CIDADANIA

Isolda Dantas anuncia R$ 300 mil para pesquisa com cannabis medicinal no RN; seminário debate uso da planta para fins industrial e de saúde

A deputada estadual Isolda Dantas (PT) pretende destinar ainda em 2022 uma emenda no valor de R$ 300 mil para incentivar pesquisas científicas que usem a maconha em tratamentos de saúde. O repasse será realizado via Fundação de Pesquisa do Rio Grande do Norte (Fapern). A ideia é que um edital seja lançado até dezembro para que universidades e entidades que atuam na área de pesquisa concorram entre si a fim de realizar estudos relacionados ao uso medicinal da maconha. A iniciativa é inédita no Estado potiguar.

A parlamentar do PT também é autora da lei estadual que estimula estudos e a divulgação da cannabis medicinal. O RN é o 5º estado do país a aprovar uma legislação sobre o tema. Tanto a lei como os recursos para pesquisa são reivindicações históricas de entidades, movimentos e familiares de pacientes com problemas neurológicos que lutam pela legalização e descriminalização da planta.

Para ajudar no trabalho de conscientização e como parte desta batalha contra o preconceito social, o mandato de Isolda Dantas promove nesta quinta-feira (28), a partir das 17h, um seminário sobre o uso medicinal e industrial da maconha.

O evento ocorre no auditório da Biblioteca Central Zila Mamede, na UFRN, em parceria com parlamentares também sensíveis à causa, como a deputada federal Natália Bonavides e a vereadora Brisa Bracchi, ambas do PT. Entre as presenças confirmadas está a do neurocientista Sidarta Ribeiro, um dos principais ativistas do mundo na luta antiproibicionista da cannabis. A secretária-adjunta de Saúde Pública do RN Lyane Ramalho também vai participar.

 Isolda Dantas e a jornalista Juliana Lobo, ativista e mãe de uma criança que faz uso medicinal da maconha há 6 anos, foram as entrevistadas do Balbúrdia desta quarta-feira (27).

A deputada do PT explicou que um dos objetivos do seminário é também elaborar algumas das regras que estarão presentes no edital de apoio à pesquisa sobre a cannabis medicinal:

– Temos que avançar mais nesse debate e para ajudar vamos destinar uma emenda parlamentar no valor de R$ 300 mil para que haja um edital de estímulo à pesquisa nessa área. A ideia é garantir o avanço e o tratamento no processo de pesquisa. Espero que a gente saia do seminário com as diretrizes do edital para lançá-lo ainda este ano. Também pedimos audiência na Sesap para fazer campanhas sobre o uso medicinal da cannabis entre os profissionais de saúde, pois muitos desconhecem os efeitos da planta no tratamento de algumas doenças. Nossa lei determina isso, a divulgação e que haja um processo de capacitação dos profissionais da área”, explicou.

Jornalista e mãe de criança que faz uso medicinal da cannabis faz relato emocionante: “a maconha foi uma dose de esperança”

A jornalista Juliana Lobo chama de “milagre” o que aconteceu na vida do filho, hoje com 11 anos, após o garoto começar o tratamento com cannabis por indicação do pai de outra criança que também havia sido diagnosticada com uma síndrome convulsiva. Nas piores crises, Pedrinho chegou a ter em um único dia 300 convulsões que duravam entre 30 e 40 segundos.

Seis anos depois de iniciado o tratamento com o óleo derivado da maconha, Pedro ainda apresenta pequenas convulsões, mas agora na faixa entre 10 e 20 por dia, o que comparado as 300 do passado é um alívio.

– Em uma semana de uso ele reduziu em 50% as convulsões. Voltou a sorrir, brincar. Com um ou dois meses de uso, ajustando as doses, diminuiu em 90%. Hoje Pedrinho chega a ter 20 convulsões por dia. Pra quem já teve 300 por dia e hoje tem 20, imagine o quanto a vida dele melhorou. Os médicos dizem que ele não escuta nem vê a gente direito, em razão dos antigos fármacos que ele tomou. Mas a gente sente que ele nos sente, Pedro entende as mudanças que há perto dele. Eu não vou parar de usar a maconha nunca mais, é uma dose de esperança”, disse a jornalista que virou uma militante da causa e procura ajudar outras famílias com informação e a relatando a própria experiência.

Sobre a lei que estimula a pesquisa, Juliana Lobo fala com conhecimento de causa que as futuras pesquisas podem iluminar ainda mais os familiares de pacientes que fazem o uso da planta:

– Por isso a lei da deputada é importante: para que exista esse estudo. Até que ponto o CBD é importante e até que ponto o óleo híbrido com o THC é importante ? Em quais doenças o CBD pode agir melhor e em quais é melhor usar o THC ? Não existia estudo específico sobre isso ainda porque não existia uma lei que motivasse os pesquisadores pudessem aprofundar esses estudos”, disse.

A entrevista completa com Isolda Dantas e Juliana Lobo está disponível na íntegra do canal da agência Saiba Mais. Assista agora:

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Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"