Petroleiros vão vender gás pela metade do preço em Natal para explicar razões da greve
Natal, RN 23 de jun 2024

Petroleiros vão vender gás pela metade do preço em Natal para explicar razões da greve

10 de fevereiro de 2020
Petroleiros vão vender gás pela metade do preço em Natal para explicar razões da greve

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O Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Norte anunciou a venda de botijão de gás por R$ 40, o equivalente à metade do preço cobrado atualmente. A ação será realizada na manhã da sexta-feira (14), em frente à sede da Petrobras em Natal, no bairro de Cidade da Esperança. A iniciativa vem sendo realizada em outros estados com sucesso. O objetivo é explicar à população as razões da greve da categoria iniciada em 1º de fevereiro. O movimento já paralisou 91 unidades de 13 estados do país.

A pauta local inclui entre as reivindicações a retomada dos investimentos da Petrobras para recuperar a produção e a capacidade de refino de petróleo e gás no Rio Grande do Norte. O Estado potiguar, que já foi o segundo maior produtor de petróleo no Brasil e teve pico de 110 mil barris por dia, hoje produz em torno de 36 mil.

“Os petroleiros inauguram uma inédita reivindicação que é ampliar a produção das unidades da Petrobras”, afirma o coordenador geral do Sindipetro-RN, Ivis Corsino.

O movimento também luta para reverter em nível nacional o desmonte da estatal e as demissões aproximadas de mil trabalhadores da Fábrica de Fertilizantes Araucária Nitrogenados, no Paraná.

No Rio Grande do Norte, onde o setor respondeu, em 2018, por 45% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial e contribuiu com R$ 437 milhões em royalties para o Estado e 97 municípios, as mobilizações atingem o campo terrestre do Alto do Rodrigues, o polo industrial de Guamaré e a base administrativa de Mossoró. Segundo o Sindipetro-RN, diariamente estão sendo realizadas atividades para manter a categoria organizada, alertar a população sobre os prejuízos causados pela política de privatização da Petrobras e conquistar o apoio da sociedade potiguar à greve.

Entre as atividades realizadas nos últimos dias para mobilizar os trabalhadores e esclarecer a população estão assembleias, controle do fluxo de carros nas rodovias a exemplo da ação do dia 7 de fevereiro na estrada do óleo (que escoa parte da produção no Estado), formação de comissão de trabalho para avaliar a segurança das atividades e o atraso de embarque para atualização do quadro nacional.

Além da suspensão das demissões em massa e o cumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho, os trabalhadores querem mudança na política de preços da Petrobras, que passou a acompanhar o valor internacional do barril do petróleo, e colocar freio na política econômica de privatização do governo de Jair Bolsonaro.

Desmonte

Setor do petróleo representou 45% do PIB industrial do RN e gera R$ 437 milhões de royalties para Estado e 97 municípios no Estado

Após mais de quatro décadas de atuação no Estado, a empresa não vê mais vantagens em continuar as atividades e tem acelerado o processo de saída, deixando um saldo negativo nos postos de trabalho e nos investimentos. Entre 2015 e 2018, cinco mil funcionários efetivos e terceirizados foram demitidos e a redução nos investimentos chega a 38%, equivalente a R$ 889 milhões. Neste mesmo período, o salário médio do segmento de extração de petróleo e gás no Nordeste sofreu uma queda de 58%. Nas atividades de apoio à indústria petrolífera, a redução foi de 17%.

A Petrobras não considera rentável a continuidade da exploração de campos em terra e águas rasas e tem trabalhado para concentrar as atividades na área do Pré-Sal. O presidente da Petrobras Roberto Castello Branco já admitiu abandonar a produção nos estados do Nordeste, Norte e Sul, e voltar as atenções para a região Sudeste.

“No futuro próximo, até 2022, a Petrobras será uma empresa de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo”, afirmou durante evento da Associação Comercial do Rio de Janeiro, realizado em agosto passado.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) contesta as declarações do presidente da empresa e afirma que a venda de ativos e as reduções de investimentos, que já chega a mais de 50%, tem acontecido também no Pré-Sal. Como resultado, a Petrobras informou em nota que as reservas provadas de petróleo estão em 9,59 bilhões de barris de óleo equivalente (boe), o menor nível de reserva da estatal desde 2001.

O presidente da Petrobras havia garantido em maio de 2019 à governadora do Rio Grande do Norte Fátima Bezerra, em reunião na sede da estatal no Rio de Janeiro, a manutenção de pelo menos 60% da produção em terra e ampliação do refino no Polo de Guamaré. Mas passados oito meses, “das cinco plantas da unidade industrial, duas estão desativadas e as três restantes funcionam com apenas metade da sua capacidade”, pontua Ivis Corsino. O sindicato alerta que a redução do efetivo de trabalhadores e as condições de operação no Polo devem inviabilizar funcionamento e o local deverá servir apenas para armazenamento e transferência de petróleo e gás.

Segundo o Sindipetro-RN, estão previstas, ainda, vendas para o primeiro semestre de 2020 dos campos de Alto do Rodrigues e Estreito, permanecendo praticamente sob o controle da Petrobras apenas o campo de Canto do Amaro, não sendo possível manter o percentual garantido por Roberto Castello Branco. Além destas áreas, os Polos de Riacho da Forquilha, de Macau, de Ponta do Mel e de Redonda já foram vendidos, e o Polo Rio Grande do Norte (plataformas de Guamaré) já foi anunciado para venda.

Petrobras quer suspender greve

Petroleiros ocuparam uma sala no edifício-sede da Petrobras, no Rio de Janeiro (Foto: FUP)

No dia 6 de fevereiro, a Justiça do Trabalho determinou o bloqueio em contas de sindicatos que participam de greve e liberou a empresa a fazer contratações temporárias enquanto durar a paralisação. Mesmo com a decisão, a FUP informou que manterá a greve e recebeu o apoio de trabalhadores de diversas categorias e movimentos sociais em ato realizado na sexta-feira (7) em frente à sede da Petrobras. De acordo com a Federação, “a adesão à greve de 20 mil trabalhadores ocorre sem piquetes, só na base do convencimento, em cumprimento à decisão do ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ives Gandra”.

A Comissão de Negociação Permanente da FUP completou neste domingo (9), dez dias de ocupação de uma sala do quarto andar no edifício-sede da Petrobras no Rio de Janeiro, cobrando interlocução com a gestão da empresa para suspender as demissões na Fábrica de Fertilizantes de Araucária e abrir fóruns de negociação para cumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho.

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