RN tem dois professores da rede estadual concorrendo ao Prêmio Jabuti
O Rio Grande do Norte tem dois professores da rede estadual de ensino concorrendo ao prêmio de maior prestígio na literatura brasileira, o Prêmio Jabuti: Késsia Pessoa, professora e gestora da Escola Estadual 4 de Março, em Canguaretama, e José Osório de Lima Filho, professor mediador de leitura da Escola Estadual de Tempo Integral Professor Antônio Dantas, em Apodi.
Concorrendo na categoria “Educação”, Késsia fez um relato das iniciativas que mudaram o panorama da escola, que quase fechou por falta de alunos, para uma das mais disputadas da cidade, com pedido de vagas de estudantes que saíram até de escolas particulares.

“Passamos por diferentes situações, fomos convidados a fechar por diferentes problemas, como falta de professores, poucos alunos. Ninguém queria ser gestor da escola, mas saí da secretaria e aceitei o convite para me candidatar e tive 100% dos votos e apoio. Precisávamos fazer algo bem diferente. Visitamos a comunidade, fiz um gráfico apresentei à escola, fiz um plano de ação, fui de casa em casa apresentar o plano e convidar os pais a colocarem os alunos de volta na escola. Passamos de 50 a 100 alunos! Fizemos inovações com aulas de campo, gestão participativa, escuta afetiva, construímos a escola junto com a comunidade, daí o sentimento de pertencimento”, revela Késsia Pessoa, que relatou tosa essa experiência em livro, que tem se tornado referência “Uma escola que sente: narrativas reunidas”.

Atualmente, a escola que quase fechou por falta de alunos, tem cerca de 390 estudantes matriculados, inclusive, os próprios filhos da gestora, que deixaram a escola particular.
“Os professore precisavam acreditar e com isso alcançaram diferentes conquistas. Contamos trajetórias de sucesso no livro, da educação especial, exclusiva, o esporte, uma luta contra o fracasso escolar. Muita gente diz que acredita na escola pública, mas coloca os filhos na particular. Trouxe meus próprios filhos. Ano passado ganhamos a premiação nacional das Olimpíada do Tesouro Direto de Educação Financeira, a Olitef. Já recebemos visita da Unesco e a Unicef nos acompanha, inclusive, recebemos ofício do Ministério da Educação para representar o Rio Grande do Norte em setembro”, detalha a professora.

O livro que concorre ao Jabuti reúne toda a experiência de uma escola desacreditada para uma cujas vagas estão entre as mais disputadas da região. Foi da editora Appris, de Curitiba, a iniciativa para inscrever o livro de relatos no Jabuti, que ainda vai definir a lita dos semifinalistas, que são os autores que irão para o evento final.
“Mesmo acreditando muito, me surpreendo muito com as conquistas que os livros nos permitiram. Fui para a Bienal do Livro, no Rio de Janeiro, vou para a de Alagoas, para a Feira de livro de Mossoró…. essas surpresas mostram que não podemos desistir, que fazemos a diferença, não é fácil, tem que mobilizar muitos professores para que eles acreditem, para que não façam de qualquer jeito. A diferença da escola é o trabalho em equipe, não é só da gestão, passa pelo ASG [Auxiliar de Serviços Gerais], pela família…sem eles nada disso teria acontecido. Se falta professor, a gente não libera, temos um banco de dados com atividades. Ano passado tivemos ioga com professora voluntária, jiu-jitsu, capoeira, foi um trabalho coletivo porque a comunidade se envolveu”, comemora Késsia Pessoa.
Além dela, o professor José Osório de Lima Filho, Professor Mediador de Leitura da Escola Estadual de Tempo Integral Professor Antônio Dantas, em Apodi, também está na disputa pelo Jabuti. O livro “A Morte Social do Indivíduo – A história nua e crua de um esquizofrênico sofredor”, foi inscrito na categoria Biografia e Reportagem.

“É uma obra que mostra uma anamnese e uma catarse, demonstrando como ocorreu o processo de superação e, consequentemente, de conquista”, antecipa o autor.
A publicação, lançada pela Editora Paruna Libres (São Paulo), aborda de forma crua e sensível as dores da exclusão social, mental e existencial vividas por um esquizofrênico no Brasil contemporâneo.
“Fiquei em êxtase, muito feliz quando soube da notícia e sabendo que poderia ir muito além. Meu grande objetivo é me tornar um palestrante motivacional da saúde mental para contribuir com a construção dessa bandeira de luta em todo o país”, comenta o autor.
Natural de Apodi, Osório é formado em História pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), especialista em História do Brasil e espírita convicto. Além da atuação como Mediador de Leitura, também é Professor de Karatê e faixa preta na Associação Shoto Tigre de Karatê (ASTK).