Homem que sacou arma em ato de mulheres contra feminicídio em Natal se passa por vítima e faz BO
Natal, RN 20 de jun 2024

Homem que sacou arma em ato de mulheres contra feminicídio em Natal se passa por vítima e faz BO

26 de agosto de 2021
Homem que sacou arma em ato de mulheres contra feminicídio em Natal se passa por vítima e faz BO

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O homem que desce de uma moto e saca uma arma de fogo durante uma manifestação de mulheres contra o feminicídio, no bairro do Alecrim, em Natal, foi identificado como o vigilante Betuel Chagas. Ele mesmo, depois de provocar confusão e ameaçar as pessoas na manifestação, que até então ocorria de maneira pacífica, foi até a delegacia de plantão prestar queixa contra o grupo que estava no protesto por impedir seu direito de ir e vir.

As mulheres que organizaram o ato faziam uma homenagem e cobravam respostas para o caso da jovem Joice Cilene, assassinada pelo ex-companheiro uma semana antes, no mesmo local onde ocorreu a manifestação. Durante o protesto uma das ruas da Praça Gentil Ferreira, também conhecida como praça do Relógio, no Alecrim, ficou fechada. Durante esse período, ficou disponível a conversão à esquerda para que os veículos pudessem desviar e seguir o caminho por outras vias.

“Algumas pessoas que estavam no ato conheciam o Betuel e tentaram conversar com ele pra seguir pela outra rua. Ele foi o único motociclista a ficar lá esperando e reclamar. As motos e carros foram pela outra rua e apenas alguns poucos veículos e ônibus, que tinham que manter o itinerário, permaneceram no local”, detalha Samara Martins, uma das organizadoras do Movimento de Mulheres Olga Benário.

Betuel forçou a passagem entre as manifestantes e sacou uma arma no meio das mulheres. Apesar de ter alegado pressa para buscar o filho na escola, após provocar tumultuo e deixar o local, foi direto prestar um boletim de ocorrência, segundo as organizadoras do ato que estavam presentes na manifestação.

Nós tivemos até dificuldade em fazer o registro do boletim de ocorrência porque quando chegamos à delegacia, ele já havia prestado queixa contra nós. Os policiais disseram que não poderiam abrir outro BO sobre o mesmo caso. Tivemos que argumentar junto com a advogada pra conseguir fazer o registro. Se ele estava com tanta pressa para buscar o filho, por que ainda foi fazer BO?”, questiona Samara.

As organizadoras do ato já foram convocadas para prestar depoimento o que indica que o delegado vai dar prosseguimento à investigação. Nós, da Agência Saiba Mais, tentamos entrar em contato com a assessoria de imprensa da Polícia Civil para saber se a arma sacada por Betuel na manifestação é legalizada e se ele tem o porte para andar com a arma, mas não obtivemos resposta.

“Isso só causa mais indignação e comprova como as mulheres estão susceptíveis `a violência. Já fizemos outros atos no Alecrim e não aconteceu nada disso. Talvez, por ver que eram mulheres na manifestação, ele tenha se sentido confortável para intimidar as meninas. Foi algo muito revoltante, justamente, porque estávamos ali para denunciar o feminicídio”, lamenta Samara.

Vídeo em que homem com capacete desce da moto e saca arma de fogo em meio a uma manifestação contra feminicídio

Empresa de vigilância

Como Betuel teve a iniciativa de fazer um BO e dar entrevistas, foi reconhecido como vigilante. O Grupo Proteg, que atua no setor, emitiu nota nesta quinta (26) informando que está trabalhando para reconhecer se o homem que aparece no vídeo é seu funcionário, para adotar as medidas cabíveis. A empresa considerou o comportamento inaceitável e viola o código de ética e conduta da empresa.

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