Corpo de travesti é encontrado sem cabeça e sem o dedo mindinho esquerdo em Natal
Natal, RN 17 de jul 2024

Corpo de travesti é encontrado sem cabeça e sem o dedo mindinho esquerdo em Natal

14 de outubro de 2022
4min
Corpo de travesti é encontrado sem cabeça e sem o dedo mindinho esquerdo em Natal

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O corpo de uma travesti, ainda sem identificação, foi encontrado na manhã desta sexta (14), por volta das 5h, na área externa da Policlínica do bairro Potengi, na Zona Norte de Natal. A vítima estava sem a cabeça e sem o dedo mindinho da mão esquerda, que foram levados.

Ainda não se sabe as possíveis motivações para o crime. De acordo com a Polícia Civil, a vítima foi morta por um objeto perfuro cortante e o óbito ocorreu por volta das 3h da madrugada. De acordo com o vigia da policlínica, a vítima costumava fazer ponto naquele local.

A travesti, que estava com uma minissaia preta e uma blusa amarela, foi encontrada pelo vigilante da unidade de saúde durante uma ronda de rotina. O corpo da foi levado para o Instituto Técnico e Científico de Polícia (Itep) e vai passar por perícia.

"Cobramos as autoridades que cuidem das nossas vidas como cuidam de todos os outros cidadãos e cidadãs da cidade. Nossas mortes já acontecem há muito tempo e a grande maioria não tem nenhuma solução. Vamos pedir que a Secretaria de Direitos Humanos de Natal ajude na investigação e a SEMJIDH [Secretaria de Estado das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos] do RN auxilie a polícia na elucidação do caso", adiantou Rebeka de França, Coordenadora Geral da Ong Attransparência (Associação Potiguar de Travestis e Transexuais na Ação pela Coerência no Rio Grande do Norte).

Vídeo de campanha realizada pela Ong no início do ano

Outro caso

Em maio deste ano, a jovem trans Estefani Rodrigues Soares, de 18 anos, foi morta a facadas numa praça no bairro de Lagoa Nova, em Natal.

O assassinato da jovem trans foi captado por câmeras de vigilância e horas depois a Polícia Civil prendeu um rapaz de 28 anos que confessou o crime. Ele confessou que teve um relacionamento com a vítima e que havia premeditado o crime. A faca que matou Estefani foi encontrada na praça da Rua Desembargador Carlos Augusto, zona Sul de Natal.

País que mais mata

O Brasil é o país com maior taxa mundial de mortes da população trans. Em 2021, pelo menos 140 travestis e transexuais foram assassinados no país.

Os dados foram divulgados em janeiro deste ano pela Associação Nacional de Travestis e Transsexuais (Antra). O número representa uma redução de 20% em relação aos assassinatos de 2020, mas o Brasil continua no topo do triste ranking.

O estudo é feito desde 2017 e, desde então, houve aumento de 32,7% nas tentativas de homicídio. Foram 79 casos em 2021 e 77 em 2020. Em números absolutos, São Paulo foi o Estado que mais matou a população trans em 2021. Foram 25 assassinatos. Depois vem Bahia (13), Rio de Janeiro (12), Ceará (11), Pernambuco (11), Minas Gerais (9), Goiás (7), Paraná (7), Pará (6), Amazonas (4), Maranhão (4), Rio Grande do Sul (4), Espirito Santo (3), Mato Grosso do Sul (3), Mato Grosso (3), Alagoas (2), Amapá (2), Paraíba (2), Piauí (2), Distrito Federal (2), Acre (1), Rio Grande do Norte (1), Rondônia (1) e Sergipe (1).

A Antra diz que há falhas na investigação desses crimes e faltam informações básicas. Dos 140 assassinatos de 2021, por exemplo, não se sabe a idade da pessoa morta em 40 deles. Dos 100 casos restantes, 5% vítimas tinham de 13 a 17 anos; 53% tinham de 18 a 29 anos; 28%, de 30 a 39 anos; 10%, de 40 e 49 anos; 3%, de 50 e 59 anos; e 1% de 60 a 69 anos.

Oito entre 10 pessoas trans já sofreram violência

no RN

Pesquisa de 2021 feita pelo Observatório LGBT+, do Centro de Cidadania LGBT+, vinculado à Prefeitura de Natal, mostra que oito em cada 10 pessoas trans e travestis da capital do RN foram agredidas em algum momento.

A pesquisa foi divulgada em dezembro de 2021 e foi feita com 203 pessoas transexuais e travestis que vivem em Natal. As cinco principais violências sofridas são a psicológica (18,4%); discriminação (16,5%); verbal (16,5%); violência sexual (13,1%); física (12,2%). Outro dados que chama a atenção: 90,9% não procuraram às autoridades para denunciar as agressões.

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