Ouvir vozes também é normal
Apesar de todo o estigma em torno do assunto, geralmente associado a transtornos como a esquizofrenia, ouvir vozes é um fenômeno que também deve ser encarado com normalidade.
“Ouvir vozes faz parte da natureza humana, não está necessariamente ligado a sintomas de problemas com a saúde mental. Cada um se apropria da experiência a seu modo, tem seu contexto de vida e singularidade. É mais fácil aceitar as vozes do que tentar eliminá-las”, revela Raiany Barbosa, psicóloga do Caps 3 (Centro de Atenção Psicossocial 3), na Zona Leste da cidade.
Segundo pesquisa do grupo Intervoice (The International Hearing Voices Network), de 2% a 4% da população mundial ouve vozes, o equivalente a cerca de 300 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, são seis milhões de pessoas que escutam vozes
“E nem todas têm algum agravamento ou adoecimento mental”, acrescenta Raiany, que auxilia o Grupo de Ouvidores de Vozes montão no Caps 3.
Os integrantes do grupo se reúnem semanalmente e contam como lidam com a questão.
“Alguns entendem como uma experiência ligada a um momento traumático da vida, outros interpretam como uma parte da espiritualidade… nesse grupo cada um conta sua história e sente que não está sozinho. Eles vão se ajudando, fazem reflexões, buscam entender que mensagens essas vozes trazem, o que lhes causa, o que acontece que a pessoa ouça essas vozes. É uma busca por autoconhecimento para que se apropriem dessa experiência”, explica a psicóloga.
Para participar do Grupo de Ouvidores de Vozes é preciso ter mais de 18 anos e não fazer uso abusivo de álcool e outras drogas. Por enquanto, apenas o Caps 3, atende as regiões leste e sul de Natal, desenvolveu o grupo, que foi divulgado durante nesta Semana da Luta Antimanicomial.
“Antes havia divulgação apenas dentro do Caps, mas achamos importante falarmos sobre essa questão também para o público em geral, por isso trouxemos para a Semana da Luta Antimanicomial. O Grupo de Ouvidores de Vozes é uma estratégia de espaço para que as pessoas falem de maneira segura, é um grupo de ajuda e suporte. Acaba sendo um recurso complementar a propostas terapêuticas já existentes no serviço, como o psicológico e psiquiátrico”, detalha a psicóloga Raiany Barbosa.
O grupo é pioneiro em Natal, foi fundado em 2022 e costuma se reunir às terças, a partir das 9h. A iniciativa é relativamente nova no Brasil, mas faz parte de um movimento internacional que já existe desde a década de 1980 em mais de 30 países.
Dentro da Semana da Luta Antimanicomial, a Prefeitura do Natal organizou uma programação com abordagem de diferentes temas, confira:

