Potiguar usa redes sociais para resgatar memórias e imagens da velha Natal
Natal, RN 20 de jun 2026

Potiguar usa redes sociais para resgatar memórias e imagens da velha Natal

20 de junho de 2026
5min
Potiguar usa redes sociais para resgatar memórias e imagens da velha Natal

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Entre fotografias amareladas pelo tempo, retratos de famílias desconhecidas e cenas de uma Natal que já não existe, Haleson Pereira de Oliveira encontrou uma forma de realizar, ainda que por outros caminhos, um sonho antigo. Aos 43 anos, o criador da página Velha Natal transformou a paixão pela história da capital potiguar em um projeto que, em pouco mais de um mês de existência, já reúne quase 40 mil seguidores interessados em revisitar o passado da cidade.

A história da página começou muito antes do primeiro post publicado em 17 de maio deste ano. Filho de uma realidade que o levou ao mercado de trabalho ainda jovem, Haleson não conseguiu seguir o caminho acadêmico que desejava.

“Meu grande sonho sempre foi fazer uma faculdade de História, pois tenho um verdadeiro fascínio por fatos históricos e fotos antigas, que contam o passado. Infelizmente, a realidade me obrigou a trabalhar muito cedo para garantir o sustento”, relata em entrevista à Agência Saiba Mais.

Sem diploma universitário, mas movido pela curiosidade e pelo interesse em conhecer as transformações da cidade, ele decidiu criar um espaço dedicado à memória natalense. A estreia da página aconteceu com uma fotografia histórica das lavadeiras no Riacho das Quintas. Desde então, a iniciativa passou a atrair diariamente pessoas interessadas em reencontrar lugares, personagens e costumes que marcaram diferentes épocas da capital.

A verdadeira motivação para criar esta página foi o desejo genuíno de promover o resgate histórico. Sinto uma vontade imensa de dividir com o público a trajetória da nossa cidade, algo que infelizmente ainda é pouco conhecido e divulgado”, afirma.

O sucesso foi quase imediato. Em poucas semanas, a página ultrapassou a marca de dezenas de milhares de seguidores e passou a receber contribuições de moradores, pesquisadores e colecionadores de imagens antigas.

Foto: cedida

O acervo que abastece as publicações nasce de uma combinação entre pesquisa e colaboração coletiva. Haleson busca registros em arquivos digitais, grupos de discussão e plataformas acadêmicas, mas boa parte do material chega diretamente pelas mãos dos seguidores.

“O acervo é fruto de um garimpo no Google, no site da UFRN e em grupos do Facebook, mas a maioria vem de doações dos seguidores“, explica.

Ele destaca ainda a colaboração de pesquisadores e entusiastas da história local, como Jefferson Bernardino, Franklin Seabra, Alberto Cláudio, o professor Geraldo Gurgel e o pesquisador Rostand Medeiros.

Cada fotografia passa por um processo de verificação. Ano, local, autoria e procedência são conferidos antes da publicação. O cuidado busca garantir a fidelidade histórica dos registros e valorizar aqueles que contribuem para preservar a memória da cidade.

O envolvimento do público tem sido uma das marcas do projeto. Famílias inteiras passaram a compartilhar fotografias guardadas em álbuns particulares, muitas delas desconhecidas do grande público. Entre os contatos mais significativos recebidos pela página está o de familiares do fotógrafo Jaeci Emerenciano Galvão, responsável por documentar importantes momentos da história de Natal.

As imagens despertam diferentes emoções, mas uma delas ocupa lugar especial na memória do criador da página. Trata-se de uma fotografia que mostra o Padre João Maria visitando moradores pobres da cidade nas primeiras décadas do século XX.

“Embora eu não seja uma pessoa religiosa, nutro uma profunda admiração e um imenso respeito pela figura histórica e humanitária do Padre João Maria. Ver esse momento eternizado me toca profundamente”, conta.

Mais do que reunir fotografias antigas, a Velha Natal tem se consolidado como um espaço de encontro entre gerações. Nos comentários das publicações, moradores compartilham lembranças da infância, contam histórias de familiares e ajudam a identificar personagens e cenários registrados décadas atrás.

Para Haleson, esse movimento revela uma demanda crescente por iniciativas de preservação histórica. Ele acredita que a sociedade tem demonstrado mais interesse em valorizar a memória local do que os próprios gestores públicos.

“A importância disso é enorme, pois aproxima as pessoas da história de sua cidade, valorizando o passado e mantendo-o vivo para as próximas gerações“, afirma.

Em uma era dominada pela velocidade das informações e pelo consumo instantâneo de conteúdo, a página mostra que ainda existe espaço para olhar para trás. Cada fotografia compartilhada funciona como uma pequena janela para uma Natal que resiste ao tempo, preservada não apenas em arquivos e documentos, mas também na memória afetiva de quem viveu, ouviu ou aprendeu a contar a história da cidade.

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