OPINIÃO

Universidade Federal do Meu Coração

Sempre que ouço barulho de avião, eu corro, fico olhando para cima até ele sumir de vista. Dizem que é coisa de matuto, o que por acaso sou mesmo. Assim como era ninguém antes de entrar na UFRN. Ninguém é exagero. Mas, certamente, era menos do que sou hoje. Porém, ainda matuta.

Estar no campus me renova uns quinze anos. Posto que só tenho 27, é como se voltasse a ser criança. Juro. A UFRN me engole. Engole e preenche, é bem verdade. Sinto que não sei nada, mas que posso saber tudo. Tanto ao alcance, que um frescor de esperança me toma. Muito se fala hoje sobre empoderamento, talvez seja assim que ele se forme. Quando descobrimos possibilidades.

Foi na Universidade onde conheci, direta e indiretamente, 90% dos meus amigos. Consegui meu primeiro trabalho. E até mesmo onde morei por quatro anos. Sim, sem a assistência estudantil, muito provavelmente, não existiria ensino superior para mim. Confesso: tenho imensa dificuldade de imaginar minha vida sem ter passado pela UFRN. Seria de fato outra vida e outra pessoa.

Então – e inclusive literalmente – a universidade já foi e continua sendo um lar. Em todas as suas ruas, edifícios, árvores, ambulantes mil, livros, gatos, amigos, amores. Por isso, de todos os sentimentos que habitavam, à época, o coração de uma moradora de residência estudantil, a solidão pouco me visitou. Pude ser inúmeras de mim.

Estranhamente ainda hoje sinto que a vida corre, o tempo mais ainda, mas, de algum modo, essas linhas perpassam pelo que a Universidade fez de mim. Gostaria de devolver, de retribuir. É como se meus caminhos sempre dessem na UFRN. Por gratidão, por afeto. Gostaria, sobretudo, que não fosse só eu a sentir assim.

Como seria bom se os caminhos de todo o mundo dessem em lugares bonitos. Para que no futuro também possamos construir lugares bonitos a perder de vista. No conforto de poder ser tudo, até mesmo uma matuta.

 

 

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Ana Clara Dantas é jornalista e escreve às sextas-feiras