Maioria da bancada do RN vota por derrubada de decreto que taxava mais ricos
Natal, RN 6 de jun 2026

Maioria da bancada do RN vota por derrubada de decreto que taxava mais ricos

26 de junho de 2025
4min
Maioria da bancada do RN vota por derrubada de decreto que taxava mais ricos
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

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Em uma semana marcada por contradições no Congresso Nacional, a maioria da bancada federal do Rio Grande do Norte votou a favor da derrubada do decreto presidencial que aumentava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), entre outras operações, para contribuintes brasileiros que faziam remessas ao exterior. O revés para o governo Lula (PT) foi acompanhado, na mesma noite de quarta-feira (25), da aprovação no Senado Federal de uma proposta que cria 18 novas vagas na Câmara dos Deputados, com impacto anual estimado em R$ 64,6 milhões ao Orçamento.

Na Câmara, o decreto foi derrubado por 383 votos a 98. Do RN, apenas os petistas Natália Bonavides e Fernando Mineiro votaram a favor da manutenção da medida proposta pelo presidente Lula.

Já Carla Dickson (União Brasil), Benes Leocádio (União Brasil), João Maia (PP), Robinson Faria (PP), Sargento Gonçalves (PL) e General Girão (PL) se posicionaram contra o decreto, favorecendo o fim da cobrança extra do IOF para transações financeiras internacionais – medida que, segundo o governo, mirava contribuintes de alta renda que enviam recursos para fora do país.

A deputada Natália Bonavides criticou duramente a decisão do Congresso Nacional. Em suas redes sociais, afirmou que “a direita acaba de derrubar a medida do presidente Lula que buscava fazer com que os ricos que mandam dinheiro pro exterior contribuam também com nosso país”.

Para ela, trata-se de uma escolha injusta, que beneficia exclusivamente os mais ricos. “O discurso do Congresso sobre cortes de gastos cai por terra. O que eles querem é cortar na saúde, educação e em tudo que favorece o povo”, completou.

O deputado Fernando Mineiro também repudiou o resultado da votação. Ele destacou que, com a derrubada do decreto, o governo federal será obrigado a realizar um corte de R$ 12 bilhões no Orçamento de 2025.

“A maioria do Congresso defende corte de gastos desde que não corte dos ricos. O resultado acarretará cortes de investimentos em saúde, educação e programas sociais para preservar privilégios de super-ricos”, escreveu.

No Senado, a votação foi simbólica, sem registro de votos nominais, exceto pela bancada do PT e pelo senador Weverton (PDT-MA), que manifestaram voto contrário à derrubada.

A posição do Ministério da Fazenda, por meio do ministro Fernando Haddad, foi de que o decreto apenas corrigia uma distorção: “O que o governo fez foi cobrar de quem devia estar pagando e não está, aqueles que ganham milhões por ano, para aliviar quem está pagando muito e poderia pagar menos”, afirmou.

A decisão do Congresso acontece no mesmo contexto em que deputados e senadores aprovaram a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia de 513 para 531 o número de cadeiras na Câmara dos Deputados.

A medida, que agora segue para promulgação, custará aos cofres públicos R$ 64,6 milhões a mais por ano, somando salários, auxílios, estrutura de gabinete e verba de custeio.

Enquanto o discurso sobre austeridade fiscal é frequentemente usado por parlamentares para justificar cortes em áreas sociais, a criação de novas cadeiras legislativas contrasta com o argumento de contenção de despesas. A medida deve inflamar ainda mais o debate sobre prioridades orçamentárias e a responsabilidade fiscal no Congresso Nacional.

O Congresso Nacional reforça, com isso, o sinal de que o ônus do ajuste fiscal pode continuar recaindo sobre os mais pobres, enquanto mantém ou amplia benefícios e espaços de poder para as elites políticas e econômicas do país.








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