Empresários do RN esperam reverter taxação de Trump antes que ela comece a valer
Natal, RN 25 de jun 2026

Empresários do RN esperam reverter taxação de Trump antes que ela comece a valer

10 de julho de 2025
5min
Empresários do RN esperam reverter taxação de Trump antes que ela comece a valer
Roberto Serquiz, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte I Foto: Mirella Lopes

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O petróleo, a fruticultura, a pesca, a mineração e a indústria do sal serão os setores mais impactados no Rio Grande do Norte com a taxação de 50% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a produtos brasileiros.

É muito cedo ainda, estamos a menos de 24 horas do anúncio, mas seguimos acompanhando todo o desenrolar junto à Confederação Nacional da Indústria. Estamos todos preocupados, cada estado dentro da sua realidade com toda essa situação que veio ontem de forma surpreendente”, declarou Roberto Serquiz, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), durante coletiva à imprensa realizada na manhã desta quinta (10).

Atualmente, alguns produtos, como o atum e peixes costeiros, como a cioba, têm 100% da produção exportada para os Estados Unidos.

No caso do sal, produto que tem 95% de sua produção nacional em solo potiguar, a tarifa de 50% deixaria o preço tão elevado que a produção do Rio Grande do Norte perderia competitividade, já que os outros países foram tarifados com uma taxa de apenas 10%.

“Estamos às portas da safra da fruticultura [se inicia em agosto] e o melão e a manga têm como destino o mercado norte-americano. Nós esperamos que haja uma reversão, um diálogo do governo brasileiro de forma que possamos ter essa situação solucionada e, então, voltemos a ter uma continuidade satisfatória dessa relação comercial”, estima Serquiz.

Imagem: reprodução Fiern

A economia potiguar vinha numa curva crescente de exportações. Num comparativo entre o primeiro semestre de 2024 e 2025, as exportações de petróleo para os Estados Unidos passaram de U$ 4 milhões para U$ 24 milhões. A fruticultura também registrou crescimento significativo, passando de U$ 2 milhões para U$ 11 milhões nesse mesmo período.

Nossa arrecadação hoje tem dependência dos nossos ativos naturais. Nós vínhamos numa boa performance. Imagine que nesse primeiro semestre de 2025 o RN exportou U$ 67 milhões contra U$ 30 milhões do mesmo período do ano passado, um crescimento de 127%”, revela Serquiz.

Para o professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Cassiano Trovão, a carta de Trump precisa ser analisada sob diferentes perspectivas, inclusive política:

Pela carta enviada ao Brasil pelo presidente dos EUA, percebe-se uma clara motivação política e uma tentativa de ingerência externa no sistema de justiça brasileiro. Acho que essa talvez tenha sido a tentativa de interferência política mais explícita de um país na política e nas instituições em outro país soberano”, comenta.

Imagem: reprodução Fiern

Com efeitos a curto e longo prazo, a taxação de Trump pode acabar afetando o preço interno dos produtos no Brasil.

Os EUA não são mais o principal destino das exportações brasileiras, mas ainda representam um mercado importante. Exportamos para lá produtos como petróleo, minério de ferro, café, avião, carne, laranja, etc. No curto prazo, o que se tem é a possibilidade de redução da receita dos exportadores, uma vez que esses produtos podem ficar mais caros para os americanos e as vendas pra lá caírem. O que pode impactar a balança comercial negativamente, por outro lado, os exportadores terão de encontrar um novo destino pros seus produtos, se for o mercado interno, é possível que a gente veja uma redução de preços de produtos como café, laranja, carne para os brasileiros”, calcula Trovão.

“Ainda é muito cedo pra dizer algo, até porque tudo vai depender da negociação e se o governo americano não irá recuar como já fez com outros países, uma vez que não a razão econômica para as medidas adotadas e sim política e ideológica para beneficiar aliados que hoje estão fora do poder”, acrescenta.

O governo brasileiro anunciou que adotaria medidas de reciprocidade caso a taxação seja mesmo aplicada sobre os produtos com origem no Brasil. Mas, os empresários esperam que tudo seja resolvido antes que isso aconteça.

“A data para começar a valer é 1º de agosto. Temos um período para, com um diálogo inteligente e uma atuação diplomática racional, conseguirmos reverter essa situação e essa é a grande esperança que nós temos”, comenta Serquiz.

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