do Pará, Rio Grande do Sul e São Paulo.

A expectativa é que o primeiro embarque envolva cerca de 3,3 mil bovinos com destino ao Líbano, abrindo caminho para que o estado se torne uma nova plataforma logística para atender compradores do Oriente Médio e de outros mercados que preferem receber os animais vivos para realizar o abate em seus próprios territórios.

Antes de chegarem ao porto, os animais passam por um rigoroso processo sanitário. No Rio Grande do Norte, os bovinos destinados à exportação são encaminhados para Estações de Pré-Embarque (EPEs), estruturas credenciadas pelo Ministério da Agricultura onde permanecem em quarentena, sob acompanhamento veterinário e fiscalização oficial. Durante esse período, são realizados exames, inspeções e verificações exigidas pelos países compradores. Atualmente, o estado possui unidades habilitadas em Alto do Rodrigues e São Gonçalo do Amarante.

Somente após a liberação sanitária os animais seguem em caminhões até o Porto de Natal. Lá, passam por uma nova etapa de conferência conduzida pelo Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), órgão responsável por garantir que todas as exigências sanitárias nacionais e internacionais estejam sendo cumpridas. A fiscalização inclui identificação dos animais, análise documental e inspeções clínicas quando necessário.

Depois da liberação, os bovinos são embarcados em navios especializados, adaptados para o transporte de animais vivos. Essas embarcações contam com sistemas de ventilação, abastecimento de água, distribuição de alimento e manejo sanitário para garantir as condições mínimas de bem-estar durante a travessia oceânica. A legislação brasileira exige que os navios disponham de estrutura adequada para alimentação e manutenção dos animais ao longo da viagem.

A habilitação do Porto de Natal foi concedida após uma série de vistorias técnicas do Vigiagro, que atestaram o cumprimento dos requisitos estruturais, operacionais e sanitários necessários para esse tipo de operação. Além de bovinos, o terminal está autorizado a movimentar ovinos, equinos e suínos destinados ao mercado externo.

Vantagem geográfica

A aposta do governo estadual e do setor produtivo está na localização estratégica do Rio Grande do Norte. Situado no ponto mais próximo da Europa, da África e de parte do Oriente Médio em relação ao restante do território brasileiro, o estado pode reduzir significativamente o tempo de navegação em comparação com rotas que partem de outros portos exportadores do país.

Para Guilherme Saldanha, essa vantagem pode se traduzir em redução de custos e maior competitividade para as empresas interessadas em operar pelo terminal potiguar. “O Rio Grande do Norte é a esquina do mundo. A vantagem competitiva é espetacular”, declarou o secretário.

Na avaliação do governo, a redução do percurso representa economia com combustível, alimentação dos animais durante a viagem e custos operacionais das embarcações, fatores que podem tornar o terminal potiguar mais competitivo na disputa por esse mercado.

Outro diferencial apontado é a própria configuração do Porto de Natal. Localizado no estuário do Rio Potengi, o terminal oferece águas mais protegidas para as operações de embarque, condição considerada favorável para a movimentação de cargas sensíveis, como animais vivos.

Mais do que a venda dos animais, a expectativa é que a nova atividade impulsione uma cadeia econômica mais ampla. O processo envolve transporte rodoviário, produção de ração, serviços veterinários, estruturas de confinamento, manejo, armazenagem e operações portuárias.

A projeção do governo estadual é conquistar uma parcela relevante do mercado brasileiro de exportação de animais vivos, que movimenta bilhões de reais anualmente. Caso as operações se consolidem, a expectativa é de atração de novos investimentos para a pecuária potiguar e ampliação da movimentação econômica em diversas regiões do estado.

Com a autorização federal já concedida e o embarque-piloto previsto para as próximas semanas, o Porto de Natal passa a integrar uma rota comercial até então inédita para o Rio Grande do Norte. O resultado dessa primeira operação deverá servir como termômetro para medir o potencial de uma atividade que promete abrir uma nova frente de negócios para o agronegócio potiguar.

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