Comunidade da Vila de Ponta Negra relata impactos da engorda em documentário
Natal, RN 4 de jun 2026

Comunidade da Vila de Ponta Negra relata impactos da engorda em documentário

4 de junho de 2026
3min
Comunidade da Vila de Ponta Negra relata impactos da engorda em documentário
O documentário estreia na próxima quarta-feira (10), às 9h, no auditório da Biblioteca Central Zila Mamede, da UFRN - Foto: Divulgação

Ajude o Portal Saiba Mais a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

“Só tem areia, areia cheia de cascalho de pedra. A engordar não foi nada bom. A praia acabou, a gente só vê o barulho das ondas, mas não vê as ondas. Ficou uma praia artificial”. O relato é da rendeira da Vila de Ponta Negra e mestra do pastoril, Maria Helena, no documentário “Maré Cheia: entre rendas, redes e resistência”.

A produção, a ser lançada na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, faz o que a prefeitura de Natal não fez durante os processos de revisão do Plano Diretor e das obras da engorda de Ponta Negra: dá voz à comunidade tradicional da Vila de Ponta Negra, com relatos sobre os impactos sociais, ambientais e urbanos provocados pelas recentes intervenções na orla de Natal.

O documentário estreia na próxima quarta-feira (10), às 9h, no auditório da Biblioteca Central Zila Mamede, da UFRN.

A produção reúne histórias de moradores da Vila de Ponta Negra, pesquisadores, representantes do poder público e órgãos de fiscalização sobre as alterações promovidas na praia. O documentário dá visibilidade às comunidades tradicionais do território e às mudanças que vêm alterando modos de vida historicamente ligados à comunidade, como a pesca artesanal e a renda de bilro. 

A obra é fruto do projeto de extensão da “Esta cidade é minha: a comunicação como estratégia de visibilidade e fortalecimento na construção de territórios sustentáveis”, e foi desenvolvida pelas servidoras Tatiana Castro e Sandra Mara, da Comunica, e por Yann Henrique, Rierson Marcos, Beatrice Ramos e Gabriel Dias, estudantes do Departamento de Comunicação Social (Decom/UFRN).

A mestra do pastoril Maria Helena é uma das entrevistadas no documentário Maré Cheia – Foto: Divulgação

Tatiana Castro, coordenadora do projeto e diretora do documentário, conta que a ideia foi dar espaço para as vozes que normalmente não apareciam na mídia em matérias sobre a engorda — especialmente a comunidade tradicional. Entre os entrevistados, além da rendeira Maria Helena, estão a pescadora artesanal Núbia Peixoto, o geólogo Venerando Amaro, o procurador da República Camões Boaventura, entre outros. 

Tatiana conta que observou uma enorme sabedoria vinda da comunidade sobre os impactos da engorda, destacados por meio de uma ação do Ministério Público Federal (MPF) e de um relatório de auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) que apontaram problemas e falhas na obra.

“A gente trouxe esses conhecimentos, esses saberes populares, ancestrais, para dialogar com esses outros saberes científicos que são tão importantes quanto. Por isso que a palavra da dona Helena e de Núbia são muito importantes, porque o MPF já estava em cima, as pessoas já estavam em cima, mas o que se sabia dos moradores, o que se sabia dos impactos de quem vive a Vila mesmo? A vila ainda está viva? A gente faz esse questionamento”, prossegue.

A diretora explica que o documentário não é contra a engorda, mas busca explicar como o processo foi feito. 

“Quais violações aconteceram, desde ambientais, a violações de direitos humanos. A gente também traz a antropologia para conversar um pouco a partir de uma professora e de uma pesquisadora da antropologia, para tentar entender essas comunidades tradicionais da Vila. E eu acho que a gente termina um pouco o documentário com uma ideia de esperança, de que há sim vida naquela Vila”, reflete Tatiana Castro.

Após a exibição, haverá uma roda de conversa mediada com convidados, promovendo a troca de perspectivas entre participantes e público sobre os temas abordados no documentário.

Confira o trailer:

As mais quentes do dia

Apoiar Saiba Mais

Pra quem deseja ajudar a fortalecer o debate público

QR Code

Ajude-nos a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Este site utiliza cookies e solicita seus dados pessoais para melhorar sua experiência de navegação.