Violência contra a mulher: maioria das vítimas é agredida na frente dos filhos no RN
Natal, RN 3 de jun 2026

Violência contra a mulher: maioria das vítimas é agredida na frente dos filhos no RN

25 de novembro de 2024
4min
Violência contra a mulher: maioria das vítimas é agredida na frente dos filhos no RN

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Entre 1º de janeiro de 2020 e 28 de agosto de 2024, 10.742 mulheres sofreram algum tipo de agressão física no Rio Grande do Norte e em 57,99 % dos casos (8.147 mulheres), a vítima foi agredida na frente do filho (a). Nesse mesmo período, o Tribunal de Justiça do RN emitiu 37.594 medidas protetivas, segundo o Projeto Marias – Radar da violência doméstica.

Dentre as agressões sofridas pelas vítimas, o empurrão foi o mais citado por 8.909 mulheres (21,28%), seguido pelo tapa (17%), citado por 7.137 e depois apareceu o puxão de cabelo, citado por 6.155 vítimas (14,7%). A contagem ainda registra casos de soco (14,6%), chute (12,85%), enforcamento (5,4%), sufocamento (4,26%), estrangulamento (3,27%), pauladas (2,16%), facadas (1,07%), queimaduras (0,72%), afogamento (0,17%) e tiro (0,14%).

Para 3.579 mulheres (25%) potiguares, as agressões ocorreram durante a gravidez ou nos três meses posteriores ao parto e as mulheres pardas foram maioria entre as vítimas, tanto de violência por agressão física, quanto por agressão sexual.

O perfil das vítimas

A maioria das mulheres (77%) vítimas de agressão se consideram independentes financeiramente do agressor. Porém, 47% delas dizem ter filho (s) com o agressor, sendo a maioria das crianas com idade entre 0 e 11 anos.

Quase metade das vítimas (45%) disseram ter tido familiares agredidos.

O perfil do agressor

Em 33,1% dos casos (4.650 homens), o agressor faz uso abusivo de álcool e/ou outras drogas. Já em relação ao uso de álcool e/ou outras rogas, a maioria faz uso abusivo, num total de 58% ou 8.201 homens.

A maioria (76%) dos agressores, num total de 10.715, não possui doença mental comprovada, 34% deles (4.786) já falaram ou tentaram suicídio e 66,73% (9.375) respeitou medida protetiva anterior. Um outro agravante é que 32,96% dos agressores (4.630) possuem acesso a arma de fogo.

Os dados utilizados no o Projeto Marias – Radar da violência doméstica.

são extraídos automaticamente dos processos judiciais de Medida Protetiva no sistema PJE. O objetivo é identificar fatores de risco para o aprimoramento das medidas de prevenção e proteção, e na criação de políticas públicas mais efetivas para combater essas formas de violência. 

Brasil

Outros dados também foram divulgados por outras instituições como parte do Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra a Mulher, celebrado nesta segunda (25).

No Brasil, duas em cada 10 mulheres (21%) já sofreram ameaça de morte pelo parceiro ou ex-parceiro. Além disso, seis em cada 10 conhecem alguma mulher que já vivenciou essa situação. Nos dois casos, as mulheres negras (pretas e pardas) são as maiores vítimas.

A pesquisa Medo, ameaça e risco: percepções e vivências das mulheres sobre violência doméstica e feminicídio, realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e pela Consulting do Brasil, também mostrou que seis em cada 10 mulheres ameaçadas romperam com o agressor, após a intimidação. Essa decisão foi mais comum entre as vítimas negras do que entre as brancas.

Uma das maiores preocupações das mulheres é com o feminicídio, já que para 60% delas, a sensação de que os agressores não pagam pelo mal que fazem tem relação com o aumento dos casos.

Oura constatação das mulheres é que, embora a rede de atendimento às mulheres seja boa, ela não é suficiente para dar conta da demanda. Para 80% das mulheres, nem a Justiça, nem as autoridades policiais encaram as ameaças e denúncias formalizadas com a seriedade necessária. 

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