Imprensa nacional repercute alagamentos na engorda de Ponta Negra
Natal, RN 5 de jun 2026

Imprensa nacional repercute alagamentos na engorda de Ponta Negra

31 de janeiro de 2025
5min
Imprensa nacional repercute alagamentos na engorda de Ponta Negra
Foto: Reprodução/Inter TV Cabugi

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Os problemas envolvendo a engorda de Ponta Negra, cujas obras foram oficialmente concluídas no último sábado (25), ganharam repercussão nacional através do jornal “Folha de São Paulo”. A matéria, publicada na edição de quinta-feira (30), destaca que o alargamento da faixa de areia da praia, principal cartão-postal de Natal, “as mudanças na área têm afastado frequentadores”.

“Muita gente tem achado a praia ‘diferente’, funda, está com medo de tomar banho com o mar agitado e preferindo ir para outras praias por causa das crianças”, disse ao jornal Kerginaldo Rodrigues Câmara, dono de uma barra na praia de Ponta Negra.

A matéria também chama a atenção para os alagamentos ocorridos na área engordada da praia em razão das primeiras chuvas do ano registradas em Natal, como noticiado pela reportagem da Agência Saiba Mais.

O professor de Engenharia Civil e Ambiental da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), Venerando Eustáquio Amaro, disse ao jornal que o sistema de drenagem não tem conseguido dar vazão à água e sofre, ainda, o impacto de ligações de esgoto clandestinas.

“Isso é uma das questões mais importantes que vêm sendo alertadas há muito tempo. Nós tivemos chuvas relativamente curtas em tempo e volume e elas já foram suficientes para mostrar a falência de caixas que foram construídas na intenção de reter essa água, de não permitir que ela escoasse sobre o aterro”, disse o professor ao jornal.

Maré alta também causou alagamento

Maré avançou sobre área da engorda. Foto: Reprodução Live Cam Natal.

A área engordada também alagou com o avanço da maré alta, durante dois dias consecutivos nesta semana. A obra, cujo custo total superou os R$ 100 milhões, foi “executada como previsto” e é “perfeita do ponto de vista técnico, científico e ambiental”, segundo o titular da Semurb (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo), Thiago Mesquita.

O secretário ressaltou que o projeto da engorda utilizou 1,3 milhão de metros cúbicos de areia, abrangendo uma área de 4,6 quilômetros da praia de Ponta Negra.

Thiago Mesquita também declarou que o alagamento provocado pelo avanço da maré era “algo extremamente natural”, porque a engorda “não vai parar a dinâmica costeira em Ponta Negra”.

De acordo com o secretário, a população foi avisada que o aterro hidráulico “estaria coberto por água diariamente” por causa desse “fenômeno da dinâmica costeira”.

“Nós sempre divulgamos, na simulação matemática do projeto, que na maré alta nós teríamos uma faixa de aria de 50 metros [de faixa de areia] e na maré baixa de 100 metros, colocando para a sociedade que 50% do aterro hidráulico diariamente estaria coberto por água”, disse.

Alagamentos “não eram esperados”, segundo professor da UFRN

O professor Venerando Eustáquio discordou do secretário. Para o pesquisador da UFRN, o alagamento provocado pela maré alta “não era o esperado”.

“Isso mostra que houve algum problema na altura da berma (superfície mais alta e plana do talude). Essas não são nem as marés mais altas do ano, as mais altas chegam a 2.7, 2.9 [de amplitude]. Quando isso acontecer, vai ficar tudo embaixo d’água”, alertou o professor à reportagem da Agência Saiba Mais.

Em relação aos problemas de drenagem da obra, o secretário Thiago Mesquita anunciou que o projeto só ficaria pronta em março pela Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra). Até lá, segundo o secretário, os alagamentos continuarão ocorrendo “uma vez ou outra”.

Para o professor Venerando Eustáquio, a conclusão do aterro hidráulico sem o sistema de drenagem não é um bom sinal.

“Esse é o sistema que não deveria ser empregado em praia de aterro. Não poderiam deixar que todo o volume de água da drenagem superficial, que vem carregada de esgoto, caísse ali, porque há esgotos clandestinos direcionados para o sistema de água pluvial ou que escorre pelas ruas, cai nos bueiros e vai parar na praia”, observou.

A drenagem das águas da chuva foi justamente um dos questionamento feitos pelo Idema (Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente) à Prefeitura de Natal para emitir a licença da obra. O órgão ambiental do Governo do Estado foi impedido de fiscalizar a construção do aterro hidráulico em razão de uma decisão judicial obtida pelo ex-prefeito Álvaro Dias (Republicanos).

Além dos alagamentos, frequentadores da praia têm reclamado da dificuldade de andar na orla em razão do surgimento de estruturas conhecidas como rodolitos, que são formações brancas e rígidas, resultado de algas calcárias.

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