CIDADANIA

Dia Mundial do Cérebro: envelhecimento progressivo da população evidencia importância das pesquisas científicas no campo

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que ao menos 1 bilhão de pessoas no mundo convivam com algum tipo de doença neurológica. Com o envelhecimento progressivo da população mundial, especialistas preveem o aumento no número de doenças neurodegenerativas associadas ao envelhecimento, como é o caso do Alzheimer ou da Doença de Parkinson. 

Em todo o mundo, pesquisadores que atuam na área das neurociências e ciências biomédicas ressaltam a importância de buscar compreender as diferentes doenças neurodegenerativas, a fim de desenvolver soluções que possam atrasar sua manifestação ou mitigar seus efeitos. No Rio Grande do Norte, o professor pesquisador do Instituto Santos Dumont (ISD), Felipe Porto Fiuza, é um dos que busca estudar essas doenças a fim de tentar entender seu funcionamento em diferentes indivíduos. Doutor em Psicobiologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), ele concentra seus estudos em doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, ou condições relacionadas ao neurodesenvolvimento, como é o caso do autismo. 

“O envelhecimento é o principal fator de risco para as maiores causas de mortalidade que a gente tem, que são as doenças cardiovasculares, doenças neurodegenerativas, câncer e outras condições. É importante estudarmos isso, particularmente dentro das neurociências, para entender o que esperar das mudanças cerebrais que acontecem e que são normais e vão acontecer ao longo de toda a nossa vida”, afirma Fiuza. 

O pesquisador compõe o corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Neuroengenharia do ISD, onde os estudantes se voltam para pesquisas que buscam compreender determinadas doenças e condições neurológicas, como a Epilepsia, o Parkinson e o Alzheimer, e também desenvolver soluções para problemas associados ao sistema nervoso que auxiliem na melhora de qualidade de vida de pessoas com deficiência. 

“Essa ideia de que existe um cérebro ideal, ‘normal’, é mais um construto estatístico do que a gente espera, mas todo cérebro é diferente um do outro, e é esperado que ele mude ao longo do envelhecimento. O estudo das neurociências busca entender melhor o funcionamento desses cérebros a fim de pensar tratamentos ou intervenções que permitam que determinadas mudanças que vão ocorrer impactem na qualidade de vida do ser humano”, explica. 

De acordo com ele, esse fato ressalta a importância de buscar soluções que incluam as pessoas com diferentes tipos de deficiência, muitas das quais podem progredir com o envelhecimento. “É de se esperar que a população com algum tipo de deficiência aumente, e por isso é tão importante estudar bem essas condições, e não ignorá-las”, completa. 

Ao longo das últimas décadas, o avanço das pesquisas científicas permitiram desfazer muitos mitos relativos ao funcionamento do cérebro e ao envelhecimento. A expectativa, segundo ele, é que esses avanços continuem, e permitam a criação de métodos e alternativas que ajudem intervir de forma positiva na qualidade de vida da população acometida por algum tipo de condição neurodegenerativa. 

“Há algum tempo atrás, pensava-se que nós tínhamos uma perda de neurônios muito drástica provocada pela idade. Hoje, a gente sabe que não é bem assim. As perdas de neurônios que acontecem com a idade são pequenas e restritas a certas regiões. Antigamente, esse mito trazia uma perspectiva muito ruim para um geriatra, por exemplo, e esse não é mais o caso. Esse tipo de compreensão nos permite avançar muito em tratamentos e intervenções”, afirma o pesquisador. 

SOBRE O ISD

O Instituto Santos Dumont é uma Organização Social vinculada ao MEC e engloba o Instituto Internacional de Neurociências Edmond e Lily Safra e o Centro de Educação e Pesquisa em Saúde Anita Garibaldi, ambos em Macaíba. A missão do ISD é promover educação para a vida, formando cidadãos por meio de ações integradas de ensino, pesquisa e extensão, além de contribuir para a transformação mais justa e humana da realidade social brasileira.

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