Styvenson se diz ‘retraído’ com Flávio Bolsonaro após caso Master
O senador Styvenson Valentim (Podemos) reconheceu estar “retraído” em relação ao apoio a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a presidência por conta das revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master.
A declaração se deu em entrevista ao Jornal das 6, da 96 FM, na terça-feira (23).
“Eu anunciei o apoio ao Flávio, mas aí eu tô pouco retraído pelas condições que a gente tá acompanhando. Não vou mentir para vocês que esse escândalo do Banco Master atinge pelo menos uma boa parte do Senado, de ministérios”, afirmou.
Styvenson é pré-candidato à reeleição na chapa do bolsonarismo no Rio Grande do Norte. O grupo conta com Álvaro Dias (PL) para governador, Babá Pereira (PL) para vice, e Coronel Hélio (PL) na segunda vaga ao Senado.
Por outro lado, o senador teceu elogios a outro pré-candidato à presidência, Ronaldo Caiado (PSD), que é ex-governador de Goiás.
“Eu tenho uma atração política pelo Caiado por conhecer Goiás, por conhecer Goiânia. É muito tranquilo, é muito tranquilo. Quem conhece Goiânia diz: ‘Olha, é uma tranquilidade”’, afirmou.
Ainda na entrevista, o parlamentar foi questionado sobre a ausência de agendas com os demais pré-candidatos do seu grupo, mas justificou que as limitações ocorrem pelo fato das entregas do seu mandato não coincidirem com os demais compromissos.
O parlamentar já tentou se afastar do bolsonarismo em janeiro, dia em que o senador Rogério Marinho, presidente estadual do PL, comunicou a desistência de concorrer ao Governo do RN e anunciou apoio a Álvaro. O evento, com presença de Styvenson, ocorreu na sede estadual da sigla bolsonarista.
“Eu sempre fiz questão de dizer, não sou bolsonarista, temos ideias semelhantes, temos ideias alinhadas”, declarou o parlamentar na ocasião.
Saiba Mais: Apoiados pelo PL, Álvaro Dias e Styvenson dizem não ser bolsonaristas
Os “abalos” no bolsonarismo após o caso “Dark Horse” também foram reconhecidos anteriormente pelo coordenador da pré-campanha de Flávio, o senador potiguar Rogério Marinho.
Neste mês, em entrevista ao jornal O Globo, o parlamentar reconheceu que o caso causou abalo à campanha e provocou efeito negativo na trajetória nas pesquisas de intenção de voto.
“O questionamento feito ao Flávio é que uma relação privada veio a público de uma forma criminalizada. Se ele tivesse tido cuidado de expor isso antes, talvez o impacto não fosse tão grande. Não se trata de contrapartida, de advocacia administrativa nem de apresentação de projetos que vão beneficiar A ou B. Ele (Vorcaro) foi recebido fora da agenda mais de uma vez pelo nosso principal adversário (Lula). Não há perplexidade nem indignação. Quando você fala de Lula e de corrupção, isso está precificado. E na hora em que do nosso lado tem uma relação privada, é criminalizada porque não foi exposta da maneira adequada. Sem dúvida nenhuma, isso deu um abalo na campanha”, disse.
Saiba Mais: Rogério reconhece “abalo” na pré-campanha de Flávio Bolsonaro após caso “Dark Horse”
Em 22 de maio, dias após a revelação das conversas, pesquisa Datafolha mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu vantagem em intenção de votos Flávio Bolsonaro. A distância entre os dois pré-candidatos saiu de três para nove pontos percentuais, em comparação com o levantamento anterior, de 13 de maio.
Dark Horse
Em 13 de maio, o site Intercept Brasil divulgou o áudio em que o senador e pré-candidato à Presidência aparece solicitando R$ 134 milhões ao dono do banco Master para financiar o filme Dark Horse, uma espécie de cinebiografia de Jair Bolsonaro.
A gravação integra o material apreendido pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, investigado em um escândalo financeiro que levou à liquidação da instituição pelo Banco Central em novembro de 2025.
Saiba Mais: Áudio vazado de Flávio Bolsonaro com banqueiro investigado repercute entre políticos do RN
Já na terça (19), Flávio admitiu que foi à casa de Daniel Vorcaro no fim de 2025, depois da primeira prisão do dono do Banco Master. Na época, Vorcaro usava tornozeleira eletrônica como parte das medidas restritivas. O pré-candidato só reconheceu a ida à casa de Vorcaro após a informação ter sido revelada pelo portal Metrópoles.
Até então, o senador Flávio Bolsonaro sustentava não ter nenhuma relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. Em um primeiro momento, no dia 13, ele negou que o filme tivesse recebido dinheiro do banqueiro.
Repórter: Senador, por que o filme do seu pai foi bancado pelo Vorcaro?
Flávio Bolsonaro: É mentira. De onde você tirou isso? Ah, irmão, pelo amor de Deus. Aos jornalistas, bom trabalho e militante… De onde você tirou isso? É dinheiro privado.