Rogério volta a defender privatizar Caern e adotar medidas impopulares
O senador e pré-candidato a governador Rogério Marinho (PL) voltou a defender a privatização da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) e a necessidade do que chamou de “coragem de tomar algumas decisões que não são tão populares e fáceis de serem implementadas”.
A declaração foi dada em entrevista à 98 FM na última sexta-feira (9). Rogério falava sobre o seminário do Rota 22, projeto conservador impulsionado pelo Partido Liberal, e a necessidade de ter um diagnóstico acerca do governo do Rio Grande do Norte.
“É bom fazer a crítica, é conveniente você ser estilingue, mas qual é a proposta de resolução desse problema?”, disse o senador, que continuou:
“E, principalmente, você ter a coragem de tomar algumas decisões que não são, eu diria, tão populares e tão fáceis de serem implementadas. Por exemplo, fazer a privatização da Caern, porque nós temos hoje um processo em que 50% da água que é captada nos nossos reservatórios não chega no seu destino final. Nós temos uma taxa de cobertura de saneamento básico e de tratamento de água potável no Rio Grande do Norte que é bem abaixo da média nacional”, afirmou.
“A governadora está fazendo um estudo de uma PPP [Parceria Público-Privada] para manter essa estrutura arcaica. Eu, particularmente sou contra, acho que tem que ser uma concessão. Isso é uma discussão que a gente tem que travar com a sociedade”, defendeu. No ano passado, o Governo do Estado e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinaram um contrato para avançar nos estudos e modelagem para uma PPP voltada para a Companhia. Cerca de R$ 3,2 bilhões devem ser investidos e a expectativa é de que o edital seja lançado em abril de 2026.
Não foi a primeira vez que o líder da Oposição no Senado deu essa declaração. No final de março, ele já havia defendido a mesma proposta de privatização e o fim do aumento real de salário mínimo dos servidores públicos.
O diretor-presidente da Caern retrucou. Em entrevista à Agência SAIBA MAIS, Roberto Linhares afirmou que a fala do senador era inadequada e refletia um desconhecimento sobre a realidade do Rio Grande do Norte.
“Ele fala sobre abastecimento e sobre esgotamento no Estado que tem 90% de seus municípios no semiárido e que tem sistemas integrados de adutoras que chegam a quase 2.100 quilômetros de extensão. Ou seja, que tem um custo enorme para levar essa água para a população e, apesar disso, é uma das menores tarifas do Brasil. Uma companhia que vem rumando com governança, trazendo resultados positivos e não dependendo, nos últimos seis anos, de aportes do controlador. Ou seja, resolve o problema daquele menor município que precisa de água e que não é viável do ponto de vista financeiro”, apontou o dirigente da Caern.
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