Igor Cabral vai a júri popular por tentativa de feminicídio em Natal
Natal, RN 25 de jun 2026

Igor Cabral vai a júri popular por tentativa de feminicídio em Natal

25 de junho de 2026
6min
Igor Cabral vai a júri popular por tentativa de feminicídio em Natal
Ex-atleta é acusado de agredir a então namorada, Juliana Soares, com mais de 60 socos dentro de um elevador em um condomínio no bairro de Ponta Negra

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O ex-atleta de basquete Igor Eduardo Pereira Cabral será submetido a julgamento pelo júri popular. A decisão é da 1ª Vara Criminal de Natal, que pronunciou o réu por tentativa de feminicídio, com duas qualificadoras, em caso que alcançou repercussão nacional. Cabral é acusado de agredir a então namorada, Juliana Soares, com mais de 60 socos dentro de um elevador em um condomínio no bairro de Ponta Negra. O caso aconteceu em julho do ano passado.

O júri popular ainda não tem data para acontecer. O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) apontou na decisão — que manteve a prisão preventiva — que Cabral possui periculosidade social e risco de cometer novo crime caso retorne à liberdade.

“A gravidade concreta do crime, evidenciada pelo modus operandi de extrema violência e crueza — traduzido no espancamento contínuo de sua namorada em ambiente confinado, desfigurando-lhe a estrutura óssea facial e impondo-lhe severa sequela neurológica permanente —, demonstra a acentuada periculosidade social do agente e o risco real de reiteração delitiva caso restituído à liberdade”, destacou a decisão.

A Justiça ainda apontou que a materialidade do crime foi demonstrada por meio de elementos técnicos e documentais, atestando que a vítima sofreu fraturas severas no esqueleto facial. Juliana Soares precisou de cirurgia reconstrutiva complexa com a fixação de 7 placas de titânio e 31 parafusos, evoluindo com sequela neurológica consolidada de paralisia facial periférica total à direita (grau VI).

“A autoria material é inequívoca e repousa, primordialmente, nas contundentes mídias gravadas pelo circuito interno de segurança do elevador. As imagens revelam o acusado encurralando a ofendida no interior do cubículo e desferindo contra ela uma sucessão ininterrupta e violenta de socos concentrados na região vital da face, prolongando as agressões enquanto a vítima se encontrava caída e indefesa no chão”.

Defesa argumentou que agressões não causaram ‘perigo de vida’

A decisão também afastou a argumentação da defesa do réu de que as lesões ocasionadas “embora graves, não geraram um ‘perigo de vida’ clínico, concreto ou imediato sob a ótica estritamente pericial”. Conforme a decisão, tais argumentos não se revelam aptos a afastar, na atual fase, a admissibilidade da tese acusatória.

“A ausência de um quadro clínico imediato de ‘perigo de vida’ não exclui, por si só, a configuração do crime na modalidade tentada. O dolo de matar não se afere exclusivamente pelo sucesso do dano biológico ou pela letalidade imediata constatada em laudo pós-fato, mas sim pela idoneidade dos atos de execução e pelo potencial letal do comportamento no momento da ação. O ato de desferir múltiplos golpes concentrados na cabeça e na face da vítima, utilizando-se, inclusive, de apoio em barra do elevador para conferir maior potência mecânica aos impactos, impede a rejeição sumária do intento homicida por parte do juiz togado”, anotou o juízo da 1ª Vara Criminal de Natal.

Relembre o caso

Igor Cabral, 29, foi detido em um sábado (26 de julho) depois de espancar a então namorada, Juliana Soares, de 35 anos, com mais de 60 socos dentro de um elevador em um condomínio, no bairro de Ponta Negra, na Zona Sul de Natal.

Imagens do circuito interno registraram o momento em que ela leva dezenas de socos. A violência deixou a vítima com o rosto desfigurado. O segurança do condomínio, ao ver as imagens, acionou a Polícia Militar.

Quando o elevador chegou ao térreo, o agressor foi contido pelos moradores até a chegada dos policiais. A vítima, que foi levada para o Hospital Walfredo Gurgel, sofreu fraturas no rosto, deslocamento da mandíbula e perda parcial da visão.

A delegada Victória Lisboa relatou que o agressor, ao prestar depoimento na Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam), alegou que tinha claustrofobia. Depois de ser detido em flagrante, durante audiência de custódia, Igor teve a prisão preventiva decretada.

A discussão, segundo a Polícia Civil, teria começado em uma área comum do condomínio, onde eles faziam um churrasco com amigos. Juliana relatou que Igor teve uma crise de ciúmes quando ela lhe mostrou mensagens que havia recebido em seu celular.

Outras violências

Em depoimento à Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher da Zona Leste, Oeste e Sul (DEAM-ZLOS), Juliana revelou que Igor Cabral, antes de cometer a tentativa de feminicídio, havia lhe estimulado a cometer suicídio.

Ela informou que já havia sido agredida com um empurrão e que em outras ocasiões ela conversou com ele sobre a possibilidade dela se matar e ele incentivava ela a tomar essa atitude”, contou a delegada.

Ela estava com o psicológico abalado e aí ele a estava incentivando [a tomar os remédios]. Isso, inclusive, será apurado melhor porque também pode configurar crime”, acrescentou a delegada.

Em entrevista à TV Tropical, Juliana também contou que o ex-namorado demonstrava comportamento possessivo, já havia lhe empurrado e cometido muita violência psicológica, mas não imaginava que ele chegaria ao ponto de tentar matá-la.

Ele disse que ia me matar”, relatou escreveu a vítima em bilhete

Em um bilhete escrito à mão, no dia do crime, Juliana relatou aos policiais de plantão que Igor disse que iria matá-la.

No mesmo bilhete, ela contou ficou no elevador porque sabia que o agressor iria bater nela. “Eu sabia que ele ia me bater. Então, não saí do elevador. Ele começou a me bater e disse que ia me matar”, escreveu.

Como denunciar

Polícia Militar: ligue 190

Polícia civil: ligue 181

Central de Atendimento à Mulher: ligue 180

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