Projeto promove debate sobre direitos com mulheres do Passo da Pátria
Natal, RN 6 de jun 2026

Projeto promove debate sobre direitos com mulheres do Passo da Pátria

20 de abril de 2026
4min
Projeto promove debate sobre direitos com mulheres do Passo da Pátria

Ajude o Portal Saiba Mais a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

O projeto “Mulheres que Constroem” realizou mais uma atividade da segunda edição com foco na orientação sobre direitos e enfrentamento à violência doméstica. O módulo “Seus direitos, sua voz: informações que empoderam” ocorreu na sede da Associação para o Desenvolvimento de Iniciativas de Cidadania do Rio Grande do Norte (ADIC), na comunidade do Passo da Pátria, em Natal.

A palestra foi ministrada pela advogada Bárbara Fernandes, da Diretoria de Políticas Complementares da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Durante o encontro, foram apresentadas informações sobre os direitos das mulheres, os diferentes tipos de violência doméstica e os mecanismos legais de proteção.

Segundo a advogada, o acesso à informação é fundamental para que mulheres reconheçam situações de violência e busquem apoio.

Quando a mulher conhece os seus direitos, ela passa a reconhecer situações de violência e entende que não está sozinha. A informação é uma ferramenta poderosa de transformação e de recomeço”, afirmou.

Dados indicam que a violência contra a mulher segue em patamar preocupante no Rio Grande do Norte. Apenas nos dois primeiros meses de 2026, o estado registrou oito casos de feminicídio, número 60% maior que o observado no mesmo período do ano anterior, segundo levantamento divulgado pela imprensa local com base em dados da Secretaria de Segurança Pública .

Em 2025, o RN contabilizou 21 mulheres assassinadas por feminicídio, dois casos a mais que em 2024, de acordo com dados da Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análises Criminais (Coine). A série recente mostra ainda 24 registros em 2023 e 19 em 2024. Além disso, o estado apresentou taxa de 6,1 casos de feminicídio (entre consumados e tentados) por 100 mil habitantes em 2025, conforme o Relatório Anual de Feminicídios no Brasil, elaborado por pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina.

O projeto

A atividade abordou as diversas formas de violência previstas na legislação, como física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. Também foram destacados instrumentos legais como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, que garantem medidas protetivas e assistência às vítimas.

Outro ponto discutido foi o ciclo da violência, caracterizado pela repetição de fases dentro de relações abusivas. A identificação desse padrão, de acordo com a palestrante, é essencial para a interrupção da violência.

O encontro trouxe orientações sobre autonomia financeira, com informações sobre qualificação profissional, acesso ao mercado de trabalho e incentivo ao empreendedorismo.

A atividade contou com a participação das mulheres atendidas pelo projeto, que também compartilharam experiências durante o encontro. O objetivo da iniciativa é ampliar o acesso à informação e fortalecer estratégias de enfrentamento à violência e promoção da autonomia feminina.

Mulheres que Constroem

Criado em 2025, o projeto “Mulheres que Constroem” atua no Rio Grande do Norte com foco na formação e no fortalecimento de mulheres em situação de vulnerabilidade, especialmente vítimas de violência doméstica. A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Sistema Fecomércio RN, por meio do Sesc e Senac, e a Procuradoria da Mulher da Assembleia Legislativa do RN (ProMulher).

A proposta vai além do acolhimento jurídico e psicológico e inclui a qualificação profissional e o incentivo ao empreendedorismo como estratégias para promover autonomia financeira.

O primeiro ciclo foi realizado no bairro de Felipe Camarão, em Natal, com a participação de cerca de 70 mulheres. Em 2026, o projeto entrou em nova fase e começou a ser ampliado para outras comunidades da capital, como o Passo da Pátria.

Entre os temas trabalhados estão direitos das mulheres, educação financeira, geração de renda e fortalecimento da autoestima. A iniciativa também prevê suporte para garantir a permanência das participantes, incluindo atividades voltadas aos filhos durante os encontros.

SAIBA MAIS:
Curso de gastronomia fortalece autonomia de mulheres na Zona Norte
Políticas para mulheres: programa conecta coletivos feministas e gestão pública

Apoiar Saiba Mais

Pra quem deseja ajudar a fortalecer o debate público

QR Code

Ajude-nos a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Este site utiliza cookies e solicita seus dados pessoais para melhorar sua experiência de navegação.