Rogério espera reverter “retração” de Styvenson com Flávio Bolsonaro
Após o senador Styvenson Valentim (Podemos) se dizer “retraído” a apoiar Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a presidência por conta das revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master, o senador Rogério Marinho (PL) afirmou que espera contar com o apoio do colega para outubro.
Styvenson revelou a “retração” na última terça-feira (23), em entrevista à 96 FM.
“Eu anunciei o apoio ao Flávio, mas aí eu tô pouco retraído pelas condições que a gente tá acompanhando. Não vou mentir para vocês que esse escândalo do Banco Master atinge pelo menos uma boa parte do Senado, de ministérios”, afirmou.
O parlamentar do Podemos é pré-candidato à reeleição na chapa do bolsonarismo no Rio Grande do Norte. O grupo conta com Álvaro Dias (PL) para governador, Babá Pereira (PL) para vice, e Coronel Hélio (PL) na segunda vaga ao Senado. Já Rogério Marinho coordena a pré-campanha de Flávio à presidência.
Nesta quinta (25), também à 96 FM, Rogério comentou sobre as declarações de Styvenson e disse contar com o apoio do senador ao seu aliado.
“O tempo é o senhor da razão. Nós vamos ter um período aí em que essas acusações que foram colocadas, ou essas dúvidas, vão ser postas por terra. Styvenson é alguém que tem muito valor. Nós acreditamos que ele tem feito um grande trabalho como senador da República, queremos muito o apoio dele, e vai ser muito importante para o nosso projeto e vamos tentar fazer com que ele concretize esse apoio, reafirme esse apoio. O tempo é quem vai responder essa questão”, disse.
Neste mês, em entrevista ao jornal O Globo, Marinho reconheceu que o caso causou abalo à campanha e provocou efeito negativo na trajetória nas pesquisas de intenção de voto.
“O questionamento feito ao Flávio é que uma relação privada veio a público de uma forma criminalizada. Se ele tivesse tido cuidado de expor isso antes, talvez o impacto não fosse tão grande. Não se trata de contrapartida, de advocacia administrativa nem de apresentação de projetos que vão beneficiar A ou B. Ele (Vorcaro) foi recebido fora da agenda mais de uma vez pelo nosso principal adversário (Lula). Não há perplexidade nem indignação. Quando você fala de Lula e de corrupção, isso está precificado. E na hora em que do nosso lado tem uma relação privada, é criminalizada porque não foi exposta da maneira adequada. Sem dúvida nenhuma, isso deu um abalo na campanha”, disse.
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Em 22 de maio, dias após a revelação das conversas, pesquisa Datafolha mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu vantagem em intenção de votos Flávio Bolsonaro. A distância entre os dois pré-candidatos saiu de três para nove pontos percentuais, em comparação com o levantamento anterior, de 13 de maio.
Dark Horse
Em 13 de maio, o site Intercept Brasil divulgou o áudio em que o senador e pré-candidato à Presidência aparece solicitando R$ 134 milhões ao dono do banco Master para financiar o filme Dark Horse, uma espécie de cinebiografia de Jair Bolsonaro.
A gravação integra o material apreendido pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, investigado em um escândalo financeiro que levou à liquidação da instituição pelo Banco Central em novembro de 2025.
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Já na terça (19), Flávio admitiu que foi à casa de Daniel Vorcaro no fim de 2025, depois da primeira prisão do dono do Banco Master. Na época, Vorcaro usava tornozeleira eletrônica como parte das medidas restritivas. O pré-candidato só reconheceu a ida à casa de Vorcaro após a informação ter sido revelada pelo portal Metrópoles.
Até então, o senador Flávio Bolsonaro sustentava não ter nenhuma relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. Em um primeiro momento, no dia 13, ele negou que o filme tivesse recebido dinheiro do banqueiro.
Repórter: Senador, por que o filme do seu pai foi bancado pelo Vorcaro?
Flávio Bolsonaro: É mentira. De onde você tirou isso? Ah, irmão, pelo amor de Deus. Aos jornalistas, bom trabalho e militante… De onde você tirou isso? É dinheiro privado.