Quando a ciclovia não é para o ciclista
Natal, RN 27 de jun 2026

Quando a ciclovia não é para o ciclista

10 de dezembro de 2024
4min
Quando a ciclovia  não é para o ciclista

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A cidade de Natal possui uma malha cicloviária que se aproxima dos 90km de estruturas cicloviárias. Conforme propaganda oficial da prefeitura e seus órgãos competentes, a proposta é construir 115km de malha cicloviária até o final de 2024. Dessa forma, a prefeitura entende que, naturalmente, haverá maior adesão das pessoas a usarem uma bicicleta como veículo de mobilidade urbana. Empolgada com sua proposta de tornar Natal uma cidade ciclável, a prefeitura anuncia que já estão disponibilizados no orçamento público e serão aplicados R$ 6,2 milhões na execução de projetos cicloviários, sendo tais gastos orçamentários concentrados na zona Norte que é a área entre as quatro zonas da cidade com maior fluxo de ciclistas. 

Porém, apesar do otimismo dos gestores municipais, como expressado pelo prefeito Álvaro Dias quando, sem nunca ter pedalado pelas ruas de Natal, afirma que “a capital potiguar caminha para ser referência em matéria de respeito aos ciclistas”. Eu, que sou ciclista urbano, que pedalo pelas ruas de Natal e posso provar neste link <https://www.strava.com/athletes/37083124>, afirmo, cada vez mais é desestimulante usar uma bicicleta pelas ruas de Natal e, por isso, indagamos a afirmação do prefeito Álvaro Dias, a começar pelo verbo utilizado, quem sai numa bicicleta pedala e não caminha… 

Quer seja em conversas informais com outros ciclistas, quer seja através de registros de sinistros envolvendo ciclistas ou nas quedas que eu já levei devido aos buracos das ruas da cidade, posso afirmar que pedalar em Natal é uma aventura extremamente perigosa com riscos diretos e iminentes à saúde do ciclista. Daí, pergunto: pedalar em Natal é um ato de bravura ou teimosia?

Recentemente, a Prefeitura de Natal lançou uma peça promocional dando dicas para os ciclistas, podendo ser visível no Instagram oficial aqui <https://www.instagram.com/reel/DDW_8q_uKpc/?igsh=OHEzNmhjb3p5dTRz>. Permeado de clichês sem importância, a peça promocional não aborda as questões realmente relevantes para quem de alguma forma, e por algum motivo, pedala pelas ruas e avenidas de Natal. 

Pois bem, como ciclista urbano, afirmo que as ciclovias de Natal não são para os ciclistas de Natal. Tirante a tentativa, tenebrosa, de criar forçadamente um espírito natalino fazendo o uso abjeto do que realmente é o espírito natalino para cristãos, a Prefeitura de Natal colocou, por terceira vez, uma árvore de péssimo gosto estético em cima de uma ciclovia em Ponta Negra. A árvore da discórdia, como ficou conhecida, já foi por mim analisada no dia 12 de novembro de 2021 aqui nesse link <https://saibamais.jor.br/2021/11/a-arvore-da-discordia/>.

A árvore em cima de uma ciclovia já me indica que as ciclovias de Natal não são construídas para ciclistas, porém, a consulta à excelente dissertação de mestrado e Agatha Figueira, disponível aqui <https://repositorio.ufrn.br/jspui/handle/123456789/55190>, mostra que essa expansão das ciclovias alardeadas pela Prefeitura de Natal não está ocorrendo onde há maior fluxo de ciclistas. E então, temos que as novas ciclovias estão sendo construídas como objeto de equipamento urbano que só serve para aumentar o preço do solo nos bairros de maior valorização. Ou seja, contraditoriamente, as ciclovias fazem parte de um projeto cada vez mais aviltado de empresariamento urbano de Natal.

Some-se a tais constatações, as ciclovias que são estacionamento de carros como aquela localizada na avenida Ayrton Senna, logo depois da lagoa de captação; também, e não menos importante, a falta de conservação das poucas ciclovias da cidade, como aquela da que começa na avenida Roberto Freire em direção ao campus da UFRN ou ciclovia do prolongamento da avenida Prudente de Morais que é local de registro de vários acidentes e assalto a ciclistas.

Pois bem, senhor atual prefeito de Natal Álvaro Dias, se o senhor quiser, posso lhe emprestar uma bicicleta e poderei lhe apresentar as ciclovias de Natal. O senhor irá constatar que, diferentemente da sua fala, está longe, a quilômetros de distância que a capital potiguar caminha, o pedala, para ser referência em matéria de respeito aos ciclistas!

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